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Flávia Aranha não foi escolhida à toa para encerrar a 51ª São Paulo Fashion Week. A estilista fala sobre regeneração, tema desta edição do evento, muito antes do tema ser pauta. "Agora, o mercado inteiro está falando disso e, na verdade, fico até um pouco preocupada. Para gente, esse compromisso sempre foi visceral", diz ela em conversa com a ELLE. Se hoje, existem caminhos um pouco mais claros acerca de moda sustentável, há mais de uma década, não era bem assim. "Tivemos que construir a nossa rede, ir atrás de pessoas que realmente se importam com isso", conta.

Para além de projetos sazonais e discursos vazios, como os que algumas marcas vem caindo nos últimos tempos, a paulista se esforça para que, genuinamente, cada um de seus produtos colabore com a solução de problemas socioambientais e gere um impacto positivo em todo o ecossistema, seja na agricultura, nos trabalhadores e até no consumidor final. "A gente vê a Amazônia queimando, enquanto todas as empresas dizem ser sustentáveis", comenta.


Durante o último ano, a marca decidiu acumular os seus resíduos, antes destinados ao Banco de Tecidos. "Não conseguíamos passar pela porta do nosso galpão. Eram sacos e mais sacos de retalhos", relata a estilista. Flávia conta que essa foi a primeira vez em que ela teve a real dimensão da quantidade de lixo gerada por uma marca. "Sendo que na pandemia, a gente ainda produziu menos", destaca ela. Os quase 500kg acumulados foram reaproveitados, em sua maioria, através da técnica de patchworking.

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Conhecida pelo design liso e de superfícies inteiras, a ideia de recortes é um código novo para a linguagem da estilista. "Gostei de ver a marca nesse lugar. Juntar pedaços é juntar memórias. Tem algo de singelo nisso", comenta. No entanto, dar um novo sentido às coisas é uma intenção antiga de Flávia e, nesta coleção, as cores foram desenvolvidas a partir de uma lista extensa de sobras de alimentos de suas refeições, que inclui casca de cebola, semente de abacate e caldo de arroz negro. Já o trabalho manual, feito em parceria com artesãs de Muquém, no interior de Minas Gerais, enquanto a tapeçaria veio de Lagoa do Carro, em Pernambuco, e os chinelos foram produzidos pela Associação de Mulheres Artesãs de Guapiara Arte Vida, da rede Artesol.

Para o vídeo de apresentação, a paulista partiu de suas reflexões a respeito do sopro, durante a pandemia. Flávia conta que, por um momento, teve o privilégio de passar seus dias trabalhando enquanto olhava para o céu e, através da ideia abstrata entre espiritualidade, natureza e existência humana, nasceu a coleção. "Nesse momento tão distópico em que estamos vivendo, com a não gestão de Bolsonaro e com as 500 mil mortes, quero lembrar que estar no mundo é ser o mundo", finaliza.

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Flávia Aranha na SPFW51

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