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Hoje resolvi trazer aqui um ponto que pode parecer estranho pra uns, polêmico pra outros e uma novidade instigante pra muitos. Que é: adicionar atividades sexuais no nosso calendário! Sim, e vou confessar que na primeira vez que ouvi falar disso também torci o nariz. Nós crescemos com a ideia de que sexo deveria ser a coisa mais espontânea do mundo, como vemos nos filmes – o casal se encontra e as chamas automaticamente se acendem até eles entrarem no apartamento tirando as roupas, se batendo nas paredes, quebrando os móveis. Mas deixa eu te perguntar: quantas vezes isso ocorreu com você dessa forma? E quantas vezes isso ocorreu estando dentro de um relacionamento longo? Se a resposta for poucas ou nenhuma, não se sinta mal e me acompanhe nesse raciocínio. Já passei por esse tópico de maneira bem breve por aqui na coluna, mas como a caixinha de perguntas desse mês foi justamente sobre sexo nas relações de longo prazo, muitas dúvidas eram sobre a frequência sexual e o desencontro de agendas ou vontades. Por isso o intuito de aprofundar ainda mais.

Quando relembramos os inícios das relações essas cenas de "toda hora é hora e todo lugar é lugar" são bem comuns. Mas não se enganem: muitas vezes já estamos agendando algo mais íntimo e nem percebemos. Pense num date, por exemplo. Combinamos tudo, nos arrumamos na excitação de encontrar a pessoa e, quando acontece, tudo parece muito orgânico, mesmo que tenha um planejamento e expectativas por trás. Existiu toda uma construção antes, que realmente não parece tão importante, mas é. Às vezes, pode ser que nada role naquele exato momento, mas o friozinho na barriga permanece ali.

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E é absolutamente normal que na vida a gente procure ir pela via do que é mais fácil e espontâneo, porque, honestamente, essa utopia é uma delícia. Mas, encarando a realidade, sabemos que precisamos trabalhar para que as coisas funcionem da melhor maneira possível e que, mesmo assim, nem sempre tudo sai como o esperado. Mas precisamos seguir tentando. Com o sexo, não poderia ser diferente.

Estamos todos vivendo uma época insana. Ansiedade, burn out, falta de noção de tempo e espaço são sintomas e consequência disso. Sabe quando o dia acaba e você não conseguiu fazer nem metade do que foi cobrado no trabalho e, ainda assim, se encontra em exaustão extrema? Infelizmente esse é um dos sinais de alerta mais comuns dos nossos tempos. Por isso vejo cada vez mais a necessidade de abrir esses espaços na agenda para ter diversão, colocar o pensamento em outras coisas e sentir prazer com sua parceria. Até na hora de produzir precisamos descansar, caso contrário, o ritmo desequilibrado pode nos levar a lugares solitários e dolorosos. Se toda nossa vida está no Google Calendar hoje em dia, que a parte gostosa também esteja.

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É normal que a gente procure ir pela via do que é mais fácil e espontâneo, porque essa utopia é uma delícia. Mas, encarando a realidade, sabemos que precisamos trabalhar para que as coisas funcionem da melhor maneira possível.

Não falo aqui de marcar "sexo" no calendário todas as terças às 20h e você ser obrigada a cumprir mais uma coisa na agenda que não queria fazer. Isso, jamais. Mas, sim, marcar momentos simples de intimidade. Pode ser uma massagem que em uma semana uma pessoa faz na outra e, na semana seguinte, o contrário. Pode ser uma pausa pra dançarem coladinhos. Uma possibilidade de conhecerem mais o corpo um do outro e testarem a masturbação conjunta. Ou até tentar uma nova fantasia e brincadeiras. Quem vai decidir o que excita e conecta mais são vocês. Quando sentirem vontade, basta organizar para fazer caber, e posso afirmar que olhar a agenda e ver que o evento prazeroso está se aproximando gera animação. É um jeito de trazer de volta o friozinho na barriga e o que chamamos de tempo de qualidade, mas pode ou não ter sexo. Da mesma forma que colocamos alguns eventos importantes no calendário para estarmos presentes e não sermos interrompidos, momentos íntimos podem funcionar muito bem desse jeito.

Sexo com tesão também é uma construção! E isso também está relacionado às formas como o nosso desejo funciona. Muitas pessoas possuem o desejo responsivo, que a gente poderia comparar ao fogão à lenha: precisa de tempo e atenção até acender de vez, mas uma vez aceso o fogo se mantém forte. Sendo assim, essas pessoas precisam de algo a mais para iniciarem a interação sexual, algum incentivo, caso contrário, raramente vão pensar nisso. E tem algum problema em não pensar nisso? Nenhum, desde que não existam grandes incômodos por essa questão. Mas ainda é muito comum ver mulheres com desejo responsivo buscando ter mais libido ou se sentindo anormais, quando apenas não foram guiadas para uma educação sexual que entendesse e abraçasse suas formas de sentir.

Nesse caso, agendar o "sexy time" pode ser uma grande ajuda, porque assim a pessoa encontra espaço e calma para ir explorando e acendendo o fogo no seu tempo, e como quiser. Se esse é o seu caso, minha recomendação é procurar arte erótica, seja escrita ou visual, para ter sempre nas mãos algo a mais na hora de botar esse fogo no parquinho. Também é uma boa alternativa pra quando uma pessoa com desejo espontâneo, ou seja, quem possui mais vontade de ter interações sexuais, sem precisar pensar muito a respeito (pense num fogão industrial acendendo), se relaciona com alguém que possui o desejo responsivo. Acontece com bastante frequência e é muito válido lembrar que esses desejos não são fixos e que podem variar com o momento de vida de cada um ou se intercalarem numa mesma época. A sexualidade é complexa, mas quanto mais a entendemos, mais sabemos vivê-la em paz.

Se essa é uma nova possibilidade que se abriu depois de ler esse texto, não deixe de enviá-lo à sua parceria para que vocês consigam juntos assimilar a ideia e planejarem de acordo com o que fizer sentido na vida do casal. Se você ainda não se convenceu, não se preocupe. Meu plano aqui não é convencer ninguém, apenas conversar sobre novos jeitos de resolver antigos impasses. E, se sobrou qualquer dúvida sobre o tema, não tenha medo de escrever de volta, porque nada é mais importante neste espaço do que a troca. Continuando nos vendo todas as últimas sextas do mês lá na caixinha de perguntas do instagram da ELLE. E pra esse encontro gostaria, sim, que você siga se fazendo presente e marque na sua agenda!

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