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Transgredir significa quebrar fronteiras e ir além, e é exatamente essa a proposta do reality show Born to Fashion, que estreia nessa quinta-feira (13), às 22h, no canal E!. A modelo internacional e angel da Victoria's Secret Laís Ribeiro comandará a atração que reunirá dez modelos transexuais em busca do sonho de se tornar a nova cara do Brasil. Além de Laís, o programa contará com um grupo de especialistas formado pela atriz, cantora e roteirista Alice Marcone, pelo maquiador André Veloso e pela estilista Lila Colzani. O time vai dar dicas e avaliar a evolução das participantes ao longo da competição (na foto que abre a matéria, da esq. para a dir.: Alice, André, Laís e Lila).

Born to Fashion, primeiro programa brasileiro que conta apenas com candidatas transexuais, foi produzido pela Delicatessen Filmes e dirigido por Fabio Delai. Ao longo dos dez episódios do reality, as modelos ficarão na mesma casa e competirão pela assinatura de um contrato de um ano com a agência JOY Model e a oportunidade de estampar a capa digital de uma revista de moda.

Para Delai, a principal dificuldade da equipe foi produzir um conteúdo informativo, que mostrasse a situação de vulnerabilidade da população de transexuais no Brasil, mas sem perder o caráter de entretenimento de um reality show. "A imagem de transexuais já é superdistorcida pela sociedade, precisávamos ajudar a desmistificar os estereótipos e falar com pessoas que não entendem essa realidade, que têm algum tipo de preconceito", afirmou.

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Portanto, além de toda a inserção no mundo da moda, com atividades como fashion film, teste de fotos, aulas de atuação e passarela, o programa tem o objetivo de humanizar as modelos trans de uma forma que sua existência seja naturalizada e a transfobia combatida.

A atração se apoia em dois eixos: o das atividades e o das histórias pessoais das participantes. Ao longo do programa, os episódios irão mesclar as vivências com atividades de modelo.

Alice Marcone, que também é uma mulher transexual, acredita que a mescla no formato do reality será muito importante para educar de uma maneira leve e divertida. "O programa vai ser transformador no sentido de humanizar muito as meninas e trazer a história de vida delas. Trazer muito a luta e a força delas, a violência que sofremos, e mostrar como é necessária e urgente a transformação do mercado e a inclusão dessas meninas."

Ela também destacou a importância do programa para combater o preconceito no meio da moda e mostrar as meninas como realmente são, preservando a pluralidade. "No começo eu tinha medo de que o programa fosse exigir modelos que se parecessem com uma mulher cisgênera. Essa é uma exigência do mercado da moda e que acabou me afastando dele", relata. "Uma vez, quando entrei em uma agência, o entrevistador me disse depois de ler minha ficha 'nossa, não sabia que você era trans, adorei você por causa disso e vamos te colocar no casting'". Ou seja, de certa forma, uma mulher transexual serve para o mundo da moda desde que não se pareça uma mulher transexual." Alice se disse feliz pelo programa ter o cuidado de desconstruir essa imagem.

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Por trás das câmeras, a produção também teve a preocupação de construir uma equipe plural e diversificada. Além das modelos, que são as estrelas do programa, profissionais transgêneros também fizeram parte dos departamentos de câmera, maquiagem e roteiro.

Uma grande diferença do programa em relação a maioria dos reality shows é que Born to Fashion não tem eliminações. A produção optou por essa dinâmica devido a toda carga emocional que as modelos já carregam pela exclusão que sofrem por parte da sociedade. A equipe, portanto, focou em produzir um reality de qualificação, mas sem a exclusão do programa, com todas as participantes chegando até a final no último episódio.

Além do time de especialistas, a atração também contará com a participação de nomes como o estilista Alexandre Herchcovitch, a cantora Danna Lisboa, modelo Valentina Sampaio e a jornalista Patrícia Carta. Herchcovitch, por sinal, vai ser presença recorrente, com aparições em mais de um episódio.

Diante de todo o contexto social do Brasil, a visibilidade e representatividade do programa se mostram extremamente essenciais. Dados do projeto Trans Murder Monitoring (TMM) mostram que desde 2010 o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. Além disso, um relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) mostra que no primeiro semestre de 2020 foram 89 assassinatos de pessoas transexuais no Brasil, um aumento de 39% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Se falarmos do mercado de trabalho, os dados também não são positivos para pessoas transexuais no país. Um levantamento feito pela ANTRA mostrou que apenas 4% da população de mulheres transexuais possuem um emprego formal.

Para Laís Ribeiro, o que falta são oportunidade para mulheres transexuais. "Não faltam talentos e mulheres maravilhosas. Nosso intuito é justamente combater o preconceito que existe estruturalmente, através de uma produção que mostra de forma muito clara os talentos incríveis dessas mulheres, tratando o tema de forma didática e respeitosa, e abrindo assim mais oportunidades de trabalho para todas".

A modelo também afirmou que as histórias de superação das meninas transexuais ficarão marcadas para sempre em sua vida e se tornaram uma grande inspiração – tanto para elas quanto para as pessoas que assistirem ao programa.


A gente sabia que seria bom, mas não imaginava que ia ser TÃO BOM. Com escolhidos do Rio Grande do Sul ao Pará, dos 18 aos 75 anos, o open casting que marca a volta da ELLE está apenas maravilhoso.


Sim, e não só! É de lésbicas, bissexuais, transsexuais, travestis… No episódio #6 do Pivô, a importância de toda a população LGBTQIA+ na história desta indústria.


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