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A designer de joias e acessórios, filantropista e ex-modelo Elsa Peretti faleceu na noite da última quinta-feira (18.03) de causas naturais, segundo comunicado de sua família. Ela tinha 80 anos.

Elsa chegou na moda meio por acaso, como modelo, mas logo migrou para o design de acessórios. Próxima de nomes influentes nas décadas de 60 e 70, se destacou entre as figuras mais interessantes de uma Nova York movida a festas ao som de disco music. Ícone de estilo, começou a desenhar suas peças de forma tímida, até assumir o comando criativo da Tiffany & Co , onde assinou algumas das joias mais famosas da joalheira, como o "Bone Cuff" e o "Open Heart".


Nascida em Florença (só porque era onde o médico da família estava na hora do parto), Elsa cresceu em Roma em meio a uma família tradicional e bem abastada. Seu pai, Ferdinando Peretti, foi presidente da maior petrolífera privada da Itália e seu sobrenome está em um dos palácios em frente à Villa Borghese. Mas a jovem não queria saber da tradição, família nem propriedade (ok, essa última parte talvez a interessasse um pouco) e, aos 21, se mudou para a Suíça. Lá, deu aulas italiano, francês e esqui, e também viajou bastante. Chegada a um bom agito, sempre ouvia das pessoas que deveria ser modelo, mas nunca levou a ideia a sério.

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O bracelete Bone Cuff, de Elsa Peretti para Tiffany & Co. O bracelete Bone Cuff, de Elsa Peretti para Tiffany & Co.


Elsa Peretti e Halston. Elsa Peretti e Halston.


Até que conheceu Wilhelmina Cooper, ex-modelo e, então, com uma agência homônima recém-lançada. Foi ela quem convenceu Elsa a se mudar para Nova York. "Foi muito difícil", disse em entrevista ao The New York Times, em 1974. "A modelo estadunidense perfeita era loira, parecia ter 16 anos e era linda. Eu era alta demais, muito estranha e muito espanhola, como diziam." Foi justamente essa combinação improvável que chamou a atenção de nomes proeminentes da moda norte-americana dos anos 1960, como Halston, de quem se tornou uma das favoritas. Junto a Anjelica Huston e Pat Cleveland, era chamada de Halstonette.

Mais do que musa, Elsa virou uma das amigas mais próximas do estilista. Não é raro ver entrevistas da ex-modelo se referenciando a Halston e seu grupo de amigos como uma família. Foi ele, aliás, um dos principais entusiastas e apoiadores de sua carreira como joalheira. Suas primeiras criações, uma fivela em forma de coração e pingentes em forma de vasos, apareceram em 1969, nas coleções de Halston e Giorgio di Sant'Angelo.

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Elsa Perretti, Jack Haley Jr., Liza Minnelli, Halston e Margaux Hemingway. Elsa Perretti, Jack Haley Jr., Liza Minnelli, Halston e Margaux Hemingway.


Halson e Elsa Peretti. Halston e Elsa Peretti.

Halston e Elsa Peretti.


Nos anos seguintes, suas peças de prata se tornaram hits absolutos. Em fotos do lendário Studio 54, não são poucas as personalidades, como Bianca Jagger, Liza Minelli e Diana Ross com uma de suas joias. O sucesso – e uma boa indicação de Halston – ajudaram a designer a conquistar um posto na Tiffany & Co. Para sua entrevista de emprego, no horário de almoço, ela vestiu um look de festa do amigo. Elsa também era conhecida por ignorar e subverter etiquetas a bel prazer – quase sempre de maneira muito bem-sucedida.

Quando a italiana chegou na joalheira americana, em 1974, a prata, seu material preferido, não era utilizado em uma coleção há mais de 25 anos. Foi ela a responsável por reintroduzir o metal e dar a ele status de luxo. Em 1979, Elsa se tornou a designer chefe da Tiffany, onde desenhou mais de trinta coleções. Suas peças se tornaram sucesso de vendas e, em 2012, a marca estendeu a parceria por mais 20 anos.


Elsa Peretti.


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