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Era o início dos anos 1980, e o reinado das supermodelos ainda não havia começado. Por outro lado, era a “nova Renascença”. Pelo menos nas palavras de Francesco Alberoni, sociólogo italiano impressionado com o luxo da festa de natal de um certo signor Armani, em 1982. Luxo, de fato, era a palavra-chave nos ateliês da Valentino, Ferré, Krizia, Fendi, Missoni, Moschino e, é claro, Versace. Este último era o epítome da aura de poder trazida com a redescoberta moda italiana. Não à toa, foi escolhido pelo diretor Ridley Scott para protagonizar uma cena em seu filme House of Gucci (2021).

O momento no longa é breve. Um ingênuo Maurizio Gucci (Adam Driver) é convidado para o desfile de verão 1983 da Versace, apenas para ser ridicularizado nos bastidores por um jovem vitrinista que expõe a ultrapassada dinastia Gucci frente ao gênio moderno de Gianni Versace. A cena ajuda a enfatizar aguinada sensual da marca florentina, liderada por Tom Ford, em 1995, que também é apresentada no filme, ainda que mais simbólica do que verídica.

O desfile da Versace, entretanto, realmente aconteceu e foi significativo do sucesso da mente criativa por trás da medusa que conquistou a moda. À essa altura, em outubro de 1983, Gianni já era um ícone, celebrado por sua visão de feminilidade. Desde 1972, seus desenhos faziam sucesso em marcas como Callaghan e Genny, antes de fundar uma casa com seu nome, em 1978. A primeira boutique Versace, na Via della Spiga, em Milão, com mármore branco e estátuas clássicas, era luxuosa, mas não tão palaciana quanto sua própria residência de três andares há apenas alguns metros de distância, na Via Gesù.

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A decoração era digna de um príncipe florentino e provavelmente incomodou famílias mais tradicionais do Norte, que não se impressionavam com os italianos do Sul, como os Versace. Ainda assim, era resultado do sucesso de Gianni, que parecia estar constantemente idealizando – e realizando – inovações. Na temporada anterior, por exemplo, o estilista introduziu uma de suas maiores assinaturas: o Oroton, uma malha metálica leve e delicada, inspirada nas luvas de açougueiros e desenvolvida por um artesão alemão, que possibilitava a criação de vestidos fluidos, com aparência líquida.

Na primavera de 1983, o tecido retornou às passarelas com novidades. Estampas de estrelas-do-mar, listras de zebra e motivos geométricos em tons de prateado, dourado, vermelho e verde metálicos davam forma aos novos designs femininos. Sexy e ultramodernos, ostentavam tecnologia e genialidade.

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Geometrias e estampas animais também surgiram em preto e branco, quase sempre desfilados por duas ou mais modelos ao mesmo tempo, em uma espécie mosaico sensual em movimento. Das coleções masculinas, Versace trouxe o xadrez Príncipe de Gales em tecidos leves. A intenção era vestir mulheres dinâmicas com roupas funcionais.

Cheios de personalidade, as peças e acessórios misturavam estilos e materiais. Camisas de linho branco bordadas com pérolas, telas de algodão combinando com crepe de seda, pequenos detalhes em madeira, metal e marfim e calças com sobreposições de couro e algodão.

Campanha da cole\u00e7\u00e3o ver\u00e3o 1983, da Versace.Campanha da coleção verão 1983, da Versace.Foto: Reprodução/Richard Avedon

A passarela branca, dividida ao meio por uma linha preta, começava com uma escadaria por onde as modelos desciam para encarar fotógrafos alucinados. Gianni Versace era mestre em criar cenários para espetáculos memoráveis e sabia a importância de conduzir todas as frentes de sua marca na mesma direção. Para a nova campanha, chamou o fotógrafo americano Richard Avedon, com quem trabalhava periodicamente desde 1979.

“Risotto”, como Gianni o apelidou, já havia feito imagens icônicas para a Versace, como as da campanha para a temporada anterior, de inverno 1983, evocando as pinturas românticas de Delacroix e Géricault. Agora, reunia modelos como Jerry Hall, Lauren Helm, Lynn Koester e Janice Dickinson em sets elegantes e minimalistas para divulgar as novas criações.

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Campanha da cole\u00e7\u00e3o ver\u00e3o 1983, da Versace.Campanha da coleção verão 1983, da Versace.Foto: Reprodução/Richard Avedon

O resultado, como de costume, era uma explosão de identidade. Nas passarelas ou nos estúdios, o nome Versace provocava e seduzia, produzindo uma mitologia própria e conquistando espaço como símbolo de status – uma sensação apropriada em uma década obcecada pelo poder e as aparências.

Para qualquer um, incluindo Maurizio Gucci, seria impossível desviar os olhos da medusa que recebia aplausos fervorosos ao final de cada temporada. Nesta, em particular, outra criatura fascinante desceu os mesmos degraus que suas modelos. Sem serpentes nos cabelos ou olhar petrificante, estava de camisa azul e gravata amarela, um suéter pendurado no ombro e lágrimas emocionadas. Era Gianni Versace colhendo os frutos de sua criatividade.

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