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Carta da editora

Sobre viver.

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Como uma libélula, de olhar multifacetado, esta edição de Elle VIEW revela movimentos que resgatam modos de fazer tradicionais, que envolvem o trabalho manual, perseguem o belo e beneficiam o planeta ­– características historicamente relacionadas ao feminino, mas que nós, todos, todas e todes, carregamos! Um desses movimentos é formado por homens e mulheres que buscam autonomia e personalidade no vestir. Costuram suas próprias roupas e se libertam um pouco da megapoluidora indústria da moda. A segunda novidade é obra de uma turma de mulheres da pesada, que ergue casas com as mãos e o conhecimento de antigas e espertas técnicas de bioconstrução.

Na outra ponta, de caráter nada bio, porém coladas à nossa derme, além de mais associadas ao universo masculino e hard da razão: as tecnologias do mundo digital. Incrível, mas há quem ande reproduzindo no virtual baixaria do mundo real. Usuários vociferam grosserias homofóbicas ou misóginas para uma, veja bem, assistente virtual! Um robô, cuja palavra aliás tem forte conexão com a ideia de servo, escravo. E aí mora o perigo, porque, ao contrário do que pode pensar o truculento, não é ele quem tem o controle da máquina, mas os algoritmos, que o mantêm bem sob as rédeas. Mas esse é outro papo. Descubra na nossa reportagem que atitude tomaram as assistentes virtuais.

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Já o mercado de beleza anda de olho grande no metaverso. Se eu fosse você, já ficava preparada para um rolê nesse mundo paralelo com um bando de avatares, suas amigas, para quem sabe sentir um novo perfume sem sentir o cheiro. Corre para ver o que te aguarda.

Representando todos esses e outros universos criativos, a nossa capa: Manu Gavassi – na verdade, são quatro primeiras páginas para dar conta das multipotencialidades da moça. Cantora, compositora, atriz, roteirista, influenciadora digital... Logo mais ela estreia uma série na Netflix, Maldivas, e uma turnê pelo Brasil intitulada Eu só queria ser normal.

É também o que milhões de brasileiros desejam, Manu. Normalidade no sentido de tranquilidade, de poder tocar a vida com sossego neste país. Enquanto o sonho não desabrocha, solta o som. Como canta Caetano, “o samba é o pai do prazer, o samba é filho da dor, o grande poder transformador”. Três lançamentos de luxo são a grata notícia desta edição. O álbum Sobre viver, do artista Criolo, que dá entrevista em vídeo para a ELLE e desabafa furioso sobre a situação do país: “Véio, aqui é guerra civil... A dor do nosso povo enriquece alguns”.

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Os outros dois discos são inéditos deixados pelo arranjador Letieres Leite e pela cantora Elza Soares, duas perdas lamentáveis desses tempos cruéis. Elza, a eterna fênix, canta até depois do fim. Deixou um segundo trabalho, conta seu empresário, que ela fazia questão que saísse antes das eleições para mandar seu recado, na esperança de uma mudança.

Não faltam, afinal, pessoas dispostas a provar que um outro país é possível. Quer uma boa amostra? No editorial de moda da edição, confira toda a força criativa de uma nova geração de estilistas e marcas que não se deixa levar pela inércia. Clique no título: "Tudo nosso".

Boa leitura!

Bell Kranz
Editora convidada