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A primeira coisa que chama atenção no filme que o diretor Luca Guadagnino dirigiu para apresentar o inverno 2021 de alta-costura da Fendi é o casting de supermodelos: Amber Valletta, Christy Turlington e Kate Moss. A segunda são as texturas e detalhes: mosaicos de pequenos recortes de peles vintage reaproveitadas, desenhos orgânicos feitos de couro no mesmo esquema de upcyling e todo um efeito de drapeados, dobraduras e pregas inspirados em esculturas romanas.

É que Roma, sede da Fendi e cidade natal de suas fundadoras, foi o ponto de partida desta estação. Daí a cartela de cores em tons neutros, em referência às construções de mármore e pedra da capital. Outra inspiração foram os filmes neo realistas do cineasta, escritor e poeta italiano Pier Paolo Pasolini. "Roma é uma cidade fascinante, porque tem muitos passados. E eu me senti atraído por Pasolini, pois sempre me inspirei na sua visão de mundo", explica o diretor criativo Kim Jones.


Esta é apenas a segunda coleção de alta-costura do estilista britânico, e uma bem mais focada no trabalho manual e de superfícies. Um bom exemplo do que estamos falando é que inexistem opções para o dia, apenas para o deslumbre das festas mais exclusivas e exuberantes. A atenção ao tecido, aos detalhes e à riqueza de materiais faz sentido, ainda mais numa temporada em que a alta-costura parece retomar sua essência de excelência técnica, mas não se sustenta por si só.

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"Pasolini observou Roma ficar moderna e isso é o que me interessa: conectar eras, o antigo com o novo, passado com o presente", escreve Kim Jones. Acontece que essa dinâmica é… Bem, dinâmica. O apego às técnicas artesanais, aos detalhes onipresentes deixa tudo um tanto rígido, quase como as próprias estátuas de mármores que inspiram parte da coleção. A alta-costura é exclusiva, exclusivíssima até, mas isso não quer dizer que ela precise existir num vácuo, principalmente em um puramente técnico.

Pasolini, aliás, é um bom exemplo disso, da necessidade de se respirar outros ares e permitir trocas de todos os tipos. A capital italiana foi central para a sua formação e visão. Porém, sua Roma não se limitava às grandiosidades dos templos do império ou de sua arquitetura. O realismo de sua obra estava justamente na exploração e exposição de partes, estilos e pessoas da cidade pouco conhecidos. Os subúrbios, a contradição entre o sagrado e o profano, riqueza e pobreza, sonho e realidade.

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