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Fotos Cortesia | Chanel
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Aconteceu hoje, em Paris, o desfile Métiers d'art da Chanel, a apresentação anual em celebração ao trabalho artesanal de ateliês históricos administrados e financiados pela marca. Eles acontecem desde 2002 (ideia de Karl Lagerfeld), quase sempre na temporada de pre-fall, e já rodaram o mundo. Xangai, Roma, Edimburgo, Salzburgo e Dallas são apenas algumas das cidades que já receberam o evento nos últimos anos. Em 2021, porém, a maison decidiu ficar em casa e por um motivo mais do que justo.

Há alguns meses, a Chanel inaugurou um novo espaço, o Le19M, para abrigar, entre outras coisas, oito dessas casas focadas em artesanato e técnicas das centenárias. São elas: Lesage e Montex, especializados em bordados, Lemarié, dedicado a plumas e ornamentos florais, Lognon, de plissado, Goossens, para bijoux e ourivesaria, Maison Michel, de chapéus, e Massaro, de sapatos.

Projetado pelo arquiteto Rudy Ricciotti e localizado perto de Porte d'Aubervilliers, ao norte da capital francesa, o edifício tem cerca de 25.500 m² e abriga, desde março, 600 pessoas que trabalham para os ateliês. O nome do espaço é uma referência ao distrito em que ele se encontra, de número 19 (também simbólico para Coco Chanel). Já o "M" representa as palavras "mains", "mode", "métiers", "maisons" e "manufactures".

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São pontos – ou qualidades – centrais ao universo da maison. Desde 1985, quando adquiriu a fabricante de botões Desrues, a etiqueta vem comprando diversos ateliês de artesanato e fornecedores de tecidos (como a Barrie, produtora de cashmere escocesa), com o intuito de preservar técnicas e saberes manuais tradicionais. Apesar de financiadas pela grife francesa, as empresas têm liberdade para trabalhar e fornecer para outras marcas.

De volta à coleção, diferentemente das passadas, nesta não há um tema específico. O foco são as habilidades manuais de cada um dos oitos ateliês atualmente hospedados no Le19M. Alguns, aliás, se inspiraram na própria arquitetura do local, como os bordados do Atelier Montex, que mimetizam as estruturas de concreto branco da fachada, aplicados em bolsos e acessórios.

Ricas em detalhes e acabamentos manuais, as roupas são mais um exemplo da transformação que a diretora de criação Virginie Viard vem fazendo na Chanel: menos teatral e mais próxima aos desejos e realidades das clientes. Já faz algum tempo que a estilista vem se livrando de alguns excessos da grife, em parte de olho numa consumidora mais jovem, em parte buscando uma maior conexão com o dia a dia de quem veste a etiqueta.

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Acontece que nem sempre o equilíbrio é alcançado. Algumas de suas coleções já foram criticadas por forçar uma jovialidade um tanto desconexa com o que se espera da Chanel, outras por oferecer um olhar um tanto preso em ideias do passado. Nesta, porém, tudo parece se encaixar mais harmoniosamente. Das texturas e trabalhos manuais aos elementos trendy e à logomania.

De um modo geral, a coleção vem com formas afastadas do corpo, alfaiataria relaxada ao mesmo tempo que arrumada, com direito à cintura baixa, barriga de fora e cintinho de corrente. Em contraponto ao verão 2022, os comprimentos chegam alongados, quase sempre com sobreposições. Há também um maior mix de produtos, do jeans bem claro a tricôs e tweeds encorpados aos clássicos preto e branco em tecidos mais suaves.

Tem muita gente que torce o nariz para o trabalho de Viard, mas a maneira como ela vem lapidando a imagem da maison bastante valiosa e muito consistente. Trabalho digno de ser celebrado tanto quanto aqueles manuais que dão razão de ser ao métiers d'art.

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