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Em 2015, Davii Fernandes precisava mudar de vida. Pouco tempo antes, terminou um casamento, mudou de emprego e decidiu ir para Portugal, à convite de uma amiga. Ia estudar, tirar um período sabático e pensar no que realmente queria. Nunca mais voltou. Quer dizer, até voltou algumas vezes, mas só para visitar amigos e familiares. Hoje, ele comanda sua marca homônima com uma loja e ateliê, em Porto, e outros cincos pontos de vendas na Europa.


Mas vamos do começo: Davii nasceu em São Bernardo do Campo, no dia 11 de outubro de 1978. Na adolescência, se mudou para Santo André, onde estudou administração na universidade. Ou quase. "Não deu certo, larguei e fui trabalhar numa oficina de carro", diz ele, de seu ateliê, por Zoom. Ficou nisso até que recebeu um convite para ser vendedor de uma marca no saudoso Mercado Mundo Mix.

A etiqueta, no caso, era do estilista Arnaldo Ventura. Davii se deu também que acabou crescendo dentro da empresa. Ficou responsável pelas vendas e pelo styling das campanhas, comunicação e desfiles na Casa de Criadores. "Trabalhei lá por 18 ou 20 anos até que as coisas começaram a não fazer mais sentido para mim. Estava cansado de tudo, queria dar um tempo e decidi sair." Foi quando veio o convite para viajar a Portugal.

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Ao chegar lá, sua amiga estava montando um bar e, para ganhar algum dinheiro, foi trabalhar com ela. "Começava às 10h e ia até as 03h da manhã. Precisava me manter ocupado", desabafa. Porém, a viagem, sua primeira para fora do Brasil, tinha outro objetivo: estudar. Queria aprender mais sobre alfaiataria. "Achei um alfaiate, o Sr. Manuel, em Grijó, vilarejo onde morava, e comecei a trabalhar com ele. Me tornei assistente desse senhor, mas demorei meses para poder colocar a mão na massa. Foram seis meses sentado, observando ele costurar, até que ele me pediu para fazer a barra de uma calça."

Durante o período em que trabalhou com Ventura, Davii já havia se aventurado pela criação e confecção, ainda que timidamente. Logo que saiu da marca, tentou lançar um negócio próprio, mas as dificuldades eram tantas que acabou não indo para frente. Meio que inconscientemente, porém, viajou com algumas de suas peças na mala. Ainda bem.

Quando seu visto estava para vencer, um amigo mostrou as roupas de Davii para a dona de uma multimarcas de Porto, a Magasin. Não deu cinco minutos, o estilista recebia uma ligação da própria com uma proposta para colocar aqueles itens à venda. E vendeu. Tudo. Em tempo recorde.

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Nos dias seguintes, Davii estava dando entrada na papelada para ficar de vez em Portugal. Também comprou uma máquina de costura e tratou de fazer mais peças para repor o estoque esgotado. A segunda coleção para a Magasin foi tão bem-sucedida que ele pôde deixar o emprego no bar e se dedicar totalmente ao novo negócio.

Não que tenha sido uma decisão fácil. Precisou de alguns bons empurrõezinhos de amigos, com destaque para Neon Cunha. A publicitária, artista e ativista foi uma das maiores apoiadoras da carreira de Davii. Hoje, ela atua como uma espécie de consultora criativa da marca que leva seu nome, e teve papel essencial no processo de construção de identidade da etiqueta.

As roupas da Davii são simples apenas visualmente. Feitas de um mix entre alfaiataria e moulage, escondem um processo criativo complexo, cheio de detalhes. As peças são bastante objetivas na sua mensagem, porém sempre abertas a construções outras. É que o estilista gosta que suas clientes possam projetar suas próprias identidades e estilos sobre o que cria.

"Se você me perguntar quais são minhas inspirações, quem são as mulheres para quem crio, não vou saber responder", diz. "Sou muito intuitivo, não gosto de idealizar nada muito literalmente. Quando faço roupa, não coloco uma imagem específica na minha mente." No caso, ele coloca um pano – geralmente seda ou organza – sobre um manequim e começa a modelar ali mesmo. Corta, prega, dobra e costura livremente. Importa mais a forma, o caimento e a construção do que qualquer outra coisa.

E tem dado certo. Nos últimos dois anos, Davii recebeu convites para desfilar em Veneza, para participar de um showroom em Milão e para integrar o line-up da semana de moda de Portugal. Suas roupas aparecem com frequência em publicações de moda de diversos países e a procura por clientes só aumenta. E se foi assim durante a pandemia, imagina depois da vacina.

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