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O que aconteceria se só comprássemos roupas usadas?

Talvez você já tenha ouvido falar por aí que “a roupa mais sustentável é aquela que já existe”. Mas será mesmo? Quando vivemos num sistema complexo como o nosso, nada é tão simples.

Se só comprássemos roupas usadas, nós precisaríamos pensar em como seria realocadas as cerca de 75 milhões de pessoas que trabalham na indústria da moda no mundo.

Se do dia para noite só comprássemos roupas usadas, milhões de pessoas ficariam sem recursos e (mais) vulnerabilizadas. Foi exatamente isso o que aconteceu com a paralisação do varejo por causa da pandemia do coronavírus.

Também precisamos falar que só comprar roupas de segunda mão não muda o fato de que essas roupas serão incineradas ou descartadas hora ou outra num aterro sanitário ou lixão.

Comprar roupas de segunda mão exige dar um passo atrás e repensar o fluxo de consumo para não trocar o produto, mas manter a lógica. A preços de barganha ou de graça (quando falamos de troca), não é raro pegar no ar a euforia de uma Black Friday.

Corremos o risco de incentivar ainda mais o consumo de produtos novos gerando a sensação de que qualquer compra por impulso pode ser equilibrada pelo sentimento de alívio com a venda ou a troca.

Por fim, as roupas que usamos — que carecem de um verdadeiro processo de design — podem liberar microplásticos, e são necessárias medidas para que eles sejam retidos antes de alcançarem mares e lagos.

Se a gente só usasse roupas usadas, muitas coisas boas poderiam acontecer, desde que aceitemos o desafio de olhar não só para a moda, mas para a sociedade e contextos políticos e econômicos nos quais ela está inserida.