#000000

Carta da editora

Rimas de milhões.

PUBLICIDADE

Quando a morte trágica de Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, tirou a banda do Lollapalooza, no mês passado, o rap nacional entrou em cena. O festival convocou Planet Hemp, Emicida e convidados (Mano Brown, KL Jay, Criolo e Rael) para fechar os três dias do evento. Foi um minifestival de rap dentro do festival pop.

Fora dos palcos, Emicida também pode ser visto toda semana na TV, no Papo de segunda (GNT), além dos intervalos comerciais, em campanhas para marcas, e no cinema, em Medida provisória, filme de Lázaro Ramos. Brown é ouvido por milhares de pessoas no Mano a mano, um dos mais comentados podcasts do Spotify, enquanto os Racionais MC’s ganharão um documentário da Netflix ainda este ano. Don L foi eleito o artista do ano pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Não é exagero dizer que o rap nacional, por anos periférico, chegou, enfim, ao centro do mainstream.

O gênero vem sendo um assunto constante para a ELLE – Emicida, Brown, L, Djonga, Baco Exu do Blues, Criolo e Drik Barbosa foram só alguns nomes que passaram por nossas páginas (virtuais ou impressas) recentemente.

Nesta edição, em que nos debruçamos sobre o rap, nos voltamos aos novos nomes da cena nacional, começando por Tasha & Tracie. As irmãs, que estampam a capa deste número, levaram o do it yourself com que se apropriaram da moda para as rimas. A dupla é acompanhada aqui por outros dez artistas em ascensão, do Rio Grande do Sul ao Amazonas, do trap ao old school.

PUBLICIDADE

Do futuro para o passado, relembramos as precursoras do rap nacional e os dez discos que contam a história do gênero no Brasil. Ouvimos Baco Exu do Blues, que discorre sobre a autoestima, e Karol Conká, que reflete sobre seu cancelamento, em seus mais recentes trabalhos.

Karol, aliás, injetou um colorido no rap. Hip-hop também é moda e estética. Passamos, então, a limpo a evolução do estilo nos últimos 30 anos, de Run-D.M.C. a Kanye West, apresentamos uma nova marca nascida na periferia paulistana, mergulhamos na febre das unhas alongadas e da boca contornada com lápis e finalizada com gloss.

Por fim, discutimos a figura paterna que o rap pode exercer, um texto acompanhado por uma playlist que cai bem como a trilha sonora desta edição, feita a muitas mãos, por vários fãs do gênero, em especial Ísis Vergilio, repórter de beleza e sociedade, e Suyane Ynaya, editora de moda da ELLE, que têm suas digitais por toda a revista. Como diria Sabotage, o rap é compromisso.

PUBLICIDADE