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Raio-X de um desfile: Chloé inverno 2021

Tudo o que você precisa saber sobre a estreia da estilista Gabriela Hearst na direção criativa da maison francesa.

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Uma das estreias mais aguardadas da temporada internacional de inverno 2021 foi a de Gabriela Hearst na direção criativa da Chloé. Uruguaia radicada em Nova York, a estilista sucede Natacha Ramsay-Levi, que deixou o posto em dezembro de 2020. Sua nomeação aconteceu em um momento oportuno de reforço dos compromissos socioambientais da grife, pertencente ao grupo Richemont. É que Hearst virou case de sucesso à frente de sua marca homônima devido às práticas sustentáveis da mesma. Seu début na fashion week de Paris serviu como uma grande vitrine para maneiras mais responsáveis de produzir e apresentar moda. As fibras sintéticas virgens (como o poliéster) e as celulósicas artificiais (como a viscose), por exemplo, foram banidas e todos os fornecedores, tecidos e aviamentos são certificados.

Antes, porém, vale olhar um pouco para o passado. É de lá que vêm alguns elementos importantes na construção da imagem dessa nova Chloé. Começando pela locação: as ruas do bairro de Saint-Germain-des-Prés, em Paris, ou, mais especificamente, a frente da Brasserie Lipp. É de lá que saem as modelos e foi lá também que Gaby Aghion, fundadora da maison, realizou seus desfiles iniciais. O primeiro mesmo aconteceu no Café de Flore, logo ao lado, em 1956. Parte do sucesso inicial da marca foi sua conexão com a rua e as mudanças que vinham dela. Era uma moda contestadora em relação aos costumes da época, principalmente no que diz respeito à representação da mulher na sociedade. Eram os anos 1950, e já se sentiam as brisas que culminaram no furação de revoluções da década seguinte.

Na contramão da silhueta ampulheta, com cintura bem marcada e saia godê, a Chloé da virada da década de 1950 para a de 60 se destacou por um estilo jovem, marcado por roupas leves, formas soltas, além de uma boa dose de boemia e sensualidade. A blusa e saia de gaze de lã plissada é uma das melhores interpretações de Hearst sobre aquele visual. O babado no ombro (um detalhe que termina em capuz) e decote, aliás, são característicos da grife e aparecem em outros looks do inverno 2021.

Apesar das homenagens ao estilo original da Chloé, boa parte da coleção traz referências bem próximas a Hearst. É o caso dos ponchos, que percorrem toda a apresentação e fazem link com a origem uruguaia da estilista. Eles aparecem híbridos com golas de jaquetas puff, peça importante nessa temporada, e são feitos de cashmere reciclado.

"Minha primeira bolsa de luxo foi uma Edith, da Chloé. É uma peça que eu ainda amo e queria homenagear", disse Hearst. O modelo, no caso, é o da foto e, para esta estação, foi reproduzido com cashmere ou jacquard reciclados. Além das novas versões, 50 peças vintages foram customizadas com sobras de tecidos usados na coleção, como na imagem desta página.

Boa parte dos materiais utilizados na coleção já existia de outra forma no planeta. Jeans, couros e cashmeres são alguns dos tecidos reciclados. Já as sedas, como os três tipos que aparecem no vestido usado por Paloma Elsesser (georgette plissado, cetim e gaze), têm pelo menos 50% do fornecimento provenientes de agricultura orgânica.

Os tecidos estampados das mochilas e jaquetas bomber de patchwork vieram do arquivo da própria maison e as peças são feitas em parceria com a Sheltersuit, uma organização dedicada a oferecer abrigo e ajuda a moradores de rua, por meio da venda de roupas e acessórios produzidos por meio do upcycling (os quais também são doados pela instituição).

Raio-X de um desfile é a nova seção fixa da ELLE View, em que todos os meses examinamos uma apresentação recente, trazendo detalhes sobre as roupas e explicando por que vale a pena você saber mais sobre ela.