• Em 2009, o casal Ditte e Nicolaj Reffstrup compraram a marca Ganni de um negócio familiar focado em produzir roupas de cashmere.
  • Com 11 anos de estrada, eles inauguraram o que apelidaram de "Ganni 2.0" e criaram um estilo de roupas sólido e bem posicionado no mercado.
  • Os grandes pilares da label são a gestão de gênero e a sustentabilidade, e chegando a inaugurar um projeto de aluguel de peças, o "Ganni Repeat".
  • Em 2020, a camisa branca de algodão da Ganni figurou entre os itens mais desejados do ano, de acordo com o The Lyst.
  • A marca já tem mais de 53 mil compartilhamentos no Instagram com a hashtag #GanniGirls e figuras como Kendall Jenner e Alexa Chung estão entre elas.
  • Em 2017, 51% das ações da marca foram compradas pela norte-americana L. Catterton por quase US$ 50 milhões.
  • Acompanhe a trajetória da Ganni até aqui no texto abaixo.

A COMPRADORA E O EMPREENDEDOR

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O casal Reffstrup talvez não imaginasse, quando compraram a Ganni em 2009, que o negócio causaria um impacto tão grande no mercado da moda da Dinamarca. Além de companheiros, Ditte e Nicolaj Reffstrup são, também, a mente e o rosto por trás da reinvenção da marca, que existe desde 2000, inicialmente criada como uma empresa familiar, focada em produzir roupas de cashmere. Tudo mudou nove anos depois, quando o casal resolveu empreender no mundo fashion e adquiriu a marca por um valor não divulgado.

Ambos não caíram de paraquedas no meio das araras e montanhas de tecidos. Ditte, que, até os dias de hoje está à frente da direção criativa da marca, logo que terminou seus estudos básicos, se tornou estagiária de varejo e moda na gigante dinamarquesa Bruuns Bazaar, fundada em 1994, ganhando ali sua primeira bagagem em moda e vendas. Antes de assumir de vez a Ganni, seu último compromisso foi na já findada loja de alto luxo Flying A, em Copenhague, como compradora.


Já Nicolaj, trazendo para o linguajar mais atual possível, era um grande "empreendedor". Estudou administração e filosofia na Copenhagen Business School e tem mestrado em tecnologia da informação pela IT University of Copenhagen. Em meados dos anos 2000, já investia em novas empresas de tecnologia, como uma empresa de bot e linguagem automatizada — uma espécie de Siri, o comando de voz do iPhone, digamos assim –, que não deu certo. E ainda bem! Porque, nesta, a Ganni foi vista com bons olhos pelo casal, que buscava traçar novos caminhos para seus negócios.

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GANNI 2.0

A nova era da etiqueta – apelidada carinhosamente por eles de "Ganni 2.0" – já acumula mais de 11 anos de estrada e tem como principal característica representar o estilo escandinavo e nórdico, mas com um toque mais moderno, colorido e fresh. Para isso, Ditte opta pela não sazonalidades em suas coleções e prefere, com cada peça lançada, reforçar o modo que ela enxerga que as mulheres escandinavas gostam de se vestir.

"Eu só queria criar algo que refletisse a maneira como eu e meus amigos nos vestimos", contou a diretora criativa em fala com veículos de moda. Quando assumiu a label, ela destacou que havia dois grandes estilos predominantes em voga na Dinamarca: o boho chic, que bebeu na fonte direta da cultura hippie, e o minimalismo escandinavo, com qual os primórdios da Ganni conversavam muito. Mas Ditte não conseguia ver a si própria ou suas amigas vestindo e consumindo aqueles produtos e resolveu tentar refazer o estilo de nórdico, mas sem perder sua essência.

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Vestido preto da Ganni

Reprodução/Instagram/@ganni


Para ela, era primordial que existissem peças mais sérias, para um longo dia de trabalho, por exemplo, mas que, ao mesmo tempo, a mulher Ganni conseguisse sair para momentos de lazer após o expediente sem trocar de roupa. Assim, o "mood minimal" encontrou peças com recortes e decotes, ombros caídos, mangas e saias bufantes. Tudo isso regado a muitas estampas coloridas e algumas peças com cores sóbrias, feita a partir de tecidos de qualidade.

Foi contexto que surgiu a camisa branca de algodão da marca, um de seus itens mais cobiçados. Não por acaso, a peça figurou em nono lugar entre as 10 peças femininas mais desejadas durante o ano de 2020, em pesquisa feita pela plataforma Lyst, especializada em buscas de moda e beleza. A versatilidade, o conforto e o bom caimento da peça trazem luz a uma das características que elevou a Ganni ao patamar que se encontra hoje: a possibilidade de se vestir uma peça fashionista e de qualidade no dia a dia.

A camisa branca da Ganni est\u00e1 na lista das 10 pe\u00e7as mais populares de 2020, pela plataforma Lyst.A camisa branca da Ganni está na lista das 10 peças mais populares de 2020, pela plataforma Lyst.Divulgação

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#GANNIGirls

A nova era da marca nasceu em meio às mudanças efervescentes dos meios digitais e dos novos modos de consumo e negócios. Pensando nesta ideia de identificação forte com as clientes, a label dos Reffstrup surfou e consolidou-se ao redor do globo com a hashtag #GanniGirls, que começou a circular em 2015, quando a modelo dinamarquesa Helena Christensen legendou uma foto em que usava itens da etiqueta. Hoje, ela virou uma febre com mais de 53 mil compartilhamentos.


Com ela, criou-se nas redes uma espécie de comunidade de mulheres que realmente usam Ganni e compartilham entre si experimentações nas composições. Usando a imagem de suas consumidoras reais, a marca passou a representar pessoas com corpos e etnias diversas em suas redes sociais.

Não demorou muito para que a Ganni também ganhasse o coração das it-girls mundo afora. Nomes como Alexa Chung, Kendall Jenner e Leandra Medine figuram entre o hall de celebridades que vestem Ganni.

ALUGUE SEU LOOK


Para além do conforto e do estilo reconhecível, Ditte e sua equipe vêm investindo também na busca pela sustentabilidade. Firmando este pilar há quase dois anos, a marca lançou o projeto "Ganni Repeat", em setembro de 2019.

A ideia principal da empreitada é fazer com que todos os consumidores repensem o modo que utilizam seu próprio guarda-roupa. Para isso, foi lançada uma plataforma na qual é possível alugar qualquer peça da marca e ficar com ela por uma, duas ou três semanas.

Em um primeiro momento, o projeto foi implementado e tirado do papel apenas na Dinamarca, mas, já no segundo semestre de 2020, a marca dos Reffstrup, que teve 51% de suas ações compradas pela L. Catterton, em 2017, por quase US$ 50 milhões, busca colocar a ideia em prática nos Estados Unidos e na Inglaterra, para incentivar ainda mais o consumo consciente dentro do mundo da moda.

Pe\u00e7as jeans da parceria Ganni com a Levi's.Peças jeans da parceria Ganni com a Levi's.Divulgação Ganni | Foto: Adrienne Raquel

Para alavancar a ideia nesses territórios, a Ganni juntou forças com a gigante norte-americana Levi's e estreou a coleção "Love Letter", que apresentou três peças básicas para aluguel temporário. Feitas a partir de técnicas de upcycling com jeans reutilizáveis da própria marca, a linha apresenta uma camisa de botão com gola – marca registrada da Ganni –, uma calça e um vestido. Os preços para aluguel oscilam entre 40 e 65 libras, dependendo do tempo que cada cliente escolhe para ficar com a peça.

Vendo toda essa caminhada até aqui, é compreensível o motivo da marca dinamarquesa ser uma das mais desejadas do momento. Com um pensamento sólido, o casal angariou espaço e conquistou o mundo no melhor estilo "anti-gélido".

A plataforma Lyst divulgou na última semana o seu novo relatório, e aqui você descobre quais foram, segundo ela, os itens mais quentes deste ano até o momento.


Criada por Telfar Clemens, a marca nova-iorquina teve o seu estoque de shopping bags esgotado em segundos por causa de bots, prática comum no mercado de revenda hypebeast. Mas ela acaba de lançar um programa de segurança, colocando a sua comunidade em primeiro lugar.


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