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Fotos: Getty Images
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Há poucas semanas, Jonathan Anderson enviou para clientes, compradores e imprensa um calendário para apresentar o verão 2022 de sua JW Anderson. Era uma espécie de paródia da famosa folhinha feita pela Pirelli, com modelos seminuas ou em poses à la pin-up. Com fotos de Juergen Teller, a ideia era tentar algo diferente de um desfile tradicional. Apesar da liberação para esse tipo de evento, o estilista disse que não via muito sentido em voltar ao status quo, como se nada fosse.

Nesta sexta-feira (01.10), na arena equestre do La Garde Républicaine, em Paris, Anderson voltou à passarela, agora na Loewe, marca espanhola da qual também é diretor de criação, mas não sem propor algumas mudanças. Aqui, a ruptura vem na própria roupa.

Pense num vestido com uma estrutura retangular protuberante na região da cintura. Ou num tricô com uma espécie de triângulo saindo de um lado só, logo abaixo do peito. Esses volumes são feitos de fios de ferro costurados por debaixo das roupas. Tem ainda placas de metal com desenho sinuoso funcionando quase como uma armadura, volumes arredondados no quadril ou nos seios, trench coats e jaquetas jeans vestidas ao contrário, sandálias com esmaltes, ovos quebrados e rosas como saltos e pulseiras que viram bolsas.

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É verdade que o estudo de formas e sua relação com o corpo humano que Anderson propõe nesta coleção lembra muito o trabalho de Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, de quem o estilista é fã confesso. Há ainda vestígios de Martin Margiela na desconstrução e reconstrução de algumas peças. Porém, segundo o próprio diretor de criação, sua maior inspiração foi o pintor Jacopo de Pontormo.

Nascido em 1494, na Itália, Pontormo (ou Jacomo Carucci, como também é conhecido) ficou famoso ao romper com o classicismo e harmonia da escola Renascentista. Suas obras eram frequentemente marcadas por um jogo de perspectiva ambíguo, como se seus personagens estivessem suspensos ou flutuando em outro plano. Uma de suas pinturas mais celebradas, no altar da igreja de San Michele Visdomini, na Florença, reflete uma agitação emocional completamente nova para os padrões da época. Alguns historiadores a descrevem até como neurótica.


Anderson, por sua vez, disse que seu verão 2022 é "neurótico, psicodélico e completamente histérico". Qualquer relação com nosso estado de espírito depois de mais de um ano em pandemia não é mera coincidência. E mesmo assim, ainda é preferível do que a mesmice de sempre. Por mais complexo ou incerto que seja, é uma forma de reconhecer que algo mudou e que os moldes e funcionamentos antigos, talvez se mostrem um tanto deslocados da realidade.

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E para além das loucurinhas que enchem os olhos de quem gosta de desfiles com sustância, há também looks usáveis e que devem ser sucesso de vendas, como os vestidos fluídos recortados, as peças feitas a partir de junções de vários quadrados de tecidos e os slip dresses de paetês com babados, com fenda-buraco na perna. A união perfeita entre uma pesquisa de modelagem de moda e uma coleção vendável que agrada quem quer comprar uma peça de uma das coleções mais importantes da temporada. Se depender de Anderson, as coisas nunca mais serão as mesmas. Esse sim é o verdadeiro retorno da passarela.

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