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Se a Plano Piloto fosse um filme, provavelmente seria uma comédia dramática. "É difícil fazer moda no Brasil e não ter drama", brinca Sergio Amaros, nome por trás da marca de Porto Alegre, lançada em 2019. Piadas à parte, o comentário tem a ver com o olhar do designer. Suas coleções começam sempre com um um texto-guia, tipo roteiro de cinema mesmo. "Acredito que minhas referências vêm muito das pessoas que estão ao meu redor, adoro olhar a rua e quem está nela", conta. "Meus escritos, muitas vezes, são abstratos e partem de sentimentos internos que tento levar para foto ou vídeo." As roupas surgem como figurino para esses enredos.

Na coleção atual, a quarta da grife, Sergio fez uma imersão em seu próprio passado. "Foi um encontro com sentimentos dos quais fugi por muito tempo", revela. "Voltei para uma casa onde vivi muita coisa, para poder mergulhar nessas memórias." No processo, retrabalhou modelagens prévias para criar peças inspiradas em pessoas específicas, como o falecido pai. "Gosto muito de materiais diferentes, desde a faculdade exploro elementos não comuns ao vestuário. Dessa vez, desenvolvi um casaco com uma coberta que foi dele."



Além das experimentações com objetos e materiais pouco prováveis, como o top feito de estofado de sofá, a Plano Piloto desenvolve coleções inspiradas em práticas e atitudes banais cotidianas. A ideia é mesclar o streetwear com a alfaiataria, sempre com pegada minimalista e alguma funcionalidade. Entre os materiais de destaque, o linho sai na frente como mais usado. Na cartela de cores, bastante preto, branco, off-white e alguns toques de laranja. "Gosto de trabalhar esses tons em modelagens que exploram o espaço entre o corpo e a roupa, mas tenho me arriscado em produtos que estejam mais em contato com a pele também."

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Apesar do pouco tempo de vida da label, Sergio, 31, possui bastante experiência na área. Ao lado do amigo Gabriel Granja, ele comandou outra etiqueta, a Asap Ltda, por 10 anos. "Entrei na faculdade de moda em 2009, com 18 anos, e foi o meu primeiro contato com moda. Não sabia nada do processo, mas queria muito ter uma marca para ir além da criação no papel, entendendo como o produto ficava pronto." Daí, surgiu a Asap, também como uma forma de levar a amizade da adolescência para o ambiente profissional. "Nesse período, tivemos a oportunidade de fazer colaborações com a Zerezes e Preza, duas marcas de óculos, além de desenhar joias em conjunto com a designer Alice Floriano."

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Em paralelo, o designer passou também por diversas áreas da moda, da fabricação de malharia retilínea à compra e venda – "foi quando aprendi muito sobre os processos e dinâmica de mercado" – até direção de filmes fashion. Com essa a bagagem, veio o desejo de alçar voo solo. Assim, em 2019, quatro meses após o encerramento da Asap, nasceu a Plano Piloto. "Não imaginava que seria tão rápido, mas precisava iniciar algo do zero, agora com mais experiência, sem perder a espontaneidade e experimentação."

Sem um calendário específico de lançamento, a etiqueta trabalha com pelo menos duas coleções anuais, que podem ser desmembradas em drops pontuais. "Com a pandemia, me senti obrigado a parar e redesenhar o formato", conta. "Neste ano, já lançamos duas coleções, uma bem menor e essa última, que foi a maior em número de peças", completa Sergio, já em preparação para mais uma leva de novidades, prevista para o último trimestre de 2021.

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