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Uma das estilistas mais inovadoras da moda internacional, Iris Van Herpen é especialista em misturar o trabalho artesanal com tecnologias multidisciplinares na alta-costura. Desde que fundou sua etiqueta homônima, em 2007, a holandesa sempre dá um jeito de desafiar limites com impressão 3D, corte a laser e fabricação digital, além de materiais atípicos, como borrachas de silicone e fios industriais. “Costumo trabalhar com fornecedores de fora da moda, os instigando a pensar diferente para desenvolver os materiais que tenho na cabeça”, conta a designer, convidada do último encontro do #MovimentoELLE.

Um exemplo é a coleção Earthrise, de inverno 2022, em que Iris colaborou com a campeã mundial de paraquedismo, Domitille Kiger, na construção de um vestido para um salto coreografado. “Como não podíamos fazer um desfile físico, começamos a pensar fora da caixa e no que aconteceria se criássemos uma roupa para ela”, conta Iris. “Danço desde criança e fiz meu primeiro salto de paraquedas aos 17, então, percebi que há uma perspectiva estética nessa coreografia criada no ar, isso me fascina”.



Para chegar ao resultado final, foi necessário uma série de testes de resistência, começando por simuladores indoor. “A queda é muito veloz e os ventos fortíssimos, então, todas as primeiras peças-pilotos desintegraram”. Com materiais adequados e mais alguns saltos práticos, a equipe finalizou o vestido, feito a partir de milhares de esferas em diferentes tamanhos e gradientes de cor, cada um cortado à mão e costurado separadamente. “O traje aguentou muito bem, acho que ela pulou umas seis vezes com ele no dia da filmagem”.

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Apesar de hoje ter uma estrutura que a permite realizar seus sonhos couture mais ousados, Iris Van Herpen já enfrentou e ainda enfrenta os mesmos desafios que pequenos e médios empreendedores de moda encaram no Brasil, como equilibrar criatividade e negócios ou definir a própria identidade e propósito como designer. “São questões que às vezes levam 10 anos ou mais para solucionar, mas você precisa ter uma ideia delas desde o início, se quiser fazer a diferença.”



A sustentabilidade também é um desafio para a estilista. “Ainda há muito progresso a ser alcançado e nós, como estúdio, realmente queremos dar um exemplo de como isso pode funcionar e quais os materiais possíveis.” Nesse aspecto, as parcerias são importantes. “Trabalhamos há 10 anos com o estúdio de arquitetura canadense Philip Beesly, pois eles têm especialidades diferenciadas no corte a laser, em impressão 3D e até em biotecnologia”, conta Iris. “Também colaboramos com o artista francês Rogan Brown, que busca inspirações na biologia, traduzindo texturas microscópicas de dentro das estruturas de plantas para o seu trabalho”, completa ela. A seguir, outros destaques da conversa:

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Trabalho em equipe

“Não existe um designer sequer nesse planeta que consiga manter uma marca sozinho. É necessário encontrar e atrair as pessoas certas, com os mesmos valores que os seus, que tenham uma boa conexão, porque elas podem te construir ou destruir.”

Erro e acerto

“Não deixe seus medos tomarem conta, porque há muitas coisas que podem dar errado, mas você deve confiar em si mesmo e nas pessoas à sua volta. Se quiser fazer certo desde o início, sempre haverá coisas que darão errado. É primordial aceitar isso.”

Passo a Passo

“Se tornar famoso da noite para o dia raramente acontece. Dê um passo de cada vez, caso contrário, pode ser muito sufocante. E tente aproveitar todo o processo. É muito importante criar uma energia positiva. É a única maneira de dar uma alma à sua coleção e torná-la única.”

Processo criativo

“Às vezes é legal misturar e começar de um ponto de vista diferente, isso sempre cria um novo resultado. Se você está acostumado a começar do croqui, pode ser um pouco assustador iniciar na modelagem ou no material, mas é muito revigorante sair da zona de conforto.”

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Futuro sustentável

“Tenho orgulho de conseguir criar um sistema sem produção excessiva e com espaço para desenvolver nossos próprios materiais, colaborando com outras empresas sustentáveis. Se nós temos a capacidade para fazer isso, outros também têm, e me sinto otimista que a nova geração de estilistas tem essa mentalidade. Eles certamente serão a energia por trás dessa revolução necessária.”

Físico ou digital

“Acho que não temos que escolher desta forma. No processo no ateliê, por exemplo, não escolhemos entre a confecção tradicional e a tecnologia, mas combinamos os dois. Não quero perder minha experiência física, mas a moda pode se tornar uma realidade mista, permitindo que um público maior a acesse. Eu só vejo impactos positivos em misturar os dois mundos.”

Redes sociais

“É ótimo compartilhar vídeos ou projetos com pessoas interessadas. Elas podem se aproximar mais ainda dos processos, mesmo que estejam do outro lado do mundo ou que nunca tenham visto um desfile. Mas tem que ter cuidado, pois é fácil se viciar com tanta coisa acontecendo. Sei que não posso me distrair, porque o trabalho em si e o processo de design precisam de muita atenção. Com o equilíbrio certo, é uma ferramenta poderosa e a maneira mais pessoal de criar uma comunidade”.

O que é o #MovimentoELLE
O #MovimentoELLE é um projeto solidário idealizado pela ELLE e pensado para impulsionar o desenvolvimento sustentável entre pequenos empreendedores de moda.

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