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No embalo da nostalgia reconfortante que a moda vem trazendo nesses tempos de pandemia e desesperança, alguns símbolos que foram marcantes em décadas passadas voltam a enfeitar os looks em anéis grafados, bolsas lúdicas, sapatos irreverentes e conjuntos estampados. É praticamente impossível passar alguns minutinhos no Instagram sem se deparar com um Smiley, uma referência ao yin-yang ou ao flower power.

O caráter lúdico e otimista que eles transmitem têm conquistado uma galera que busca por escapismo e aconchego na forma de se vestir. Mas para além de toda a memória afetiva que proporcionam, existem histórias curiosas sobre as suas origens e significados. A seguir, contamos um pouco sobre elas.

Yin-yang


O símbolo do equilíbrio voltou a ganhar destaque neste momento em que vivemos uma alta valorização do misticismo e uma forte onda de nostalgia na cultura pop e na moda. Representado por um círculo dividido por uma espécie de S, sendo um lado branco com um ponto preto e o outra preto com um ponto branco, o princípio do yin-yang é parte fundamental da filosofia chinesa.

Seu conceito se baseia em forças opostas presentes no universo que precisam umas das outras para existir. Yin é o pólo ligado ao feminino, às sombras, à calma, à intuição, à passividade e à Lua; enquanto yang corresponde ao masculino, à luz, à ação, à racionalidade e ao Sol. Para os chineses, encontrar o equilíbrio entre elas é o segredo para se ter corpo e mente saudáveis.

Embora seja uma sabedoria milenar, foram os hippies dos anos 1960 que introduziram seu emblema na moda ocidental. Depois, nos anos 1990, os grunges reativaram o interesse pelo círculo preto e branco, fazendo crescer novamente a busca por camisetas, jaquetas, gargantilhas, adesivos e, até mesmo, tatuagens que o levavam estampado.

Flower power


Os hippies também fizeram as estampas florais mais gráficas se popularizarem nos anos 1960 e 1970 graças ao flower power – seu lema que representava a ideologia da não-violência, da harmonia e o repúdio à Guerra do Vietnã. Quem criou o termo foi o filósofo e ativista Allen Ginsberg, em 1965, a fim de incentivar a vida em comunidade e livre das dominações capitalistas.

Por isso, eles sempre distribuíam flores em seus protestos pacíficos e as usavam como enfeite de cabelo, fossem presas na orelha, espalhadas pelos fios ou formando uma coroa. O exterior de suas vans comunitárias eram transformados em verdadeiros jardins com pinturas coloridas, assim como muitas de suas roupas. Logo, os designers da época começaram a se inspirar no espírito livre dos hippies, levando para as vitrines e para as passarelas esse simbolismo.

É claro que as estampas florais já estavam presentes na moda muito antes disso – e nunca ficaram de fora, sendo considerada uma das padronagens mais clássicas de todos os tempos. Porém, o diferencial da época eram flores ampliadas, com cores vibrantes, geralmente desenhadas de frente, com o miolo ao centro, as pétalas ao redor e sem folhas.

Agora, essa mesma estética gráfica e arrojada volta a brilhar com a invasão de margaridas nas roupas e acessórios. A florzinha branca, muito querida pelos hippies, também já havia feito sucesso nos anos 1990, mas em versões muito mais delicadas. Dessa vez, elas retornam sem modéstia, em miçangas grandonas, cores diversas e estampas cheias de contraste.

Smiley


A carinha amarela sorridente queridinha da cultura pop também teve um empurrãozinho dos hippies para ganhar o mundo, mas não foi criada por eles. Os créditos não-oficiais são do artista gráfico estadunidense Harvey Ball. Em 1963, ele foi contratado por uma empresa de seguros para desenhar uma campanha que estimulasse os funcionários a sorrir mais para os clientes. Harvey diz que a sua inspiração foi o sol e que levou menos de dez minutos para desenvolver a ilustração. Recebeu 45 dólares pelo serviço e nem ele nem a empresa registraram o desenho.

Alguns anos depois, os hippies descobriram o símbolo e se encantaram, produzindo adesivos e pôsteres com o simpático sorriso para espalhar a positividades. Os irmãos Bernard e Murray Spain também contribuíram para essa difusão, mas com interesses puramente financeiros. A dupla se apropriou da criação de Harvey e a registrou junto com a frase "Have a nice day" em 1970, vendendo mais de 50 milhões de canecas, camisetas, bottons e outros souvenires em apenas um ano para uma população que buscava otimismo em tempos de guerra do Vietnã.

Apesar da autoria de Harvey ser a versão mais aceita e difundida, o francês Franklin Loufrani alega ter sido ele o pai do Smiley. Sua intenção teria sido criar um símbolo simples que fosse compreendido por pessoas de qualquer idioma. O desenho foi batizado e lançado em 1972 em uma campanha promocional de um jornal para sinalizar notícias alegres. Ele fez o registro do nome e da ilustração em mais de 100 países, criando a Smiley Company, que até hoje fatura com a patente da carinha sorridente.



Misturando diversas referências que passam pelo retrô e pelo kidcore, o estilo traz cores e formas lúdicas para os universos do design, da moda e da beleza. Seria a tendência uma manifestação sintomática de otimismo ou uma vontade escapista contra tempos sombrios?


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