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A primeira vez que Ney Matogrosso ouviu Duda Brack foi em 2015. À época, o baterista e produtor musical Charles Gavin queria fazer um show em homenagem ao Secos & Molhados e convidou a cantora gaúcha para ser vocalista. Batizado de Primavera nos Dentes, o projeto cresceu e virou disco. Ney ouviu, gostou, foi à apresentação da banda e gostou mais ainda. "Ela cantava sucessos meus de uma forma só dela" diz ele sobre Duda. Tempos depois, quando descobriu que ela em fase de pré-produção de um novo disco não exitou e a convidou para fazer parte de seu selo musical, Matogrosso.

"Foi quando começamos a nos aproximar", diz a cantora, instrumentistas e atriz. "Comecei a ir à casa dele, tomar café juntos, conversar sobre todos os assuntos do mundo e mostrar as músicas que estava fazendo". Ney sempre esteve entre suas principais referências e não só musicais. "Me identifico muito como performer, na maneira como ele traz o elemento do figurino, do corpo", explica ela.

A relação entre os dois ficou tão próxima que acaba de ganhar uma versão ficcional. O quase. Nesta quarta-feira (04.11), Duda lança seu novo single "Toma Essa", e o videcolipe, em linguagem de curta-metragem, traz a cantora e Ney contracenando em uma relação de apoio, mentoria, cuidado e acolhimento não muito diferente da que existe atrás das câmeras.

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O filme é o segundo episódio da série "Uma Saga de Duda Brack", projeto híbrido de música e dramaturgia, construído a partir da narrativa do seu próximo álbum, com lançamento está previsto para 2021. Nele, Duda vive uma performer atormentada pelo ex, vivido por Gabriel Leone. Ney é o dono da boate em que ela se apresenta e espécie de figura protetora. Através dança, ele consegue ajudar sua pupila a expulsar o "boy-lixo" de sua vida.

Tudo isso ganha corpo e brilho por meio do figurino – parte dele vindo do próprio acervo de Matogrosso.

Pensado dentro da lógica de uma curta metragem, o figurino de "Toma Essa" foi criado por Luiz Wachelke, Gustavo Souza, Ana Campos e Igor Urban. "Ana assinou o figurino da Duda e ficou responsável pela direção geral e de arte", conta Luiz. "Eu fui chamado para coordenar os demais figurinos: do Ney, do elenco principal e amarrar o conceito da figuração", continua ele, que dividiu a missão de produção e styling com o Gustavo e Igor.

"Desde a etapa do roteiro, a Ana já tinha uma ideia muito clara do figurino da Duda, mas a gente sabia que, a partir da chegada do Ney, as coisas ganhariam outra proporção", explica Luiz. E ganharam.

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O processo começou protocolar: reuniões de brainstorm, apresentação de cartela de cores, propostas de figurinos. Foi um processo de troca bastante aberto e colaborativo. "Tanto que Ney abriu literalmente seu guarda-roupa", brinca Luiz. Em uma das reuniões, o artista sugeriu que alguns de seus figurinos fossem usados em novas composições. Eram looks icônicos como o usado no show de abertura do Rock in Rio, em 1985.

Foto: Lívia Rodrigues (@solmostarda)

"Entrar naquele acervo foi como entrar um parque de diversões para figurinistas" diz Luiz. "Já fiz inúmeros moodboards em que havia ali uma imagem do Secos & Molhados. Foi muito interessante pegar aquelas referências e aplicá-las em uma nova narrativa."

A partir daí, foi necessário entender como aquelas peças podiam colaborar com a direção de arte e roteiro. "Mais do que usar a estética dele como referência, usamos o seu figurino como orientação para os demais." Melhor exemplo são os brilhos que compõem a cena final do filme. Ney e Duda vestem tons de pratas mais claros, enquanto os bailarinos reluzem numa tonalidade mais escura, permitindo o destaque dos protagonistas.

É interessante também notar como a estética de Ney Matogrosso inspirou os demais figurinos do clipe, construídos com peças de estilistas contemporâneos. "O look da Duda, por exemplo é da marca Santa Maria, conhecida pelos bodies luxuosos e reveladores. Os dançarinos que vestem peças de cristal do Eduardo Caires", diz o figurinista. De certa maneira, os looks reproduzem a relação geracional de influência e colaboração mútua entre Duda e Ney. "Criadores contemporâneos e peças histórias. Todos brilhantes", finaliza Luiz.

Conversamos com a cantora e compositora carioca sobre o processo por trás do recém-lançado clipe de "Abalos Sísmicos" que conta com intervenções gráficas e ilustrações originais de onze artistas.



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