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O século 20 assistiu ao nascimento de alguns dos acessórios mais icônicos da moda. Nos ateliês da Hermès, surgiram a Kelly e a Birkin, bolsas queridinhas da Princesa Grace de Mônaco e da atriz francesa Jane Birkin respectivamente. Nos anos 1970, a ex-primeira-dama americana Jackie Kennedy se apaixonou por uma criação da Gucci, depois rebatizada com o seu nome (a Jackie Bag), e o mesmo sentimento tomou conta da Princesa Diana, em 1995, quando ela colocou nos braços pela primeira vez aquela que viria a ser a bolsa Lady Dior.

No momento do encontro, Paris vivia as homenagens ao centenário de morte do pintor impressionista Paul Cezanne. Para a inauguração da exposição sobre o artista (a primeira desde 1936), no Grand Palais, em 25 de setembro de 1995, Diana recebeu uma bolsa como presente da primeira-dama francesa, Bernadette Chirac – uma novidade dos ateliês Dior.

Desde 1989, a maison era comandada pelo estilista italiano Gianfranco Ferré, o primeiro estrangeiro a assumir a direção da casa, sucedendo Marc Bohan. Antecipando a exposição em dois meses, Ferré prestou tributo a Cezanne em forma de vestidos para a temporada de alta-costura do inverno de 1996. Intitulada Arlequin 1880 – 1890, em referência à uma das pinturas do artista, a coleção reverenciava tanto Cezanne quanto a própria tradição do ateliê, já que o próprio Christian Dior se inspirou em mestres da arte, como Vermeer e Watteau, décadas ante.

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Modelo com look Dior em 1948, cercada por cadeiras em estilo Napoleon III. Modelo com look Dior em 1948, cercada por cadeiras em estilo Napoleon III.Foto: ASSOCIATION WILLY

Outro elemento em memória ao fundador da casa seriam os pingentes metálicos com as letras D, I, O e R, aludindo ao seu lado supersticioso.

Desse contexto de homenagens, nasceu a Lady Dior, inicialmente batizada de Chouchou, palavra francesa para se referir a algo ou alguém particularmente querido.

Ainda que a bolsa não tivesse ligações explícitas com Cezanne, a nostalgia de Ferré revela detalhes sobre seu estilo artístico. O matelassê, que marca o design clássico do acessório, é remanescente dos assentos de palha trançada (cannage) das cadeiras em estilo Napoleão III, que decoravam os salões dos ateliês Dior na Avenue Montaigne desde 1947. Instaladas pelo decorador Victor Grandpierre, essas cadeiras evocavam o Segundo Império Francês (1852 – 1871), período em que Cezanne deu seus primeiros passos como artista.

Se inspirar nesses elementos foi, entretanto, uma escolha inusitada para o costureiro italiano. Em seu tempo, Christian Dior desviava os convidados menos ilustres para assistir seus desfiles nesses assentos, enquanto figuras mais importantes eram acomodadas em sofás no estilo Luís XV, mais confortáveis e luxuosos.

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Foto: Getty Images

A princesa Diana em visita ao Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirugia, na Inglaterra.


Quaisquer que fossem as dualidades, combinavam com a figura de Diana, que desde 1992 estava separada do príncipe Charles, mas continuava a cumprir seus compromissos oficiais como princesa. Em setembro de 1995, um ano antes do divórcio, ela viajou para Paris sozinha para a inauguração da tal exposição no Grand Palais. Seu par para ocasião foi a Chouchou.

A paixão pelo acessório foi imediata. Tanto que a princesa encomendou todas as versões existentes do modelo na época. Nos dois anos seguintes, ela foi fotografada diversas vezes com a bolsa, incluindo poucas semanas depois da viagem a Paris, durante uma visita a um centro de educação para pessoas com dificuldades motoras em Birmingham, na Inglaterra.

As imagens publicadas deram início ao frenesi fashion ao redor do acessório, que se esgotou em poucas horas das prateleiras da Harrods. No ano seguinte, em 1996, foram vendidos 140 mil exemplares do item, já rebatizado como Lady Dior, em referência à Lady Di.

Ainda em 1995, mais especificamente em novembro, Diana usou a bolsa com um conjunto Versace laranja e, no mesmo mês, escolheu levá-la em uma viagem oficial para a Argentina. No ano seguinte, em outubro, ela surgiu com o acessório em uma visita ao London Lighthouse, um centro para pessoas com HIV/AIDS em Londres. Em dezembro, no MET Gala de 1996, dedicado à obra de Christian Dior, combinou o acessório com um vestido azul marinho desenhado por John Galliano, que sucedeu a Gianfranco Ferré na direção do ateliê mais cedo naquele ano.

Em março de 1997, Diana usou uma variação da bolsa, sem o tradicional matelassê, para comparecer ao memorial do fotógrafo Terence Donovan. Uma das últimas aparições de Diana com a Lady Dior aconteceu pouco depois, em abril daquele ano, quatro meses antes de sua morte.

Com menos de 2 anos completos, a relação da princesa com a criação dos ateliês Dior foi intensa. Internacionalmente amada e aclamada, Diana concedeu ao acessório a mesma aura de classe, consagrando a Lady Dior como uma das peças mais icônicas da moda.

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