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Quem já deixou uma paleta se espatifar no chão e se multiplicar em pedacinhos entende a frustração. É dinheiro jogado fora, sujeira, desapego compulsório. Eis que surge na internet uma nova categoria de vídeo “estranhamente satisfatório”, que exibe esses itens de maquiagem destruídos, empoeirados e antigos em um processo completo de restauração.

Bem repetitivos, muitos deles mostram, por exemplo, uma paleta de produtos em pó, como sombras ou blushes, destroçada. Está suja, com espelho descolando e esponjinha murcha. Em seguida, uma pessoa munida de luvas, pinças, pincéis e seu próprio kit de laboratório a desempoeira, lava, mergulha em alguma solução desinfetante, peneira pó colorido, raspa cola envelhecida. É possível ouvir o som de cada gesto, como a raspagem de formas de alumínio, escovação sob água corrente, um triturador de pó. E por fim, tudo é reunido limpinho e colocado em seu lugar, como um quebra cabeça.



A sensação de prazer ao ver essas imagens varia de pessoa para pessoa e, provavelmente, quem se interessa pelo mundo da beleza pode ser melhor contemplado. Há ainda quem é atraído especificamente pelos sons desses vídeos espalhados pelo YouTube e TikTok. Seja os de esfregar, limpar, desenformar. No geral, o público relata uma sensação de relaxamento.

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“Perfeição!!! Assistir ajudou a acalmar minha ansiedade!!!”, “Isso é mais limpo do que a minha vida”, “Isso é muito relaxante, adoro seus vídeos”, dizem alguns dos comentários.

Entre os produtores, no TikTok, há perfis como o @cosmetic_repair com 2,5 milhões de seguidores. Seus vídeos acabam reproduzidos também no YouTube, em diferentes páginas e compilações, angariando mais visualizações. “Esse tipo de som e vídeo acaba sendo muito agradável para as pessoas que têm esse interesse. Eles estimulam toda uma circuitaria de recompensa ou de prazer que a gente tem no cérebro”, explica Leonel Tadao Takada, médico e neurologista membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

“Cada pessoa é estimulada por tipos diferentes de sons, tem gente que gosta de relacionados a alimentos, como por exemplo, alguém mordendo algo crocante, ou abrindo uma lata de refrigerante”, disse. “Tem gente que dorme com sons da natureza e ficaria muito incomodada com sons desses vídeos [de maquiagem]”.

A tal sensação agradável com sons banais que, dizem, provocam “cócegas no cérebro” recebeu o nome de Autonomous Sensory Meridian Response, em tradução livre, Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano. Na internet, vídeos com a sigla ASMR se proliferam rapidamente, nos mais diferentes estilos. Entre os comentários, alguns seguidores dizem que gostam de ASMR para pegar no sono.

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Segundo Gabriel Natan Pires, médico e pesquisador do Instituto Do Sono, não há comprovação científica de que ASMR colabore no sono e ele ressalta o quanto assistir a vídeos pelo celular, antes de dormir, podem, inclusive, atrapalhar o seu descanso.

“Nosso corpo é feito para entender qualquer estímulo luminoso como estímulo para despertar”, explica. “O segundo problema é a interatividade, para que meu cérebro me permita dormir eu preciso que ele vá progressivamente diminuindo a sua atividade. A gente recomenda para pessoas com insônia que ela tenha um período de mais ou menos uma hora antes do horário que gostaria de dormir, para criar um ritual de sono”, disse.

O médico sugere ainda atividades mais relaxantes como ler um livro, rezar, meditar, tomar banho. E, embora as imagens de restauração, organização e limpeza nos vídeos de maquiagem possam “te afastar de seus problemas” e causar relaxamento, há o risco de condicionar o seu sono a tal atividade no celular.

“As pessoas dizem ‘eu durmo vendo ASMR’. Sim, elas vão dormir de fato, por cansaço, porque é um vídeo monótono, mas não é um sono natural”, alerta.

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