Compilação feita por Virginie Dolata e Emma Spreckley
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Elas trabalham na indústria cinematográfica e na moda, mas também dedicam boa parte de seu tempo na defesa do meio ambiente. No caso da produtora e atriz britânica Trudie Styler, o ativismo já vem de décadas. Com o marido, o cantor Sting, Trudie foi uma das primeiras vozes do showbusiness a dar visibilidade à luta pela preservação das florestas tropicais. As brasileiras Alice Braga e Gisele Bündchen também entraram para a causa há vários anos e não pensam em parar tão cedo. Já para a atriz Bonnie Wright, a Gina Weasley dos filmes de Harry Potter, o envolvimento é mais recente: foram os singelos selos de certificação da Rainforest Alliance, com um sapinho desenhado, que primeiro lhe chamaram a atenção para o trabalho da organização. Depois de ver as notícias de 2019 sobre o aumento dos incêndios na Floresta Amazônica, Bonnie resolveu se aprofundar no assunto e hoje atua como embaixadora da Rainforest Alliance.

A seguir, Gisele, Alice, Bonnie e Trudie falam sobre o envolvimento na defesa do meio ambiente e contam também o que fariam se fossem eleitas "presidentes da Terra".

Gisele Bündchen

Topmodel, ativista e embaixadora da boa vontade pela ONU.

Gisele Bundchen sentada no mato Gisele: a modelo participou do Projeto Água Limpa, que recuperou rios e nascentes no Rio Grande do Sul do Brasil.Foto: Cortesia

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O que a motivou a se envolver com a causa ambiental?

Eu sempre senti uma profunda conexão com a natureza. Mas foi depois que fiz minha primeira viagem à Floresta Amazônica, em 2004, quando pude passar um bom tempo com os povos indígenas locais e ver em primeira mão o impacto que a destruição da floresta e de seus recursos estava tendo nas vidas das comunidades e da vida selvagem, que decidi me comprometer totalmente a fazer tudo o que pudesse para ajudar o meio ambiente. Essa experiência foi um despertar – um dos momentos mais importantes da minha vida. Desde então, tenho usado minha visibilidade para aumentar a consciência sobre a importância de preservar nossos recursos naturais e viver em harmonia com a natureza. Afinal, sem a natureza, nenhum de nós poderia sobreviver.

Quais são seus objetivos e projetos atuais?

Estou trabalhando com o PNUMA (Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente) para chamar a atenção para a agenda ambiental e seguindo com uma iniciativa que fiz no meu aniversário de 40 anos, de plantar tantas árvores quanto possível – nesse caso, 260 mil na região amazônica. Além disso, estou sempre focada no meu objetivo principal, que é ajudar a criar um impacto positivo em nosso mundo onde quer que seja.

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Qual a pior coisa que você já testemunhou?

A pior coisa que vi são os incêndios, que destroem tudo em seu caminho, não apenas árvores e animais, mas também a biodiversidade circundante. É de partir o coração.

E a melhor coisa ou a que lhe deu mais esperança?

A esperança está em toda parte. Há muitas pessoas trabalhando duro em tantas iniciativas diferentes e descobrindo soluções para todos os desafios que enfrentamos. Eu experimentei isso pessoalmente com o Projeto Água Limpa, na região do Brasil onde cresci. Depois de reflorestarmos as margens do rio, todo o ecossistema mudou para melhor. A qualidade da água melhorou, os animais voltaram a habitar aquele corredor ecológico e a biodiversidade aumentou. Foi um atestado do incrível poder da natureza e um lembrete de que, quando você dá uma mão à natureza e alguma ajuda, ela vai recompensar você e prosperar.

Como você avalia que as conversas em torno das questões ambientais evoluíram nos últimos anos?

A boa notícia é que a sociedade está muito mais envolvida e consciente sobre as questões ambientais. Mais pessoas hoje entendem o impacto que o meio ambiente tem em nossas vidas, e que precisamos trabalhar juntos para preservar nossos recursos naturais, que são compartilhados e finitos.

Se você fosse a presidente da Terra, que leis ou emendas criaria para fazer do planeta um lugar melhor para viver?

Bem, primeiro, as empresas seriam responsáveis por produzir seus produtos das formas mais sustentáveis e éticas possíveis. Também seriam responsáveis por uma logística reversa, por exemplo, dar uma destinação adequada aos resíduos ao término do ciclo de vida de seus produtos. As empresas mais exemplares, aquelas com as métricas mais positivas em relação a esses impacto na sociedade, seriam elegíveis para benefícios fiscais e créditos. Aquelas que ficassem para trás estariam sujeitas a maiores impostos. Meditação e outras ferramentas que nos permitem conhecer mais sobre nós mesmos, mais profundamente, seriam ensinadas em todas as escolas, juntamente com cursos voltados para questões socioambientais. Dessa forma, todos cresceriam pensando no impacto que as escolhas têm na sua vida, na de outras pessoas e em nosso planeta. Crianças e adolescentes gastariam mais tempo ao ar livre, na natureza, para fazer uma conexão que integraria positivamente seus aspectos sociais, físicos e emocionais. Isso ajudaria a criar mais empatia, com crianças mais felizes e saudáveis. Finalmente, a colaboração seria o princípio orientador. Somos mais fortes quando trabalhamos juntos para o benefício de todos, e quanto mais conectados e em harmonia estivermos com a natureza, mais conectados estaremos com nós mesmos.

Alice Braga

Atriz e ativista do Greenpeace.

Alice braga entre as arvores Alice Braga: há um genocídio em curso no Brasil, diz a atriz.Foto: Cortesia

O que a motivou a se envolver com a causa ambiental?

Hoje em dia não é mais possível separar nossas vidas, histórias e ideais do mundo natural. Sem ele, nossa espécie não sobreviverá. A vida no planeta depende de um equilíbrio delicado e intrincado entre a raça humana e a natureza. Eu não acredito que haja escolha entre querer ou não ser politicamente e ativamente envolvido com as causas ambientais. Ou nós entendemos que este sistema que criamos para nossa espécie não é sustentável ou não teremos futuro. Já eliminamos 70% da biodiversidade do planeta. Há uma ilha de plástico no sul do Pacífico do tamanho de um continente. É muito provável que meus filhos não irão comer atum ou viver em um planeta com ursos polares. Temos escolha de não nos preocuparmos com o que estamos fazendo com nosso lar?

Quais são seus objetivos e projetos atuais?

Inspirar as novas gerações a acreditar que a mudança é possível no meio de toda essa escuridão. Afinal, a solidariedade sempre vence e é a nossa única saída. Estou desenvolvendo projetos que contam histórias alinhadas a esse objetivo. Inspirar transformação através da empatia, contos que aproximam e emoção.

Qual a pior coisa que você testemunhou como ativista?

Testemunhar o genocídio em curso no Brasil. Pensar em como aquele povo indígena e quilombola, que tem lutado contra um projeto imperialista por mais de 500 anos, ainda luta e morre. Isso parte meu coração todos os dias.

E a melhor coisa ou a que lhe deu mais esperança?

Quando você vê um animal em seu habitat natural ou passa o dia em um lugar onde a beleza é tão tangível que você se esquece de olhar para o telefone 150 vezes por dia, algo muda em você.

Como você avalia que as conversas em torno das questões ambientais evoluíram nos últimos anos?

É apenas uma questão de tempo para que o ativismo ambiental ocupe o centro das nossas vidas. A crise climática é real e já está acontecendo: neve no Texas, falta de comida, contaminação da água, seca do Pantanal, a quantidade de furacões no ano passado. As mudanças que devemos buscar, portanto, devem ser muito mais profundas e sérias. Nós não podemos continuar lavando pratos enquanto nossa casa está pegando fogo.

Se você fosse a presidente da Terra, que leis ou emendas criaria para fazer do planeta um lugar melhor para viver?

Eu começaria taxando os bilionários. Forneceria uma renda mínima básica para toda a população. Estabeleceria taxas e legislações mais rígidas para o mercado financeiro. Pararia com as commodities, todos os produtos teriam seu custo "real" – com os impactos ambientais incluídos. Incentivaria o reflorestamento e a permacultura, forneceria subsídios para cooperativas locais e iniciativas para a preservação da vida animal. Criaria uma rede de segurança para a agroecologia orgânica em escala maciça. Incluiria os povos indígenas em todas as atividades econômicas e decisões ambientais. Colocaria anos de poluição, destruição e engano da população na conta das grande companhias de petróleo.

Bonnie Wright

Atriz e embaixadora da Rainforest Alliance.

Bonnie Wright sentada num tronco de arvore Bonnie Wright: incêndios na Amazônia em 2019 motivaram a atriz a se aprofundar no ativismo ambiental.Foto: Cortesia

O que a motivou a se envolver com a causa ambiental?

O primeiro contato que tive com a Rainforest Alliance foi ao ver seu selo de certificação – o sapinho verde – no café, em bananas e no chocolate, na mercearia. Mas foi o aumento dos incêndios na Floresta Amazônica, em 2019, que fez com que eu me aprofundasse no trabalho das organizações de justiça ambiental e social nos habitats de floresta tropical, e isso me levou a compreender totalmente a essência dos trabalhos da Rainforest Alliance.

Quais são seus objetivos e projetos atuais?

Os objetivos da Rainforest Alliance são combater a mudança climática, proteger as florestas e a biodiversidade, promover os direitos humanos e melhorar os meios de subsistência locais. Sua grande esperança para um futuro mais brilhante e resiliente é abraçar a sustentabilidade em uma escala sistêmica e massiva, e isso requer trabalho em conjunto, como uma aliança. É por isso que a Rainforest Alliance tem parcerias com agricultores e comunidades florestais, empresas, governos e organizações da sociedade civil, e milhões dos consumidores para impulsionar a sustentabilidade em todo o fornecimento e cadeias produtivas. A organização tem projetos em mais de 70 países em todo o mundo, incluindo a Reserva da Biosfera Maia, em Petén, Guatemala, onde testemunhei esse trabalho incrível em primeira mão. Eles fazem parcerias com comunidades locais que gerenciam e ganham a vida de forma sustentável a partir da floresta, que é um hotspot de biodiversidade, um importante corredor florestal para a vida selvagem e um sumidouro de carbono estratégico.

Qual a pior coisa que você testemunhou como ativista?

O pior é o que vemos nas salas de reuniões dos grandes conglomerados, nas manchetes da mídia e na falta de comprometimento de nossos governos. Faltam empatia, união e paixão.

E a melhor coisa ou a que lhe deu mais esperança?

Mesmo em face da perda e destruição, você ainda encontra humildade, esperança e senso de comunidade. Eu também vejo esperança nas pessoas que se organizam por um futuro melhor.

Como você avalia que as conversas em torno das questões ambientais evoluíram nos últimos anos?

O número de pessoas nas conversas aumentou! Por muito tempo, comunidades marginalizadas e negros, indígenas e não-brancos têm sido excluídos da conversa no mainstream, embora muitas vezes sejam eles que estão na linha de frente da crise e tenham mais conhecimento para nos tirar disso. Embora ainda haja muito trabalho a ser feito em relação às questões de justiça racial e ambiental, parece que houve uma mudança significativa no ano passado.

Se você fosse a presidente da Terra, que leis ou emendas criaria para fazer do planeta um lugar melhor para viver?

Eu iria rapidamente criar um "conselho da Terra", porque nenhuma liderança inteligente é alcançada por uma só pessoa. Precisamos de uma perspectiva coletiva para governar e crescer pacificamente.

Trudie Styler

Produtora de cinema, atriz e co-fundadora da Rainforest Foundation Fund, junto com o marido Sting.

Trudie Styler abracada ao marido, Sting. Trudie Styler, na luta desde 1989: Raoni estava certo.Foto: Cortesia

O que a motivou a criar essa fundação em defesa do meio ambiente?

Comecei a Rainforest Foundation (agora Rainforest Fund) com Sting em 1989, após visitar a Amazônia e conhecer algumas das pessoas que vivem lá. Partimos de Brasília em um pequeno avião Cessna e voamos por cinco horas, a cobertura verde-esmeralda de árvores, magnífica, se estendendo abaixo de nós, completamente intacta até onde os olhos podiam enxergar. A dimensão e grandiosidade da natureza em seu estado intocado foi tanto uma experiência inspiradora quanto uma lição de humildade. Até que vimos, ao longe, fumaça e enormes incêndios florestais. Foi como uma visão do paraíso e do inferno ao mesmo tempo, uma das maiores fontes de recursos naturais do mundo sob ataque. Depois, no solo, essa justaposição cruel foi mais adiante. Havia cenas idílicas de pessoas vivendo em perfeita harmonia com a natureza – mulheres grávidas tomando banho em águas cristalinas, crianças comendo frutas das árvores, os homens pescando em águas límpidas. Mas, a meia hora de voo, mais adiante, onde a floresta havia sido destruída, tudo era diferente.

O que ou quem você descobriu lá?

Os Xavantes foram um dos muitos povos indígenas sul-americanos que sofreram. Eles usavam roupas sujas ocidentais e estavam profundamente desconfiados de nós. Seu território de floresta havia sido devastado e, como não havia árvores, eles não tinham abrigo. Amontoavam-se em um abrigo de lata para evitar o sol do meio-dia. Essa cabana de lata era chamada de escola e havia sido construída por uma empresa petrolífera italiana, em uma troca bem aquém do justo, pela perfuração em terras Xavante. Eles haviam sido pessoas orgulhosas, com seus rituais, suas danças, seus modos de vida ancestrais. Mas foram abusados em sua ingenuidade, sua inocência foi roubada e a coisa mais valiosa de todas – sua terra – tinha sido tirada deles e destruída.

Qual foi a mensagem mais impactante que você tirou dali?

Também passamos um tempo com o povo Caiapó, cujo líder, Raoni, nos pediu para ajudá-lo a entregar uma mensagem para o mundo sobre a queima da floresta. O aviso de Raoni foi: "Há muita fumaça. O meu povo está muito doente. Mas o que quer que aconteça na minha floresta hoje afetará a todos vocês, em SUAS terras, amanhã". Como ele estava certo. O apelo pessoal do chefe Raoni para nós era algo que não podíamos ignorar e, assim, o ajudamos a levar sua mensagem ao mundo, levando-o em uma turnê mundial. Passados 32 anos, interromper a destruição e a exploração insustentável das florestas tropicais do mundo é mais importante do que nunca. Uma mudança climática irreversível está logo aí e proteger as florestas tropicais pode fazer uma diferença significativa para o nosso futuro.

Quais são seus objetivos e projetos atualmente?

O trabalho do Rainforest Fund está focado em proteger os direitos humanos e o direito à terra dos povos indígenas das florestas do mundo – eles são os guardiões das florestas, os melhores protetores da sua própria terra ancestral, os melhores sustentadores dos modos de vida que alimentam e mantém essa parte vital do ecossistema do planeta. O financiamento deste ano apoiará projetos em 13 países ao redor do mundo – República Democrática do Congo, Uganda, Quênia, República Centro-Africana, Guiana, Brasil, Peru, Equador, Costa Rica, Indonésia, Filipinas, Bornéu e Papua Nova Guiné. A cada ano, o fundo responde à imagem em tempo real das necessidades e desafios das comunidades indígenas que continuamos a ajudar.

O que isso representa?

Isso inclui a defesa de suas terras ancestrais, apoio legal para a retirada de invasores, treinamento de agentes ambientais, vigilância permanente do território deles, com bloqueio a invasões e caça ilegal, bloqueio à indústria de petróleo e invasão de mineração em territórios indígenas, conexão dos jovens com suas raízes culturais, empoderamento e promoção dos direitos das mulheres, proteção dos defensores de direitos, trazendo perpetradores de assassinatos e ataques violentos à justiça... Bem como ajuda de emergência necessária durante incêndios causados pela mudança climática, que queimam a Amazônia, resultando em grande perda de biodiversidade e, claro, o apoio no combate à Covid, em resposta à pandemia de coronavírus.

Qual a pior coisa que você já testemunhou?

Em 2007, fui ao Equador, nas províncias de Orellana e Sucumbios, no norte da Amazônia, onde fica a maioria dos poços de petróleo do país. Essa terra tem sido escavada em busca de petróleo desde 1960, resultando em 1.700 milhas quadradas (1.088.000 acres) de floresta envenenada. A Texaco – agora Chevron – havia despejado deliberadamente 18 bilhões de galões de resíduos tóxicos durante o tempo que ficou lá, mas desde a sua proposta inicial para limpar a área, eles se recusaram a retornar e concluir a restauração dessas terras a um estado saudável. As populações dessas duas províncias ficam bastante isoladas e são muito pobres. Mas o que vi lá foi muito pior do que pobreza comum. Eu vi rios e riachos que cheiravam a petróleo. Eu vi colheitas fracassadas, gado moribundo e várias pessoas muito doentes. Taxas de câncer, doenças respiratórias, defeitos de nascença e aborto são excepcionalmente altas, e são um resultado direto de beber e usar uma água que é poluída com metais pesados e hidrocarbonetos. Eu conheci Maria Garafolo, uma mãe de 38 anos, que sofre de câncer de útero. Sua filha de 18 anos, Sylvia, teve câncer do fígado. Eles me mostraram o riacho onde coletavam sua água – cheirava a petróleo. Os animais que eles criam para vender no mercado morrem nesse ambiente tóxico. Enquanto animais, pessoas e colheitas morriam, a Chevron descaradamente jogava a culpa pela alta taxa de câncer e de outras doenças na higiene pessoal precária e no saneamento.

O que mais lhe chocou?

Quando visitei um centro de saúde lá perguntei a uma mulher chamada Carmen como eu poderia ajudar. A resposta era tão básica, foi chocante. Ela disse: "Senhora, consiga um pouco de água limpa para nós". Um direito humano tão fundamental, até reconhecido e consagrado pela Assembleia Geral da ONU em 2010 – água limpa e potável e saneamento são essenciais para a realização de todos os direitos dos seres humanos. Então, o Rainforest Fund atuou ao lado da Unicef Equador e da Frente de la Defensa de Amazonia alocando 1,4 milhão de dólares na instalação de milhares de sistemas de filtragem de água para que escolas, hospitais e residências pudessem ter acesso à uma água segura para beber. Por décadas, 30 mil indígenas equatorianos prejudicados tentaram fazer a Chevron pagar por uma limpeza adequada de suas terras e água, sem sucesso. A batalha entre Davi e Golias ocorreu em vários tribunais ao redor do mundo, desde 1993 até 2018. Apesar da decisão de um tribunal equatoriano em 2011 responsabilizar a Chevron por crimes ambientais e impor uma multa de 9 bilhões de dólares, e apesar da Suprema Corte do Equador confirmar o julgamento em 2013, a Chevron recusou-se a pagar. E depois de duas decisões judiciais dos EUA apoiando os recursos da Chevron, o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia decidiu a favor da petroleira em 2018.

E qual foi a melhor coisa – ou que lhe deu mais esperança – que você testemunhou?

Eu fiquei muito orgulhosa do projeto de água limpa que nós criamos em resposta à poluição da terra e da água no Equador, porque trouxe coisas muito tangíveis e práticas, foram melhorias para dezenas de milhares de vidas. O Rainforest Fund colaborou com a Unicef Equador e a Frente de la Defensa Amazonia para que isso acontecesse, e o fato de ser um trabalho em conjunto foi, por si só, incrivelmente positivo e uma experiência inspiradora. Existem várias organizações sem fins lucrativos, todas estão fazendo um trabalho muito importante, mas todas têm suas próprias agendas. Trabalhar junto com outras bases organizacionais é uma maneira brilhante de colocar os problemas em primeiro lugar e a política em segundo lugar, para tirar o máximo proveito das habilidades e dos contatos de cada um, colocando as pessoas no topo da lista de prioridades.

Como você avalia que as conversas em torno das questões ambientais evoluíram nos últimos anos?

As questões ambientais viraram, sem dúvida, muito mais a agenda principal, que é uma indicação de como incrivelmente urgente se tornou a necessidade de mudança. Ver os movimentos ambientais muito mais nas notícias é certamente encorajador, como a A Greve Escolar pelo Clima, liderada por Greta Thunberg, e a Extinction Rebellion, que toma ações diretas e perturbadoras para destacar suas causas. Isso me lembra a década de 1980, quando havia tanto ativismo nas ruas e no ar – passeatas pelo desarmamento nuclear, contra o apartheid, concertos da Anistia Internacional, Live Aid – para não mencionar os protestos em todo o Reino Unido, que refletiram o fato de que as pessoas estavam desesperadas por mudança social. A Grã-Bretanha tem uma longa tradição de ir para as ruas para gritar sobre as coisas, e eu aplaudo isso. Ver esse tipo de paixão aplicada às questões do meio ambiente é um novo capítulo, e este é um ótimo barômetro para sentir como as pessoas estão se tornando mais prontas e dispostas a abraçar as mudanças que serão necessárias em suas próprias vidas. Esse é o momento ideal para os governos usarem o sentimento público para alimentar a vontade política de abordar questões globais sobre energia, viagens, comida, água. A pandemia de covid deu a todos nós uma amostra da necessidade de mudar a forma como vivemos. Podemos não gostar, mas sabemos que podemos fazer isso e sabemos que temos a capacidade de nos adaptar e de responder a novas realidades.

Se você fosse a presidente da Terra, que leis ou emendas criaria para fazer do planeta um lugar melhor para viver?

Eu encorajaria a proteção da floresta tropical com incentivos fiscais para que as florestas não fossem cortadas. Ou, no mínimo, tornaria obrigatório replantar tudo o que fosse cortado, especialmente em zonas temperadas. Eu iria demarcar terras indígenas e fazer essas escrituras de posse de terra absolutamente impermeáveis e protegidas até mesmo dos planos governamentais. Eu faria todas as embalagens serem biodegradáveis para reduzir uso de plástico, os aterros e a poluição dos oceanos – podemos ter progredido nisso, mas nem de longe foi o suficiente. Eu limitaria o uso do concreto, que é um dos maiores emissores de CO2. Eu criaria um sistema onde cada ser humano receberia uma permissão vitalícia de carbono, que poderia ser parcialmente comercializada – isso significaria compensação obrigatória do uso de carbono, seja para aquecimento, viagens, alimentos etc, embora isso possa ser muito complicado de monitorar e rastrear. Se os compromissos do Acordo de Paris fossem realmente cumpridos, nós estaríamos em um lugar muito melhor, então, em um ato, eu faria todos eles serem executados e isso resolveria muitos problemas.

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