Moda

Saiba tudo o que rolou no 4º dia de SPFW

Comentamos os principais destaques das coleções apresentadas neste sábado (07.11).

Foto JÚNIOR SCOZ | Modem

Martins


Apesar de todos os pesares, 2020 tem sido um ano bem produtivo para Tom Martins. Em setembro, ele colocou no ar um novo e-commerce, reformulou todo seu modelo negócio e lançou sua coleção mais recente – parte dela foi apresentada em vídeo na estreia do estilista no SPFW. "Tive muitos pedidos cancelados no começo da pandemia e percebi que não podia depender exclusivamente de multimarcas", disse ele, em entrevista à ELLE, na época do debut do novo site.

Neste ano, a Martins comemora 4 anos e 10 coleções. A data fez Tom olhar para trás e revisitar algumas das peças mais bem-sucedidas de temporadas passadas. Vem daí as formas oversized, a preferência por tecidos encorpados, como sarja, jeans e algodão, e a estamparia, dessa vez em parceria com o Estúdio Pareia. "É difícil falar em comemoração no momento, mas tem um pouco desse clima", diz.

Ca.ce.te


"Partes do corpo falam mais que palavras", canta Liana Padilha, da banda NoPorn, em música usada como trilha para o vídeo de apresentação da Ca.ce.te. A marca mineira tem mesmo uma relação forte com o corpo, o carro-chefe é a roupa íntima e é isso que os designers Raphael Ribeiro e Tiago Carvalho decidiram mostrar nesta edição do SPFW. "Passamos por um período muito delicado, não queríamos desistir, mas é óbvio que isso passou pela cabeça", diz Raphael. "Pensamos no que estávamos fazendo com a marca e o que faríamos daqui para frente. Ficou claro que, para continuar, precisávamos focar no que fazemos melhor", continua ele.

Para o vídeo, com direção de Paulo Raic, o casting foi o ponto de partida. "Nos perguntamos quem seriam as pessoas que vestiriam essas peças", fala Raphael. A resposta veio de amigos e familiares. "Não fazia muito sentido trabalhar com quem não conhecemos e não temos uma vivência." Questão de intimidade, né? Ao todo, são 10 pessoas com corpos e idades diferentes em vários estágios do vestir e despir em ambientes caseiros. "Queríamos mostrar como as pessoas estão vivendo, não sair da nossa realidade", finaliza ele.

Modem


Como muita gente durante os meses de quarentena, André Boffano passou boa parte daqueles dias pensando sobre um tudo – principalmente sobre o próprio trabalho e a relação de sua marca, a Modem, com o tempo. "Sempre existiu essa ideia de uma moda atemporal, com design autoral, produtos de qualidade e que reforce a indústria nacional", comenta o estilista.

A coleção apresentada neste sábado (07.11) é uma espécie de revisão de características, valores e peças essenciais à identidade e ao universo criativo da etiqueta. Quem a acompanha desde o início, vai lembrar das jaquetas de corte geométrico, meio anos 1960, das correntes de argola e das peças de couro com toque macio e construção em linhas retas. Das temporadas mais recentes, tem uma excelente alfaiataria com silhueta alongada, combinada à peças de corte assimétrico ou com texturas plissadas.

A imagem aqui é mais fresca e quase natural, sem a plasticidade e controle quase excessivo de antes. Como o próprio André disse, trata-se de uma abordagem mais real e prática da sua roupa com a cliente – e de sua visão com o mundo atual.

Ão


Os desfiles da Ão no SPFW sempre tiveram algo de performático. Em um deles, por exemplo, as modelos andavam como se suas expressões faciais estivessem congeladas. As roupas acompanhavam o mood, eram construções elaboradas, como os looks de látex que reproduziam o efeito molhado/encerado do make e cabelo. Mesmo antes da passarela, foram os volumes, cores intensas e construções algo estruturadas um dos principais artifícios pelos quais a marca se destacou no mercado.

Nesta temporada, Marina Dalgalarrondo tomou um caminho diferente, pelo menos nas roupas. As formas ficam mais próximas ao corpo e menos experimentais. Se antes os looks eram quase todos monocromáticos, agora aparecem com estampas (assinadas pela Gansho). Outro ponto são os detalhes esportivos, como os zíperes e amarrações (elemento familiar no repertório da designer, mas aqui com outra pegada). A beleza mais densa, algo que sempre se destaca nas apresentações da marca, deixa claro o tipo de pessoa que se interessa pela grife. Não é make de bonita e muito menos uma roupa sem identidade.

Amapô


Dança, performance, música, teatro, festa. Já teve de tudo um pouco – e, às vezes, tudo junto – nos desfiles de Carô Gold e Pitty Taliani, dupla por trás da Amapô. Agora, o movimento do corpo encarna um viés ritualístico, místico, feminino, bem bruxona. Mas, talvez, o que você realmente queira saber é que os jeans pelos quais a marca é famosa estão com cara nova. A coleção é inteiramente feita desse tecido, reciclados e reaproveitado de temporadas passadas, estoque ou fornecedores comprometidos em produzir o denim com mínimo de impacto na natureza. E aí tem de um tudo: calça, saia, jaqueta, hoodie, colete, jardineira, macacão, bermuda, camiseta, top. Algumas das peças foram feitas em parceria com o stylist e amigo Dudu Bertholini. Sobre as modelagens, as skinny e flare, hits do passado, perdem o posto de protagonista para shapes largos que permitem mais fluidez, conforto e toda uma outra relação com várias corpas.

Freiheit


A apresentação pode ser de estreia, mas a coleção é bastante madura. A Freiheit, de Marcio Mota, trabalha com peças básicas (ou quase), construídas em cima do conceito de workwear. Em bom portugês, são os uniformes usados por vários tipos de trabalhadores. "O curioso é pensar como essas roupas acabam sendo um limitante, colocando a funcionalidade acima da personalidade", diz o estilista. A ideia, então, é subverter essa lógica e dar liberdade à roupa prática. Aliás, Freiheit é liberdade em alemão.

Camisetão, bermuda, calça, macacão, parka, top, bota-meia e boné-capuz compõem as novas propostas que se juntam ao repertório de produtos já existentes desde o lançamento da grife, em setembro 2019. A ideia é montar um guarda-roupa completo que vai se aperfeiçoando e se completando ao longo do tempo. As modelagens são aparentemente simples, geométricas e a cartela de cores traz preto, branco, marinho e bege em contraste a tons acesos de amarelo e laranja.

Lino Villaventura


A quarentena, o isolamento e a quase obrigação digital derivada disso tudo tiveram efeito bem particular sobre Lino Villaventura. Seu trabalho é precioso, minucioso ao extremo: tem textura, bordado, costura manual mais toda uma construção e cuidados bastante raros na moda de hoje – na nacional mais ainda. São qualidades, porém, que não funcionam bem em meios virtuais. A atual coleção do estilista explora justamente novos métodos, novas ideias de texturas, tingimentos e bordados em tecidos diferenciados.

Com direção do fotógrafo Miro, as imagens são belíssimas, porém, todo diferencial de Lino fica algo apagado, difícil de ser visualizado. A narração de Ney também emociona, mas não tanto quanto emocionaria numa experiência real em que o movimento da barra do vestido, aquela lapela que abre e fecha sensualmente com o caminhar, podem ser não só vistas, mas sentidas.

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