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Sabe a geração do futuro? Virou passado. Sim, os famosos millennials (nascidos entre 1981 e 1995), que foram tão celebrados como o que havia de mais novo na virada do milênio, há algumas semanas foram decretados velhos. A história toda começou quando a Geração Z (nascidos entre 1996 e 2010) resolveu usar o termo "cringe" para definir hábitos e estilos da Geração Y. Usar calça skinny? Cringe. Falar sobre pagar um boleto? Cringe. Tomar um litrão? Cringe. Gostar de café? Cringe. Ouvir rock? Cringe. Dizer "os jovens de hoje"? Cringe nível geriátrico.

Para quem ainda não está muito familiarizado com o assunto, vale uma introdução. Nas últimas semanas, uma batalha digital com direito a muitos memes e vídeos explicativos viralizou na internet e catapultou o termo "cringe" para a lista dos 50 mais procurados, segundo o Google. Para a GenZ, "cringe" significa cafona, ultrapassado, algo que dá vergonha alheia, sem noção ou, se você preferir, um verdadeiro mico, caso você seja da nossa geração. Mas, se por um lado o termo é novidade, seu conceito não.

Isso porque desde sempre cada geração, de alguma forma, rejeita a anterior para mostrar que cresceu e conseguir ocupar seu lugar no mundo. Em outras palavras, negamos o que veio antes achando que, dessa maneira, amadurecemos. E assim, em vez de somar, subtraímos.

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De acordo com uma pesquisa da consultoria Fung Global Retail & Technology, os Zs representam cerca de 26% da população mundial e, só nos Estados Unidos, respondem por 830 bilhões de dólares em gastos por ano. No Brasil, somam 30 milhões de pessoas e estão afetando as empresas não só pelo poder de compra, mas, principalmente, pela influência que exercem. Sem dúvida nenhuma, a importância dessa geração é um fato. Mas não podemos esquecer que foram os velhos jovens da Geração Y que reforçaram a importância de trabalhar com algo que trouxesse felicidade e não apenas dinheiro, além de terem sido eles os grandes difusores da sustentabilidade na prática, ato que hoje, mais do que uma utopia de comunidades alternativas, é visto como algo fundamental por qualquer pessoa de bom senso. Nem podemos ignorar que foram os Baby Boomers, com trabalho árduo e sem tempo para pensar na felicidade, que reconstruíram o mundo devastado depois da Segunda Guerra Mundial. Ou da Geração X, que lutou contra a ditadura e o autoritarismo.

Engana-se quem pensa que isso é apenas uma brincadeira inofensiva. Dizer que uma geração está ultrapassada baseado em percepções tão irrelevantes como o que se gosta de usar ou de ouvir é puro etarismo. É preconceito por causa da idade (no caso, a idade de uma geração inteira). Sim, os millennials, aquela geração que um dia já foi o símbolo do futuro, da virada do milênio, está envelhecendo. Mas, afinal, qual é o problema? Não há nada de errado nisso. Todas as pessoas e gerações irão envelhecer. E, talvez, seja mais positivo olharmos o que a pessoa ou a geração anterior fez para chegarmos até aqui do que apontar o quão ultrapassada ela está.

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Sim, nós acreditamos que os jovens Zs estão preocupados em transformar o mundo, são disruptivos, querem balançar as estruturas, fazer a diferença, estão mais engajados em causas sociais do que as gerações anteriores, se rebelam contra as injustiças, parecem mais sensíveis e atentos ao seu entorno.

Mas, para uma geração que teoricamente valoriza tanto a diversidade, a empatia e a inclusão, esse conceito de "cringe" não seria, no fundo, uma falta de inclusão e aceitação dos mais velhos?

Como os jovens gostam de dizer, a fila andou. Mas, infelizmente, parece que dessa vez foi a do preconceito.



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