• Símbolo do jeito artesanal de se fazer roupa, a Semana de Alta-Costura não teve a sua edição cancelada, para preservar a tradição, mas foi adaptada para um formato artesanal.
  • Ana Garmêndia, colaboradora da ELLE em Paris, nos ajuda a contar o que faz com que uma produção ganhe status de alta-costura, além de tudo o que o evento representa para a capital francesa.
  • Um review com os principais highlights da edição, com comentários dos editores de moda Luigi Torre e Suyane Ynayá.
  • E ainda: a doação do grupo Kering para ajudar na luta contra a Covid-19, no Brasil; a corrida pela collab entre Nike e Dior; além de spoilers da nossa primeira edição da revista digital, a ELLE View!
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Se preferir, você também pode ler este podcast:

Pela primeira vez na história, a semana de alta costura foi realizada durante uma pandemia. Símbolo da tradição artesanal e minuciosa de se fazer roupa, o savoir-faire francês, a Federation de la Haute Couture et de la Mode usou este argumento para justificar o não cancelamento da edição.

O formato digital, então, foi a saída para o evento acontecer. Este, que é considerado o mais luxuoso do setor. Croquis, fotos, curta-metragens e até animações 3D foram as escolhas das maisons para usar a tecnologia em favor da memória. Neste Pivô, a gente não só explica o que faz uma produção ganhar o status de alta-costura como também dá um review do último evento, durante um período tão específico.

A voz que você acabou de ouvir é de Naomi Campbell. A supermodelo foi a figura escolhida para abrir a semana de alta-costura de inverno 2020, com um vídeo. Nele, Naomi não só deu o start nesta que foi a primeira semana de alta-costura da história a acontecer inteiramente em formato digital, como também cobrou um posicionamento maior do setor por mais diversidade e igualdade, citando inclusive a equiparação salarial entre modelos negras e brancas.

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O vídeo, alinhado com todos os últimos levantes anti racistas que vem acontecendo pelo mundo é de fato urgente e necessário para toda a indústria. Mas, no contexto da alta-costura esta mensagem tem um peso especial, uma vez que o evento tem como premissa básica a exclusividade - ou seja, o oposto de uma abordagem inclusiva. O caminho de maior igualdade que Naomi cobra parece longo, a ver pelas posturas que aconteceram neste último evento, mesmo. Mas antes do review sobre a semana digital, a gente explica rapidamente o que faz de uma produção ser alta-costura.

O termo alta-costura muitas vezes tende a ser mal empregado ou usado de maneira imprecisa. Isso porque, na verdade, existem várias regras específicas para qualificar uma produção como alta-costura. Um dos fatores principais é exatamente a exclusividade. As peças são criadas para serem únicas. Isso significa que existe apenas um exemplar por cliente.

O inglês Charles Frederick Worth, radicado na França, que deu o start na história dos desfiles, como a gente já contou aqui no Pivô, é também considerado o pai da alta-costura.

Os membros participantes da semana de alta-costura são selecionados por uma instituição francesa, a Chambre Syndicale de la Haute-Couture. Para se qualificar como uma maison, ou seja, uma casa oficial de alta-costura, é necessário criar peças artesanalmente, sob encomenda, para clientes particulares, que passam por mais de uma prova.

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A maison deve ter um ateliê com ao menos uma sede na França, que deve contar com pelo menos quinze funcionários trabalhando em tempo integral. É necessário ainda que a oficina tenha ao menos vinte artesãos que também trabalhem integralmente. Por fim, uma casa de alta-costura obrigatoriamente precisa apresentar ao público uma coleção de ao menos 50 modelos originais, tanto para o dia quanto para a noite, nas duas estações do ano, sendo que a primeira, de verão, acontece em janeiro, e a segunda, de inverno, ocorre agora em julho. Estes são os membros permanentes, como Chanel, Dior, Givenchy. Existem também os correspondentes que, ainda que não sejam franceses, receberam o aval de participar do evento, como Valentino, Giorgio Armani, Elie Saab.

Parecem até regras de um campeonato, né? E a jornalista Robin Givhan explica exatamente assim: da mesma forma que um taxista nova-iorquino vai conversar contigo sobre os Yankees, um taxista em Paris vai te apontar e falar destas casas. A moda lá é considerada um patrimônio nacional. O evento, então, é um jeito de perpetuar o que chamam de savoir-faire, o jeito único de se fazer roupa na França. E é por isso que a semana de alta-costura envolve toda a cidade. Quem comenta isso pra gente é a jornalista Ana Garmêndia, colaboradora da ELLE em Paris:

"A Semana de Moda de Alta-Costura é super importante para a cidade e para a moda francesa. Primeiro que é o momento onde todo o savoir-faire francês, de costura de bordado, de corte é colocado em prática porque uma peça de alta-costura é cem por cento feita a mão. E todos os ateliês de costura ficam com as suas principais bordadeiras, todos os seus especialistas, em todas as etapas, trabalhando intensamente nisso. Então é muito importante para os ateliês isso e para manter também viva essa maneira de fazer uma roupa que hoje em dia o prêt-à-porter e a industrialização acabou. Então a alta-costura tem isso. E ela movimenta muito a cidade porque vem muita gente pra ver os desfiles, quando a gente tinha os desfiles, e também pra comprar. Vêm as compradoras do mundo inteiro de alta-costura. Elas vêm com família, vêm com filhos e lotam grandes hotéis de luxo, restaurantes de luxo, paralelamente a isso tem a apresentação da alta joalheria, que também é uma coisa casada. Termina alta-costura e tem um dia da alta joalheria. Elas compram também as joias. Enfim, todo um universo de luxo. Mas este universo também particular do artesão. Destas mãos que fazem tudo isso, que é muito importante e muito valorizado na França."

A semana de alta-costura, então, é importante simbolicamente para o país, porque é a responsável por solidificar e ajudar a vender esta ideia de luxo. Para as marcas, fortalecer a imagem de sua casa. E ainda que as roupas das coleções sejam feitas para uma parcela minúscula, ela impacta todos os fãs de moda, ainda que apenas com um pedaço disso tudo, como um suvenir, por exemplo…

"Nos últimos anos. Quando eu comecei a vir para Paris e ver alta-costura, que foi em 2006, falava-se que a alta-costura estava no fim, que não tinha mais lugar pra ela, por causa da industrialização, dos fast fashion, das pessoas não terem mais dinheiro pra comprar, que eram poucas pessoas no mundo. Na época se falava de 2000. Hoje se falam em 200. Mas contrariamente ao que se falava nessa época a alta-costura entrou num caminho ascendente. Eles conseguiram casar as apresentações. Fazer apresentações cada vez mais suntuosas, trazendo grandes artistas da música, do cinema, o que atrai uma mídia incrível para a cidade e para o evento. A alta costura tem como característica lançar os produtos de beleza das maisons, os perfumes, os cremes, esmalte. Geralmente é um perfume, para alavancar este mercado do luxo no qual pretende-se ter o luxo comprando uma pequena coisa."

A gente também perguntou para a Ana como foi que os franceses receberam a versão digital do evento. E, de acordo com ela, o sentimento foi de dualidade:

"O que eu vejo é um momento de contemplação, de que está todo mundo meio apático ainda, sabendo que tem que continuar e meio que tateando no escuro. Tem que ser feito, tem que ser feito. A reação ainda é essa com um pouco de dúvidas e ainda não sabendo… Por exemplo, este ano todos os hotéis estão fechados ,então, é uma coisa louca, em plena semana de moda, de alta-costura, onde estaria tudo fervendo, a gente passa na frente de um Ritz, que muita gente fica hospedada, ou do Bristol, e as portas estão fechadas. Então está todo mundo meio contente porque está fazendo com proteção e pela internet, como tem que ser feito, mas meio para que tudo isso? Onde vai ser usado tudo isso? A gente está meio confuso. Pelo menos é a sensação que eu tenho e das pessoas que eu conheço que estão aqui neste momento."

E agora a gente vai citar alguns dos highlights. No domingo passado, no dia 5, a Balmain decidiu por desfilar com as modelos em uma embarcação no Rio Sena. A marca completa 75 anos agora em 2020 e esta apresentação foi a escolha do diretor criativo Olivier Rousteing.

Mas a maioria das marcas optou por fotos e vídeos. E as versões foram de um simples behind the scenes e chegaram até a curta metragens com direito a diretor famoso.

A Schiaparelli, por exemplo, apresentou a sua Collection Imaginaire, com um vídeo do diretor criativo da grife, Daniel Roseberry, desenhando croquis ao ar livre, na cidade de Nova York, onde ele passou a quarentena.

Apesar da alusão à fantasia e ao surrealismo, típicos da maison e que apareceram nos desenhos, o filme bastante simples pouco passou os sonhos da casa. Em comunicado à imprensa, a marca afirmou que a coleção será produzida no final do ano.

Mas o grande destaque foi a Dior, tanto pelas críticas positivas quanto pelas negativas. Maria Grazia Chiuri decidiu por uma colaboração com o cineasta italiano Matteo Garrone, que dirigiu filmes como Pinocchio, Dogman e Gomorra. Chiuri e Garrone produziram um conto fantasioso de quase quinze minutos, o Le Mythe Dior

O filme, super bem produzido, se divide entre imagens de um atelier da Dior, onde artesãs produzem vestidos miniaturas, do tamanho de bonecas, e um cenário de floresta imaginária, com figuras místicas, brancas, lânguidas, ruivas, platinadas… É fácil identificar algumas imagens, como um Narciso se admirando no espelho de água, sereias, faunos. E de certa maneira saber de onde vem essas referências de imagem. Mas com tanto espaço para sonhar faltou uma conexão com a realidade e um compromisso com diversidade. Principalmente por esta razão, a grife foi criticada nas redes sociais e pela crítica especializada.

Tim Blanks, do The Business of Fashion afirmou, por exemplo, que apesar "de a estilista ter se inspirado no provocativo movimento surrealista nas roupas, foi o seu olhar preso às referências do passado, de pinturas pré-rafaelitas, irremediavelmente brancas, que acabou por tornar tudo profundamente decepcionante". O filme, segundo ele, "poderia ter se engajado na multifacetada riqueza da natureza".

Duas marcas importante divulgaram apenas teasers, uma vez que as suas coleções não ficaram prontas. A Maison Margiela chamou o modelo Leon Dame, que virou de vez o rosto agênero da grife para o seu vídeo preview. Usando chapéu, casaco e botas, ele exibiu o caminhar exagerado, todo quebrado, que é sua marca registrada. O trailer chama para o show Artisanal, que acontecerá só agora na próxima quinta-feira, dia 16. Vamos ficar de olho no que John Galliano vai preparar.

E assim também foi com a Valentino. A explicação da marca italiana para jogar a sua apresentação para frente foi a de que, com a pandemia, não foi possível deixar que mais de uma artesã trabalhasse em uma mesma peça, como eles fazem de costume. E isso atrasou tudo. Mas o vídeo chama para a apresentação que acontecerá no próximo dia 21, terça-feira da semana que vem.

O curta, intitulado Grace and Light, foi feito em parceria com o fotógrafo Nick Knight, que deve colaborar ainda em outras partes da coleção. O vídeo contou com música da cantora FKA Twigs. E aí, os olhos estarão realmente atentos ao que Pierpaolo Piccioli vai mostrar. Nas últimas edições da semana de alta-costura ,ele foi o responsável por criar coleções que são verdadeiras óperas de vestir, além de ter se lançado de fato em um momento de maior inclusão de modelos negras no evento por meio da marca.

Já a Chanel, por Virginie Viard, decidiu desta vez homenagear Karl Lagerfeld. Olhando para a herança de seu trabalho, mais do que para o legado deixado pela própria Gabrielle Chanel, a estilista fez referência ao Le Palace, o Studio 54 francês das décadas de 1970 e 1980. A limitação do contato físico, segundo ela, fez com que a grife deixasse um pouco de lado a sutileza e avançasse mais no exagero para o digital. Claro, um exagero Chanel de ser, com um pé no clássico e um apreço pelas tradições da marca. E o frescor, ainda que recatado, funcionou bem nas redes sociais.

Outra chuva de like foi para a grife Giambattista Valli, sempre suntuosa, com seus vestido de sonho, com bolos de tule, pluminhas e lações, plissados e volumes. E finalizando tudo ainda com a noiva do final, uma tradição da alta-costura.

Mas para além de uma imagem que enche os olhos, alguns designers optaram por usar o evento como uma plataforma também para deixar um recado, passar uma mensagem. A apresentação irônica e cheia de auto referência da marca Viktor & Rolf foi um destaque. E quem explica isso pra gente é o nosso editor de moda Luigi Torre:

"Como uma solução para suavizar a frieza tecnológica, algumas marcas começaram a abordar temas, digamos, mais humanos. Temas mais conectados com o turbilhão de emoções, sentimentos, pelos quais a gente passou desde que a pandemia apareceu e virou a nossa vida de cabeça para baixo. Essa maluquice de sentimentos que a gente sente muitas vezes no mesmo dia. E um bom exemplo disso é a coleção do Viktor and Rolf. Os estilistas holandeses criaram uma coleção de apenas nove looks, o que tem a ver com este formato mais reduzido, que a gente está vendo neste momento de restrição e de muitas limitações na produção de moda. E cada um desses looks foi inspirado em um estado emocional relacionado à pandemia. Então tinha o look de proteção, quase um casulo, meio a ver com um pijama, mas com uns spikes, grandes espinhos, para nos proteger e afastar qualquer coisa negativa como o coronavírus. Tinha looks com vários smiles, aquelas carinhas felizes de emoji, tristes, felizes, mostrando um pouco dessa ansiedade maluca pela qual estamos passando todos os dias. E até acolchoado com corações falando de sentimento, afetividade, que é tão importante neste momento. Uma coisa que é importante de lembrar é que todos estes looks foram feitos com tecidos que já estavam no estoque da marca. Ou seja, foram mais ainda exclusivos. A alta-costura tem esta questão da exclusividade, do número reduzido de produção, mas neste caso é bem maior, por esta questão sustentável, prática que a marca promete e se dedica há algum tempo. E outra coisa legal de se falar sobre a apresentação deles é que foi um dos poucos exemplos em que o vídeo faz toda a diferença para a gente entender e entrar um pouco no clima bem humorado que também tem tudo a ver com o perfil da marca. Neste vídeo os estilistas explicam não só a questão técnica, como tecido, silhueta, decoração, ou trabalho mais elaborado, intrincado, mas também as emoções, sentimentos, que os inspiraram e eles fazem isso de uma maneira muito bem humorada. Lembra um pouco as apresentações de alta costura da metade do século 20 em que as modelos entravam com uma narração de cada look e eles fazem isso de uma maneira extremamente divertida e sintonizada com estes tempos malucos que estamos vivendo."

Já a estilista holandesa Iris Van Herpen disse ao The New York Times que a quarentena impossibilitou o desenvolvimento completo de sua coleção. E ela decidiu apresentar apenas um look em um fashion film. O vestido foi inspirado nas obras do artista Escher, também holandês. A peça é multifuncional e conversou não só com uma ideia de simplicidade, com também com o consumo na moda de uma maneira geral. E quem destaca este ponto é Suyane Yanaya, a nossa mais recente ELLE Girl, e editora de moda:

"Eu acho que entre todos os desfiles que aconteceram um que me impactou bastante foi o da Iris Van Herpen onde ela mostra como a moda precisa repensar a questão do consumo. Ela conseguiu fazer somente um vestido. Ela não conseguiu reproduzir toda a coleção que ela faria. E dentro deste vestido construiu um olhar de trazer multifuncionalidade pra ele. E aí me deixa pensativa. Será que a gente precisa de uma grande coleção de verdade? Será que a moda ela não precisa construir um novo olhar sobre coleções antigas até? Será que a moda ela não precisa construir peças multifuncionais? Será que a moda não precisa reconstruir um outro olhar sobre estas questões do seu consumo? Até do seu consumidor, que hoje não quer consumir o produto só por conta de um nome, mas quer pelas questões de posicionamento, pela questão de construção daquela história, questões de inclusão de gênero, raça… Hoje a gente quer se ver dentro daquele produto e daquela história. Foi muito importante entender e ver que o menos sempre foi muita coisa. E acho que a gente precisa repensar real sobre isso."

E vamos de mais notícias de moda que agitaram os últimos dias.

A Kering, grupo que detém as marcas Gucci, Balenciaga, Saint Laurent, Alexander McQueen e Bottega Veneta, entre outras, anunciou que vai doar 300 mil dólares pra apoiar os profissionais de saúde no Brasil que estão na linha de frente no combate à Covid-19

O valor, que corresponde a aproximadamente 1,6 milhão de reais, será passado à CDC Foundation, uma instituição sem fins lucrativos que atua em mais de 140 países com programas de proteção à saúde.

A CDC desenvolveu uma série de procedimentos e de ferramentas educacionais, seguindo as recomendações da OMS, para ajudar a diminuir os riscos de contágio pela Covid e proteger tanto os trabalhadores da saúde quanto pacientes internados por outras doenças. A fundação vai selecionar de 5 a 8 instituições no Brasil, que apresentam alto risco de contágio, para destinar os recursos da Kering e implementar esses protocolos de segurança.

O dinheiro também será usado na compra dos materiais necessários pra pôr em prática esses procedimentos, como barreiras, equipamentos pra ventilação do ambiente e softwares de monitoramento.

A doação não é a primeira ação da Kering na luta contra a Covid-19. Em abril, o grupo de luxo já havia destinado 1 milhão de dólares à CDC, pra apoiar os trabalhadores da saúde nos Estados Unidos e países da América Latina. O grupo também destinou contribuições à França, Itália e China, além de produzir mais de 1 milhão de máscaras cirúrgicas e roupas especiais para os profissionais da linha de frente.

Para o Brasil, a doação é mais do que oportuna. De acordo com dados de junho, mais de 83 mil profissionais da saúde foram infectados pelo novo coronavírus no país. A pandemia já deixou um rastro de mais de 70 mil mortes por aqui.

Agora, uma pergunta: nesses tempos de quarentena, em que a gente mal põe o pé pra fora de casa, quem pensa em comprar tênis? Ou melhor, quem pensa em comprar um tênis que custa 1.800 euros?

Bom, Gabe, aparentemente, muita gente. O lançamento do novo tênis Air Jordan, em parceria com a Dior, provocou aquele tipo de reação que há muito tempo não se via entre os fashionistas. Nada menos do que 5 milhões de pessoas se inscreveram no micro site da marca pra tentar reservar um par do calçado desenhado por Kim Jones. Os tênis, batizados de Air Jordan 1 High OG Dior são feitos de couro cinza e branco e levam o logo da Nike preenchido com o monograma da Dior.

Mas se inscrever não era uma garantia de conseguir o produto. Foram fabricados apenas 13.000 pares dos tênis e, desses, 5.000 foram reservados para clientes VIPs da Dior. Restaram só 8 mil pares pro público em geral. A gente pode dizer, então, que ser selecionado para comprar o novo Air Jordan seria como achar o cupom dourado da Fantástica Fábrica de Chocolate, né? Com o detalhe de que a pessoa vai ter que desembolsar os 1.800 euros.

Mesmo sabendo que o novo Air Jordan só estaria disponível pra poucos escolhidos, o público se aglomerou pra conferir de perto o lançamento da coleção cápsula Air Dior, que traz o rapper Travis Scott como modelo. O lançamento conta com bermudas, calças, jaquetas e outras peças. Na quarta passada, centenas de pessoas fizeram fila desde a madrugada na porta da Selfridges e da loja da Dior na Bond Street, em Londres, onde a coleção foi colocada à venda. Já nos Estados Unidos os clientes vão ter que segurar a ansiedade: o lançamento físico das peças foi adiado, justamente pra evitar aglomerações durante a pandemia.

Ainda na temática sneakerhead, o designer Jonathan Anderson fez um desabafo nas redes sociais na semana passada. Em um post no Instagram, ele publicou a foto do tênis Run Star Hike, uma parceria entre sua marca JW Anderson e a Converse. No Run Star Hike, o clássico modelo Chuck Taylor ganhou a entressola grossa de outro modelo, e ainda detalhes serrilhados na sola e no calcanhar. O mesmo post trazia imagens de mais quatro tênis com esse design, mas que não fazem parte da parceria com Jonathan Anderson. O designer escreveu que acha triste quando uma grande companhia exclui você de uma colaboração que começa a dar certo, em vez de ajudar uma marca pequena nesses tempos difíceis.

Nós procuramos a Converse e a empresa declarou por meio de sua assessoria de imprensa que o Converse Run Star Hike foi concebido pela sua equipe de produtos e design e nascido da ideia de combinar duas silhuetas existentes, como a gente mencionou: a parte superior do Chuck 70 com a sola Run Star, e foi introduzida pela primeira vez por meio de uma colaboração com Jonathan Anderson. A Converse declarou ainda que o estilista tem sido um grande defensor do calçado e de outras silhuetas. E que eles têm imenso respeito por ele como designer e estão orgulhosos do que foi realizado durante esses três anos de colaboração.

E a gente não pode terminar esse episódio sem antes falar de uma notícia muito importante na moda brasileira: estreia nesta segunda-feira, dia 13, a ELLE View, nossa revista digital.

Pra quem perdeu o episódio anterior com a explicação da nossa diretora Susana Barbosa, deixa eu recapitular como será essa novidade: a ideia é levar pro leitor a experiência de uma revista mensal, com conteúdo exclusivo, adaptada aos novos tempos, ou seja, em um formato mais sustentável e dinâmico.

Não vai ser só um PDF reproduzindo uma edição impressa, não! Além de textos e ensaios fotográficos, a revista digital também traz conteúdos em áudio, vídeo e formatos interativos.

Nessa edição de estreia, o tema é Contato, um assunto que a gente vai abordar de diferentes formas – tanto a questão do auto contato, do autoconhecimento, quanto essa nossa eterna tentativa de fazer contato com outros lugares e até com outros mundos.

E tem ainda o contato com o futuro. Pra nossa matéria de capa, a gente bolou uma espécie de cápsula do tempo. Sabe aquela ideia de colocar numa caixa vários registros do presente, enterrar e só abrir daqui a muitos e muitos anos? Então, convidamos várias personalidades e pedimos pra que elas mandassem uma mensagem pra ser revelada no futuro, contando um pouco desse momento em que estamos vivendo. Valia, foto, vídeo, áudio, todo mundo ficou livre para se expressar como quisesse. Deu curiosidade pra saber como ficou? A gente vai liberar aqui um trechinho do áudio da deusa Elza Soares, que escreveu uma carta pra neta Vanessa, de 46 anos. A Elza fala como se tivesse voltado ao passado e a neta ainda não tivesse nascido, e ela estivesse contando acontecimentos que ela ainda vai viver, até os dias de hoje.

"Rio de Janeiro, 9 de julho de 1973. Para você, minha neta Vanessa Soares. Olá minha neta, minha primeira neta, minha afilhada, minha filha, minha Nêssa. Eu escrevo de um tempo distante, longe, de uma época em que ainda levará um bom tempo para chegar. Hoje faltarão exatamente quarenta e dois dias para que eu possa colocar meus olhos nos teus pela primeira vez. Você é uma neta muito esperada. Eu e Mané contamos os dias para sua chegada. Vamos criar você enquanto pudermos. Garrincha, o neném, como gosto de chamá-lo, é daquele jeito que um dia você conhecerá. Vive com os passarinhos e hoje em dia já não coloca aquelas pernas tortas pra jogar o futebol que encantou o mundo. Sua paixão agora é esperar por sua chegada."

Além da Elza, a nossa capa-cápsula do tempo traz também mensagens da Linn da Quebrada e da Karol Koncá, um vídeo do fotógrafo Gleeson Paulino e uma carta emocionante do Criolo para a mãe dele, entre outras participações muito especiais.

Outra atração da edição número 1 é o editorial de moda fotografado com drone em locações no centro de São Paulo e numa chácara perto da capital. Qual é o título desse editorial, Gabe/Pat?

O título é "Já tô com roupa de ir". E as fotos foram feitas como se as modelos estivessem sendo abduzidas por extraterrestres. Olha, foi uma megaprodução que precisou de dois drones — um deles, com uma luz superpotente, pra simular aquele momento em que o disco voador te suga, ainda estava em fase de testes.

A fotógrafa e diretora Camila Cornelsen, que fez as imagens juntamente com o Thales Banzai, conta melhor como foi essa história:

"Esse drone, como ele nunca tinha sido usado, e ele ainda está em fase de construção e adaptação, ele tem uma dinâmica de voo meio curta, porque as baterias são adaptadas pra ele, a luz é adaptada pra ele... Ele é um drone supergrande, assim. Então, a gente tinha dois drones: um que era só a luz, que carregava essa luz pra ser a luz do que seria o nosso OVNI e a gente ia com um segundo drone, que era o drone que captava vídeo e as fotos, e também eu tava com a minha câmera no chão, registrando de fora, também, esse "momento da abdução", então a gente tinha duas câmeras de captação - uma de foto, uma de vídeo- e o drone da luz. Foi uma operação meio complexa, assim, pra conseguir fazer que tudo funcionasse, assim, né? A gente tinha de tempo, mesmo, de clique e vídeo com os drones, tipo, de 3 a 4 minutos, assim, pra fazer. E a gente fez pra cada modelo três voos praticamente. Então, no total foram, tipo, 12 minutos que a gente tinha pra fazer a foto boa, o take bom, bem apertado, comparado com os editoriais de moda tradicionais."

Ficou muito bacana. A revista traz ainda uma reportagem sobre a influência do futurismo na moda e um superdossiê de beleza, em que a gente vai entender o surgimento dos padrões e questionar o que é ser bonito, afinal.

Como na estreia do site, a primeira ELLE View também tem a participação dos leitores: 15 pessoas do nosso open casting gravaram depoimentos revelando o que veem quando se olham no espelho e a relação que têm com a beleza.

Relembrado aqui que o nosso open casting é permanente. Se você quiser participar, é só marcar uma foto sua com a hashtag #olhaelle no Instagram. A gente está sempre de olho pra ter a participação dos leitores.

E ainda tem muito mais conteúdo, que a gente não vai abrir aqui pra não dar spoiler. A ELLE View fica em uma área do site exclusiva para assinantes. Aproveite que agora, no lançamento, a assinatura está com um desconto bem legal.


    Neste Pivô, conversamos com estudiosos da cultura brasileira para avançarmos no debate de apropriação cultural, para além da discussão rasa do pode ou não pode. Toda segunda-feira, a redação comenta as principais notícias de moda da semana.



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