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Moda

COP26 e a moda: um resumo da participação da indústria na conferência

Após 12 dias de diálogos com líderes globais, empresas e ativistas, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas chegou ao fim. Aqui, fazemos alguns resumos dos principais acontecimentos e acordos.

ANDY BUCHANAN/AFP via Getty Images
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Governanças globais, ativistas, organizações e empresas privadas estão reunidas há 12 dias na cidade de Glasgow, na Escócia, para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. No encontro que se encerra hoje, 12.11, a indústria da moda marcou presença por meio de entidades e marcas que tem considerável contribuição no impacto à natureza. Durante o evento, uma atualização da Carta da Indústria da Moda para a Ação Climática foi assinada por 130 signatários, do mercado de luxo ao fast fashion, que se comprometem a cessar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2050 e reduzi-las pela metade até o final desta década. Entre as brasileiras, aparecem na lista o Grupo Soma, Reserva e Grupo Renner.


A primeira versão da Carta, criada em 2018 e alinhada à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), visava reduzir as emissões em 30% antes de 2030 e zerá-las até 2050. Organizações como Eco Age, Fashion Revolution e British Fashion Council também fazem parte, ao lado de 38 outras entidades. Além das metas relacionadas aos GEE, estima-se obter 100% do consumo de energia vindo de fontes renováveis, fornecimento de matérias-primas com princípios de sustentabilidade e a eliminação gradual do carvão da cadeia de abastecimento. E se as etiquetas descumprirem o tratado? Aparentemente, nada acontece. No momento, não existe nenhuma sanção ou penalidade referente a isso.

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O documento ainda diz reconhecer que ''as soluções e modelos de negócios atuais não serão suficientes para cumprir a atual agenda climática. A indústria da moda precisa adotar uma mudança mais profunda e sistêmica e soluções de baixo carbono em escala'', mas logo abaixo acrescenta que ''as ações que reduzem as emissões de GEE são consistentes com, entre outras coisas, expandir as oportunidades econômicas, usar os recursos de forma mais eficiente, impulsionar a competitividade econômica e a inovação e fortalecer a resiliência''.

Indígenas de diferentes povos em protesto durante a COP26. As comunidades originárias estão na linha de frente da luta contra a crise climática. BEN STANSALL/AFP via Getty Images

A publicação segue em consonante com o Acordo de Paris, tratado internacional estabelecido em 2015, que tem como principal objetivo fazer com que os países limitem suas emissões de GEE, para que o aumento da temperatura média do planeta não ultrapasse 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Ela é uma continuação das movimentações da ONU, iniciadas em meados de 1980. Em 1992, a instituição organizou o primeiro encontro que reuniu o maior número de lideranças estatais globais para pautar o clima e a contribuição da ação humana para as alterações climáticas. Sediado no Rio de Janeiro, o encontro foi o famoso Rio 92 ou Eco 92, que debateu, em suma, quais seriam as prioridades para o combate à crise.

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Três anos depois, em 1997, ocorreu a primeira Conferência das Partes (COPs, do inglês Conference Of the Parties), na cidade de Berlim. Ali, chefes de estado, entidades e ativistas discutiram como implementar as ações em nível legal e institucional, bem como a implicação de cada país do globo. Apenas na COP3, no Japão, algumas metas foram elencadas, dando origem ao Protocolo de Kyoto, que hoje foi repaginado como o Acordo de Paris. Se até 2015, a responsabilidade de mitigar a crise era maior para países chamados desenvolvidos, hoje todos têm obrigações semelhantes. Vale destacar que o presidente Jair Bolsonaro havia ameaçado retirar o Brasil do Acordo, mas na COP26 houve uma medíocre tentativa de suavizar a imagem do país que concentra a maior parte do território amazônico para o resto do mundo, por meio de alguns pactos, como o de zerar o desmatamento.

Não temos tempo

Embora a mobilização que a COP promova seja um elo nas ações contra a crise climática, não temos até 2030 ou 2050 para que ações sejam tomadas com eficácia. As consequências já são experienciadas, principalmente pelas mulheres, populações não-brancas e de países da periferia global. Mesmo assim, pouco tem sido feito. Conforme o Emissions Gap Report 2019, atualmente seria necessário reduzir as emissões em 7,6% ao ano, mas os Estados estão longe disso. Ainda segundo o relatório, o planeta necessita de aumento de cinco vezes nos compromissos coletivos atuais.

Manifestantes pedindo ''fora Bolsonaro'' durante a COP26. ANDY BUCHANAN/AFP via Getty Images

A moda, como terceiro maior setor manufatureiro do mundo, movimenta 2,4 trilhões de dólares anualmente e é responsável por de 3% a 10% das emissões de GEE no mundo, conforme dados de 2020 da Global Fashion Agenda. Além disso, estima-se que a produção de vestuário aumente 2,7% ao ano entre 2020 e 2030, o que significa que as emissões seguirão subindo mesmo com fontes de energia menos nocivas. A maioria delas ocorre nas etapas de produção ou da matéria-prima. As marcas, entretanto, não parecem nem olhar para o problema. O Índice de Transparência da Moda Global 2021, que analisou 250 grandes marcas internacionais, descobriu que 62% publicam sua pegada de carbono em suas próprias instalações, mas só 26% divulgam essas informações sobre a fabricação, e apenas 17% sobre as matérias-primas.

O Brasil não foge tanto ao cenário mundial. No Índice de Transparência da Moda nacional 2020, apenas 5% das 40 empresas analisadas publicam anualmente a pegada de carbono ou as emissões de GEE de sua cadeia de fornecedores. Isso falando apenas das emissões, mas ainda existem inúmeros desdobramentos da crise climática ligados a destruição de solos e águas, bem como agravamento da desigualdade social, racismo ambiental, etc. O que fica nítido ao analisar a realidade, é que se os grandes conglomerados de moda continuarem com o mesmo sistema produtivo, pouco ou nada irá mudar. Mais do que adquirir o direito de poder poluir, ou o direito de degradar menos, precisamos de outras formas de relação com a Terra, que inevitavelmente passam por abandonar o extrativismo industrial, a exploração de pessoas e o lucro de uma peça de roupa acima da vida.

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