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Luedji Luna faz música que bebe do mundo. A voz é inconfundível: tem textura, é afável, poderosa e cresce a cada faixa de Um Corpo no Mundo. Já se vão três anos desde o lançamento desse álbum de estreia, e os fãs – e a própria cantora – estão tendo de lidar com a expectativa e a ansiedade acumuladas pelo lançamento do segundo disco de estúdio. "Era para ter sido lançado em março. Em julho, a gente esperava que tudo ia estar bem, agora, a gente está indo para o final do ano sem saber como vai ser ano que vem", diz a cantora e compositora soteropolitana de 33 anos. "É um disco carregado dessa energia: a esperança de que algo bom vai acontecer em algum momento e tudo isso vai acabar", adianta ela. Pelo menos algo de muito bom aconteceu nesse período: em julho, Luedji deu à luz seu primeiro filho. E hoje já dá para aplacar um pouco a ansiedade com a estreia do novo single da cantora, "Bom Mesmo É Estar Debaixo D'água".

Luedji Luna - Bom Mesmo É Estar Debaixo D'água (Clipe Oficial) www.youtube.com

Luedji vê sua música como um produto da contemporaneidade, que não somente se inspira no seu entorno, mas trava um constante diálogo com o mundo. Seu primeiro disco foi produzido pelo sueco Sebastian Notini, com uma banda transnacional, em que cubanos, brasileiros e quenianos somaram seus talentos. No novo álbum, Luedji Luna e o guitarrista queniano Kato Change assinam juntos a produção musical.

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As referências da cantora são muitas, mas, na infância, três nomes sempre estavam ecoando dentro da casa de seus pais: Luiz Melodia, Milton Nascimento e Djavan. A cantora também cresceu ouvindo muito reggae – Edson Gomes, Bob Marley, Gregory Isaacs –, principalmente por influência paterna: na rota dos passeios por Salvador, seu pai a levava para a Praça do Reggae, no Pelourinho, e o Festival República do Reggae, ambientes nos quais ela absorveu os elementos mais cativantes do gênero musical. "Sempre faço questão de deixar o baixo bem presente, gosto muito de sopro, vem dessa memória do reggae", conta. Em conversa com a ELLE Brasil, a artista abriu seu mundaréu de inspirações e listou os discos mais fundamentais da sua vida. Sem eles, Luedji Luna não seria Luedji Luna.

Pérola Negra (1973), Luiz Melodia,
Em uma faixa: "Pérola Negra"

São canções importantes. O Luiz Melodia é uma figura fina, elegante. Quando ele se canta negro gato, pérola negra, ele traz a negritude para o lugar do belo. Eu via muito meu pai, os homens de Salvador, nessa figura: altos, bonitos, elegantes.

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Clube da Esquina (1972), Milton Nascimento
Em uma faixa: "Tudo que você podia ser"

Eu tenho a memória de estar chorando copiosamente na sala de aula do colégio porque a minha professora colocou a canção "Coração de Estudante" para tocar. Eu era a única chorando desesperada, tinha 10 anos. O Milton sempre me tocou muito e o Clube da Esquina tem canções que se comunicam muito comigo, é quase um tratado sobre o que é ser um artista, do que a gente sente nessa profissão. Ser artista é como pairar no ar. É uma vida idílica, quase como estar em um sonho. No entanto, a vida real está ali te cobrando: tem conta para pagar, é uma contradição. Escutei esse disco bem nova, mas só comecei a entender, traduzir e elaborar o disco há dois, três anos – escutando prestando atenção nas letras e entendendo esse meu momento de ser artista, que dialoga muito nesse lugar.

Gil Luminoso (2006), Gilberto Gil
Em uma faixa: "A Raça Humana"

Gil é um ser iluminado. Eu o chamo de Guru-Gil. Esse é um disco muito meditativo, para você escutar e compreender a vida, a existência. Superimportante para mim, eu escuto sempre que quero meditar.

Toda a discografia de Tiganá Santana
Em duas faixas: "Mon'ami" e "Vida Código"

Ele é um compositor, poeta, pensador de Salvador. Todos os discos que ele fez me arrebataram. Tempo Magma (2015), Vida Código (2019), Maçalê (2010), The Invention of Color (2012), toda a discografia do Tiganá Santana. Ele é um artista novo, contemporâneo, só que para mim é um grande inovador da música brasileira, ele me comove muito.

Conheci Tiganá musicalmente na internet, por acaso, quando ele ainda morava em Salvador, e virei fã de carteirinha, de ir para todos os shows. Ele veio para São Paulo, eu vim em seguida e já assisti "n" shows dele. Na minha turnê da Natura, na qual eu passei por várias cidades do Brasil, convidei Tiganá para cantar comigo uma canção em Salvador e ele aceitou. É uma figura muito querida.

The Miseducation of Lauryn Hill (1998), Lauryn Hill
Em uma faixa: "Zyon"

É uma grande inspiração para o disco que eu vou lançar: esse olhar para o amor a partir de uma mulher negra. Sobre a sua própria experiência de amar, ser amada, desamar, isso está muito presente nesse disco. Ouvi infinitas vezes, tive a oportunidade de ver o show dela aqui em São Paulo.

Cantora lança seu primeiro trabalho em seis anos e, em entrevista exclusiva, fala sobre o pai, João Gilberto, envelhecimento, moda, Novos Baianos e Billie Eilish.



A cantora, que comanda sua própria rádio nas madrugadas da quarentena, lança Mundo Novo esta semana e divide as músicas que escutou enquanto criava o álbum em uma playlist feita especialmente para ELLE.

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