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Muitos imaginam o futuro da moda como o closet eletrônico de Cher (Alicia Silverstone), no filme As Patricinhas de Beverly Hills. E, de certa forma, não estão errados. Fundada por Ramin Ahmari, a Finesse se descreve como a primeira marca a criar um "cérebro artificial" que vasculha a internet para descobrir o que é tendência e, a partir daí, produzir drops sob demanda, com desperdício mínimo.

De maneira simplificada, é isso. Ao conversar com Ahmari, no entanto, percebe-se camadas mais profundas nesse processo. "Na Finesse, olhamos para a moda como um economista ou um trader de fundos hedge [uma operação financeira que reduz ou elimina o risco da variação de preços do mercado]. Quais são os sinais que preveem o sucesso e chances de fracasso de uma ação ou item de roupa?", explica o fundador e CEO, em entrevista à ELLE Brasil


Ao analisar como as maiores instituições financeiras e de tecnologia do mundo atacam esses problemas, Ahmari percebeu a importância dos dados e das estratégias baseadas neles na tomada de decisões, muitas vezes milionárias. Então, por que não fazer o mesmo com a moda? Prever as vontades do consumidor é uma forma inteligente e eficaz de entender o que vai vender bem ou não. Contudo, relegar tal análise a processos matemáticos não eliminaria as novidades e o elemento surpresa que toda boa coleção têm? Não completamente.

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"A inteligência artificial não é desvinculada de uma inteligência coletiva da humanidade. Quando digo para o Google que não sou um robô e ele me pede para mostrar em quais imagens há faixas de pedestres. Quando faço isso, estou ensinando ao computador o que é uma faixa de pedestres. A AI faz uso da arqueologia imagética que também nos alimenta durante toda nossa vida", explica a artista e pesquisadora Karlla Girotto. "Trata-se de um paralelo feito a partir da nossa própria subjetividade e da subjetividade coletiva, a nossa revelia, como se não tivéssemos participação nisso – mas, na verdade, somos parte fundamental dessa tecnologia."

Alfredo Orobio, fundador e CEO da Away to Mars, explica que os algoritmos usados pela sua marca existem para criar estímulos visuais treinados a partir de imagens de arquivos da internet. A etiqueta nasceu de uma ideia de descentralização de poder dentro da estrutura criativa em empresas de moda. Cocriação aqui é a palavra-chave, seja ela com um humano ou com uma inteligência artificial. Em parceria com a IBM, a University of the Arts London e o Governo Britânico, a grife desenvolveu um algoritmo para essa função, atualmente em fase de teste

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"Funciona assim: eu treino esse algoritmo em vestidos e ele começa a analisar várias peças dentro desse padrão. Ele fica como uma polícia que só deixa passar o que se parece com aquelas instruções originais. A partir disso, surgem novos estímulos de design. Por exemplo, se desejo fazer uma estampa inspirada em canários vermelhos, apresento essas imagens ao algoritmo e ele usa o que aprendeu para juntar os dois mundos", explica Orobio. "Por enquanto, os resultados são bem absurdos, então ainda não vamos entregar um vestido 100% feito por inteligência artificial. Mas já usamos alguns inputs criativos em nossos processos de criação."

Tanto na Finesse quanto na Away to Mars, as equipes enxutas trabalham em conjunto. Na primeira, profissionais de moda e de tecnologia – de ex-funcionários da Revolve até engenheiros da NASA – desenvolvem algoritmos para prever tendências, analisar sua performance e aceitação e identificar possíveis compradores para aquele item. Já na Away to Mars, o time de estilistas, composto por Marília Biasi, Carlo Valentini, Cecília Temke, Paula Pinaud e Orobio, trabalha para direcionar o cliente para o futuro.

"O consumidor, no geral, não sabe o que quer e também não sabe o que vai gostar amanhã. O grande papel da marca é apontar esse gosto futuro. Isso que é interessante no uso da tecnologia, alcançamos um nível de poder de processamento que nunca tivemos antes", fala Orobio. "Quando você coloca as máquinas ao lado de um ser humano com conhecimento estético, você consegue um produto novo. O instinto, é o que falta no computador. Ainda estamos super no começo dessa simbiose e as resistências são muitas", completa.

UMA INDÚSTRIA MAIS SUSTENTÁVEL

A digitalização dos processos de criação e confecção, por meio de modelagem e pilotagem 3D, por exemplo, foi acelerada devido às limitações impostas pela pandemia de Covid-19. Além de permitir o trabalho durante o lockdown severo e quarentenas que prenderam quase todo o mundo em casa, o desperdício também é evitado.

Nas duas marcas, os respectivos algoritmos testam o sucesso das peças e das coleções para minimizar a chance de elas não venderem, acabarem em uma prateleira de descontos ou, pior, no incinerador. "Se há indústrias de trilhões de dólares usando matemática e ciência de computação para dar sentido a algo tão efêmero, nós certamente podemos aplicar a mesma metodologia à moda. Temos dados cada vez mais expressivos de consumidores literalmente nos dizendo o que querem comprar", diz Ahmari.


O fator de risco de uma peça vender ou não é algo a se considerar em uma indústria como a da moda, a segunda mais poluente do mundo. "Seu maior problema – e segredo – é a superprodução e o desperdício. Uma marca produz milhares de roupas por mês sabendo muito bem que só parte delas será comercializada. Elizabeth Napier, uma professora assistente da Universidade de Toledo, na Espanha, afirma que 100 bilhões de peças de roupa, produzidas todos os anos ao redor do mundo, geram 92 milhões de toneladas de lixo", argumenta o CEO.

Com o objetivo de reduzir esse desperdício de tempo, dinheiro e de material, a Away to Mars e a Finesse usam modelagens e pilotagens 3D em suas criações. Em um mundo globalizado e ultra-conectado, as produções e manufaturas geralmente ficam em partes diferentes do globo. Ao digitalizar esses processos, o tempo de espera entre o brainstorm de uma coleção e a peça pronta diminui bastante. Na Away to Mars, ela chega a dois meses. Na Finesse, 25 dias.


Enquanto o futuro continua batendo na porta e muitos da indústria preferem ignorar, há marcas trilhando um caminho que une a criatividade humana aos avanços da ciência de maneira inovadora. "Essas ferramentas criam uma oportunidade excitante para toda uma nova geração de estilistas que terão um conhecimento sólido das tecnologias subjacentes e podem até mesmo alterá-las. Os algoritmos são reflexo dos humanos que os criam e acredito que os designers de amanhã serão mais proficientes criativamente ao abraçar essas possibilidades como uma nova ferramenta para melhorar seus trabalhos", prevê Ahmari.

Tanto Orobio quanto Ahmari concordam que o fator humano nunca poderá ser descartado na criação de moda, mesmo em um futuro mais tecnológico – e que os algoritmos e a A.I. ajudam a reduzir os danos ao meio-ambiente, o que os torna bastante atraentes. "O uso de dados, inteligência artificial e recursos 3D nos permite ser mais rápidos do que nunca e, ao mesmo tempo, economizar dinheiro ao não produzir itens que nunca serão vendidos – economia que nos permite oferecer aos nossos consumidores peças de melhor qualidade a preços mais acessíveis", finaliza Ahamri.


Os games ficam fashionistas e a moda encontra uma sobrevida no digital, principalmente em tempos de pouco contato. E, sim, hoje em dia já existe marca fazendo roupa sem costureiro, mas com expert em realidade aumentada e virtual.



Blocos de cor e tons saturados: a cartela viaja das telas do 3D virtual para os limites do corpo real. Pegue carona nesse arco-íris digital.

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