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Carta da editora

Em busca de equilíbrio

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Se afastar das redes sociais, tenho certeza, já foi algo que passou pela cabeça de muitos de vocês. Na minha, pelo menos, é um pensamento constante. Em 2019, eu decidi arquivar todas as minhas fotos do Instagram em uma tentativa de não ser definida pelo meu perfil. Eu tinha acabado de começar um novo relacionamento e a ideia de ter um novo grupo de pessoas tirando conclusões muito específicas sobre mim a partir das minhas escolhas de selfies ou fotos cotidianas me deixava incomodada. Fiquei com o perfil vazio por cerca de um ano e meio e, durante esse período, me senti muito menos exposta e muito mais livre. Não sentia a necessidade de ter uma opinião sobre todos os assuntos e nem de registrar no celular qualquer momento minimamente interessante que eu estivesse vivendo offline.

Lembrei bastante dessa época ao fazer a ELLE View deste mês. Nossa estrela da capa, Luísa Sonza, também se afastou das redes sociais recentemente e parou de postar. Foi por um motivo muito mais sério que o meu, é claro. No caso, o estopim foram as graves acusações e ameaças que recebeu em mais um episódio de misoginia online. Mas, como ela abriu para a jornalista Angelica Santa Cruz na primeira entrevista concedida após o acontecimento, isso já era algo com o que ela vinha tendo que lidar há muitos anos. Foi ao sair das mídias sociais que ela conseguiu ter um pouco de paz para assimilar tudo o que estava acontecendo em sua vida e ainda revelou que, por mais que ame a troca com os fãs que as redes proporcionam, talvez nunca mais volte a se relacionar com elas da mesma forma intensa de antes.

Isso tudo me fez pensar em um texto recente de uma newsletter de que sou fã, chamada Maybe Baby. Ele é uma espécie de chamado para pararmos de encarar nossas redes sociais como uma representação de nós. A máxima de que é preciso buscar ser muito verdadeiro no Instagram para ser relevante pode ter sido boa para povoar nossos feeds com menos fotos perfeitas e mais momentos espontâneos, mas, como a repórter Natália Eiras escreveu na matéria "Vulnerabilidade rende like", é também verdade que essa prática foi rapidamente cooptada pela sedução do algoritmo e começou a gerar o que ficou conhecido como vulnerabilidade performática. No texto da newsletter, a jornalista Haley Nahman se pergunta: e se a gente assumisse que essas plataformas são extremamente limitadas como espaço de expressão? Até porque, no fim das contas, essa nossa tentativa eterna de mostrar a nossa verdade é muito mais uma fonte de lucro para seus fundadores do que um retorno para nossa individualidade. Como seria uma nova relação com as redes sociais a partir dessa ideia?

Entender que essas plataformas não foram desenhadas para nos representar por completo, no entanto, não significa que elas não tenham relevância como discurso e posicionamento, como escreve Vivian Whiteman no texto a seguir, que abre esta ELLE View. Delimitar o espaço que elas ocupam na nossa vida e ao mesmo tempo reconhecer que elas são, no fim das contas, o ponto de contato que muitas pessoas que nem imaginamos têm conosco parece ser o segredo de uma relação mais saudável com tudo isso. Ainda mais em um momento em que todos nós temos seguidores e plataformas e estamos, em medidas diferentes, na constante iminência de sermos cancelados ou viralizados. Falando nisso, se você já se perguntou como se sente uma pessoa recém-viralizada, vá até o fim da edição para conferir a conversa de WhatsApp da repórter Isis Vergílio com Esse Menino, um jovem de 25 anos que sentiu na pele a passagem da vida mais ou menos anônima para o reconhecimento como uma das grandes apostas do humor no Brasil.

Vale citar que o convite para Luísa Sonza estrelar a capa da ELLE View de junho surgiu alguns meses antes dos episódios que a fizeram se afastar das redes sociais no fim de maio. Nossa ideia conjunta era apresentar a sua nova fase, que seria marcada pelo lançamento do segundo álbum de sua carreira. O disco ainda está sem data oficial de lançamento, mas Luísa decidiu falar sobre ele e sobre como está passando por esse período. Nós, por aqui, mantivemos a ideia de mostrar a sua nova fase, uma que está transformando as suas vulnerabilidades em força. Torcemos para que isso represente uma nova era de respeito e empatia para a Luísa, online e offline.

Não deixe de conferir também a nossa entrevista com a Jessie Ware em cultura, uma homenagem à cadeira Paulistano na parte de design e matérias bem especiais de beleza e moda, como o report sobre biotecnologia e tecidos.

Para finalizar, temos novidades na ELLE View: agora, para além do menu lateral (que também foi atualizado), vocês podem navegar pelas setinhas localizadas na parte inferior esquerda e direita de cada página (é uma versão melhorada das bolinhas antigas!) e deixar um feedback sobre a edição no final dela. Vamos adorar saber quais foram suas matérias preferidas e se estão gostando da ELLE View. Levamos em consideração cada resposta para fazer mudanças significativas na navegação, no formato e no conteúdo.

Um beijo,

Nathalia