Moda

​A trajetória de Riccardo Tisci, da reinvenção da Givenchy à Burberry

O designer italiano é conhecido por ter reacendido o interesse pela casa francesa de luxo. A união de alta-costura com streetwear, que hoje imprime na grife inglesa, é uma de suas assinaturas.

Foto: Anthony Ghnassia / Getty Images
  • Ricardo Tisci cresceu em uma casa com oito irmãs, comandada por sua mãe.
  • Aos 17 anos, recebeu uma bolsa para estudar moda na Central Saint Martins College of Art and Design, em Londres.
  • Chegou a montar sua própria marca em 2004, mas, um ano depois, assumiu a direção criativa da Givenchy.
  • Foram 12 anos comandando a grife francesa. Em 2018, foi para a Burberry.
  • Entenda sua trajetória a seguir.

A origem de Riccardo Tisci

O estilista Riccardo Tisci nasceu em Taranto, no sul da Itália, em 1974. Cresceu ao lado de oito irmãs, sendo o único filho homem. Sua mãe, Elmerinda Tisci, criou-lhes sozinha –o pai morreu quando ele tinha 4 anos. A situação financeira da família era tão apertada que, pequeno, Tisci usava roupas rosas de segunda mão, herdadas das irmãs, para ir à escola. Essa forte presença feminina nos seus primeiros anos de vida acabou refletindo bastante em seus trabalhos.

Aos 11, deixou a escola regular para se matricular em uma outra focada em artes, em Milão. Sempre com o apoio de sua família, mudou-se para Londres aos 17 anos após receber uma bolsa para estudar design de moda na Central Saint Martins College of Art and Design, mas retornou à Itália assim que se formou, em 1999.

Seus primeiros trabalhos foram no país natal, incluindo passagens pelas marcas Antonio Berardi, Missoni e Coccapani, além de assinar uma colaboração para a Justin Oh e a Puma. Depois, embarcou em um contrato de três anos com a Ruffo Research –empresa que gostava de contratar jovens designers e iniciou a carreira de muitos estilistas.

O começo de Riccardo Tisci na Givenchy

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O primeiro desfile de Riccardo Tisci para a Givenchy foi em 2005

Foto: FRANCOIS GUILLOT / Givenchy

Com experiência em vários lugares, em 2004, Riccardo Tisci fundou sua marca homônima. A primeira coleção foi apresentada em Milão para a temporada de outono-inverno 2006. Seu plano era realmente focar nela, mas sua vida acabou tomando rumos inesperados após um convite da Givenchy para assumir a direção criativa.

Ele pensou em recusar, mas descobriu que sua mãe estava vendendo a casa por problemas familiares e acabou topando o desafio. O salário generoso foi fundamental na decisão, mas é claro que comandar a casa de alta-costura francesa também mexeu com suas ambições.

Ao ser nomeado, em fevereiro de 2005, substituindo Julien Macdonald, disse estar muito feliz em colaborar com a prestigiada etiqueta, cuja história o inspirava. Comandando também as linhas de prêt-à-porter e acessórios da Givenchy, confessou em entrevistas que seu maior desafio foi a de alta-costura, chegando a ficar bastante assustado quando assumiu a responsabilidade.

Mesmo assim, brilhou. Enquanto muitos dos designers que sucederam Hubert de Givenchy nessa posição deixaram a desejar, Tisci rapidamente obteve sucesso em todas as esferas, arrancando aplausos principalmente nas apresentações de alta-costura. Em apenas dois anos, ampliou consideravelmente a base de clientes e revitalizou os negócios da casa.

Riccardo Tisci e as celebridades

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Lea T e Riccardo Tisci são amigos de longa data

Foto: Michel Dufour / Getty Images

Em 2008, criou figurinos para Madonna usar na turnê Sticky and Sweet. No ano seguinte, fez a roupa do single Candy Shop, além de desenhar peças exclusivas para a estrela pop usar também fora dos palcos. Os looks do Super Bowl de 2012 também foram feitos por ele. Em 2013, foi a vez de Rihanna ter figurinos assinados por Tisci para a sua turnê mundial Diamond.

Rebuliço mesmo ele fez quando colocou Lea T para desfilar em 2010. Era a primeira vez que uma modelo trans atravessava a passarela. A brasileira era amiga pessoal do estilista e havia sido sua assistente pessoal anos antes. Até hoje os dois seguem fazendo colaborações.

Tisci também atuou em outro projetos para além das suas funções de estilista. Em 2008, foi convidado para fazer uma curadoria para a oitava edição da revista italiana Anna. Em 2011, foi editor da revista Visionaire em uma edição sobre religião.

Ele ainda fez a capa do single HAM e do álbum Watch The Throne, parcerias de Kanye West e Jay-Z, em 2011. Além da colaboração artística, os rappers eram clientes fieis. Marina Abramovic, Beyoncé, Cate Blanchett e Meryl Streep também fazem parte de seu squad, assim como Kim Kardashain, que teve seu vestido de noiva desenhado por ele em 2014. À época, a peça foi avaliada em 500 mil dólares.

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Kim Kardashian é uma das musas de Riccardo Tisci

Foto: Julien Hekimian / Getty Images

A saída de Riccardo Tisci da Givenchy

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A última coleção de Tisci para Givenchy foi apresentada em janeiro de 2017 em Paris

Foto: Stephane Cardinale - Corbis / Getty Images

Responsável por reacender o interesse na Givenchy, Riccardo Tisci decidiu que era a hora de dizer adeus à casa francesa em 2017. Sob seu comando, a etiqueta ganhou uma linguagem contemporânea com forte pegada gótica. O streetwear também foi introduzido, sempre fundido à alta-costura nas apresentações. Com Tisci, a Givenchy conquistou celebridades, ampliou seu público e viu sua receita crescer em até seis vezes.

"O capítulo que Riccardo Tisci escreveu na Givenchy ao longo dos últimos 12 anos representa uma visão incrível que sustenta o seu sucesso contínuo. Gostaria de agradecer calorosamente pela contribuição fundamental para o desenvolvimento da marca", comentou Bernard Arnault, presidente e diretor executivo da LVMH, detentora da etiqueta, em comunicado oficial.

Ao anunciar a saída, Tisci disse que iria focar em seus interesses e paixões pessoais. Mesmo assim, os boatos fortíssimos eram de que ele assumiria a Versace. No entanto, levou pouco mais de um ano para que o italiano assumisse o cargo de diretor criativo da Burberry. Nesse período, aproveitou para descansar, fazer um mochilão pela Costa Rica e aproveitar mais tempo com a família.

Riccardo Tisci na Burberry

Bastou Riccardo Tisci ser anunciado na Burberry para os preços das ações subirem 5%. Um dos primeiros atos foi criar uma nova logomarca –a última havia sido feita 20 anos antes para se desfazer do S de Burberry's – e um novo monograma para a grife britânica. Os desenhos foram feitos em parceria com o designer gráfico Peter Saville, responsável por capas de álbuns clássicos do Joy Division e do New Order.

O monograma é feito com as iniciais do fundador Thomas Burberry entrelaçadas. Uma forma de homenagear o passado e abrir as portas para o futuro, como a própria marca define. O novo logo manteve "Burberry" em letras caixa alta, retirou a serifa e aplicou negrito, com "London England" escrito embaixo. O anterior incluía um cavaleiro por cima do texto e trazia a data de fundação da label, 1856.

Outra mudança que veio antes mesmo do desfile de estreia, foi a decisão de lançar coleções em um modelo de drops, à exemplo da Supreme. Como um gostinho disso, a primeira peça Burberry assinada por Tisci foi lançada separadamente e ficou disponível para venda por apenas 24 horas. Era uma camiseta preta com o monograma TB, na cor branca, estampado no canto esquerdo do peito.

Nos últimos anos, Tisci começou a adaptar a grife para um cenário mais orientado para o vieses sportswear e streetwear –sempre com muito luxo. Também inseriu tintas de elegância e sensualidade às roupas de trabalho. O toque quente do designer italiano na marca britânica gerou ruídos em muitos pontos com os amantes da Burberry do trench coat e do xadrez, mas ele soube experimentar bastante e propor novas possibilidades sem deixar de lado a história da etiqueta.

Boatos agora apontam que ele deve deixar a Burberry em breve... Estaremos por aqui, acompanhando seus passos.

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