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  • Formada em artes e literatura, Rei Kawakubo começou a criar roupas para suprir demandas do seu trabalho de produção em sessões de foto.
  • Autodidata, decidiu atuar como estilista freelancer em 1967 e dois anos depois criou o selo Comme Des Garçons.
  • Em 1975, abriu sua primeira loja em Tokyo e, em 1981, fez seu primeiro desfile em Paris.
  • Apesar de chocar a crítica, seus designes sempre fizeram sucesso com público interessado em autenticidade.
  • Em 2004, abriu sua primeira loja de guerrilha, estreando o conceito de pop-up store.
  • Acompanhe a sua trajetória a seguir.

A origem de Rei Kawakubo

Conhecida por seus designs de roupa vanguardistas, Rei Kawakubo nasceu em 11 de outubro de 1942, em Tóquio. Mais velha de três irmãos, se formou em Literatura e Artes plásticas na Universidade de Keio, onde seu pai trabalhava.

Sua mãe foi um grande modelo feminino em sua vida. Para se ter ideia, ela se separou do marido quando foi proibida de trabalhar fora. Seguindo esse exemplo de independência, saiu de casa assim que se formou e assumiu um cargo na fabricante de tecidos de fibra acrílica Asahi Kasei em 1964.

Kawakubo tinha bastante liberdade criativa em seu trabalho. Uma de suas tarefas era coletar adereços e fantasias para sessões de fotos. Quando não conseguia encontrar o que precisava, acabava criando – e foi assim que ela deu seus primeiros passos como designer de moda.

Autodidata, começou a atuar como estilista freelancer em 1967. Levou apenas mais dois anos para que começasse a vender seus desenhos para lojas de Tóquio sob selo próprio. E foi assim, que em 1969, nascia a Comme Des Garçons.

O início da Comme des Garçons

A assimetria e o visual destroyed se tornaram assinaturas de Rei Kawakubo nos anos 1980

A assimetria e o visual destroyed se tornaram assinaturas de Rei Kawakubo nos anos 1980

Foto: Daniel Simon / Getty Images

Com a proposta de oferecer às mulheres roupas projetadas para mobilidade e conforto, como as masculinas – por isso o nome em francês que significa "como meninos" –, seus designs foram ganhando popularidade entre os consumidores japoneses. Então, em 1973, Rei Kawakubo incorporou a etiqueta e em 1975 abriu sua primeira butique em Tóquio.

A marca foi crescendo e a estilista começou a assinar acordos para abrir franquias. Já no começo da década de 1980, com 80 empregados no escritório de Tóquio e presença em 150 lojas multimarcas, a Comme des Garçons vendia 30 milhões de dólares por ano.

Ainda no final da década de 1970, embarcou em um relacionamento profissional e amoroso com o também designer japonês Yohji Yamamoto. Ele também gostava de desafiar as percepções do que era considerado belo para as mulheres. Estrearam no mesmo ano na Semana de Moda de Paris e chocaram a crítica.

Era 1981 e Kawakubo apresentou uma coleção cheia de assimetria, volume e quase toda preta. Ficou apelidada de “Hiroshima chic” e “pós-atômico”. Por seu estilo não se encaixar na percepção da indústria sobre o que as mulheres queriam, suas roupas às vezes eram – e seguem sendo – descritas como antimoda. Mesmo assim, conquistou muitos consumidores que buscavam originalidade e conforto para além dos padrões.

No ano seguinte, inaugurou a sua primeira loja em Paris. Em 1983, foi a vez dos Estados Unidos receber um espaço da Comme des Garçons, no terceiro andar da Henri Bendel, uma loja de departamentos de luxo na cidade de Nova York.

A predominância do preto e os tecidos propositalmente danificados (drapeados, desfiados, com bordas ásperas e formas assimétricas) tornaram-se sua assinatura nos anos 1980. O branco e o cinza também tinham espaço na sua paleta de cores, que só foi ampliada mais para o final da década.

Kawakubo e a Comme des Garçons nos anos 1990

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Como de costume, a primeira fragrância da Comme des Garçons revolucionou no frasco

Foto: Divulgação

Nos anos 1990, a marca expandiu internacionalmente e ampliou seu portfólio. A sua primeira fragrância foi lançada em 1994. Unissex e com um frasco revolucionário, foi desenvolvida pelo perfumista Mark Buxton com aroma chipre.

Quatro anos depois, a Comme des Garçons surpreendeu ao apresentar o Odeur 53, chamado por muitos de anti-perfume. Ele carrega 53 notas que não costumam ser usadas nesse universo, incluindo oxigênio, borracha queimada, pedra incandescente, celulose e ar puro das montanhas. Hoje em dia, seu catálogo de fragrâncias é bastante vasto.

Em 1996, Kawakubo foi editora convidada da 20ª edição da revista Visionaire, focada em arte, moda, cinema e cultura contemporânea. A loja conceito londrina LN-CC (Late Night Chameleon Cafe) chegou a reimprimir a revista e colocar a venda em 2013. O preço? 850 libras. Isso fazia parte de uma coletânea de fotografias, ilustrações e colagens que marcaram a história da Comme des Garçons.

Voltando aos designs não convencionais, muitas vezes eles eram tão abstratos que eram praticamente inutilizáveis. Símbolo disso é a coleção Dress Meets Body, Body Meets Dress, apresentada na primavera-verão 1997. O destaque eram peças com pedaços de estofamento posicionados em lugares inusitados, que deformavam a forma feminina, como nas costas, formando uma corcunda. Por isso, foi apelidada de "Quasimodo", em referência ao protagonista do livro Notre-Dame de Paris, além de "caroços e inchaços" e "tumor".

Criadora das pop-up stores

Kawakubo é responsável pelo conceito de pop-up store. A ideia foi criada junto com Adrian Joffe, seu marido e CEO da Comme des Garçons. A primeira foi inaugurada em 2004 em Berlim e era chamava originalmente de "loja de guerrilha", pelo clima que imperava. A ideia consistia em montar um espaço investindo o mínimo de dinheiro possível na decoração interior para durar no máximo um ano.

Fez tanto sucesso que, em seguida, foram abertas unidades em Varsóvia, Helsinque, Singapura, Estocolmo, Atenas, Beirute, Los Angeles, dentre outras cidades. Não demorou para que outras marcas começassem a copiar essa iniciativa – focando principalmente na duração curta e menos na decoração barata – até que ela fosse definitivamente absorvida pela cultura mainstream, fazendo com que a Comme des Garçons parasse de criar suas lojas de guerrilha em 2008.

Dover Street Market

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A fachada do Dover Street Market em Londres

Foto: View Pictures / Getty Images

Kawakubo e Joffe também criaram uma meca da alta moda em Londres chamada Dover Street Market (DMS). A inspiração foi o agora extinto Kensington Market, que entre os anos 1960 e 2000 foi um polo de moda alternativa londrino frequentado por subculturas como hippies, punks, metaleiros, clubbers e góticos.

O DMS foi aberto em 2004, quatro anos após o Kensington Market ser fechado e demolido. Kawakubo convidou uma seleção de designers internacionais, entre nomes já estabelecidos e em ascensão, para exibir e vender suas coleções como bem entendessem. Ela mesma definiu o resultado disso como um "belo caos". Instalações de arte também ocupavam o espaço.

Atualmente, também existem unidades do DSM em Nova York, Tokyo, Singapura, Pequim e Los Angeles, sempre em endereços improváveis. Algumas das etiquetas de alta-costura e de street style que compõem a curadoria, além da Comme des Garçons obviamente, são:

  • Balenciaga
  • Burberry
  • Céline
  • Gucci
  • Maison Margiela
  • Nike
  • Raf Simons
  • Valentino
  • Vans
  • Common Projects
  • Supreme

Lenda viva

Ao lado de Yohji Yamamoto e Issey Miyake, Kawakubo é considerada uma das principais designers do Japão, contribuindo, inclusive, para definir o que o mundo entende como moda japonesa. Em 1993, foi homenageada pelo governo francês como Cavaleiro na Ordem das Artes e das Letras.

Ela é indiscutivelmente uma das maiores designers do século 20. Sempre na vanguarda, vem desde os anos 1980 estimulando seus colegas a pensar para além da zona de conforto e dos padrões estabelecidos e a buscar sua autenticidade.

Para se ter uma ideia, foi a segunda estilista viva a ganhar uma exposição no Instituto do Museu Metropolitano de Arte. O ano era 2017, paralelamente, o MET Gala também homenageou Kawakubo e seu trabalho na Comme des Garçons. Sob o título de Art of the In-Between, a mostra contou com 120 criações da etiqueta, incluindo de itens do seu primeiro desfile na Semana de Moda de Paris até os mais recentes.

Mesmo agora, 79 anos e com 55 anos de carreira, Kawakubo segue surpreendendo e provocando. Em um de seus releases mais recentes disse que está interessada em dissonância porque acredita que coisas boas podem vir daí, algo curioso, inesperado, algo que seja novo e que possa nos levar para o próximo passo. E nesse ritmo ela vai criando, sempre alguns passos à frente do esperado.

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