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''Fiz faculdade de moda por conta da ausência de representatividade que via no mercado'', diz Naya Violeta, que há dez anos fundou sua marca homônima. Hoje, ela marcou sua estreia na SPFW, por meio do projeto Sankofa, com uma coleção que envolve, aquece e dá uma pontinha de esperança.

Intitulada Foguete, a coleção é inspirada na celebração com o fogo. O objetivo é relembrar que estar vivo é, sim, algo grandioso. ''Essa coleção foi de aterramento. É sobre pensar no poder da vida, uma coisa muito descartada nesse momento'', explica Naya. Ela também destaca o uso – com a licença – de elementos sagrados do Candomblé. Inclusive, para a estilista não haveria data melhor para estrear, já que hoje é dia de Xangô Menino.

Nos processos criativos, um livro de referência foi Fogo no Mato: A Ciência Encantada das Macumbas, de Luiz Antônio Simas e Luiz Rufino. ''A obra fala sobre ritmos, de ter ginga e saber a hora de se abaixar para mirar o golpe depois'', continua ela. Nas peças, tudo parece uma grande dança. Ao brincar com os movimentos do fogo, as cores, babados e volumes acabam influenciados. O destaque fica para a estamparia exclusiva, criada em parceria com a designer Dani Guirra, que também assina os acessórios, e os itens bordados em linho puro. O desenvolvimento criativo também inclui a participação do curador de temas Gilson Plano.

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Naya vê sua participação como uma grande responsabilidade ''de abrir caminho''. Isso porque ela é a primeira marca do centro-oeste a desfilar em uma edição de um evento de 26 anos. Uma das coisas que lhe deu força, além do acolhimento dos membros do Sankofa, foi o amadrinhamento da marca Apartamento 03, gerida por Luiz Claudio Silva .''Foi importante ter um estilista preto me dizendo que eu poderia arriscar'', compartilha.

Segunda a estilista, a marca é ''afroafetiva'' e busca, mais do que fazer roupas, contar histórias. Por isso Naya mantém uma proximidade com toda sua cadeia produtiva e cita Valdirene Martins, Guillermo Cachaca e Washington Gomes, costureiros e modelistas da marca, como pessoas essenciais em todo o processo. Ela vê isso como um rompimento da cadeia convencional, onde ainda ocorre muita desunião. ''Existe uma arrogância de boa parte da moda, que acha acha é o topo da pirâmide, mas quem faz as roupas são outras pessoas'', finaliza.

Naya Violeta na SPFW51

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