Desconheço algo mais íntimo do que a leitura. Não como hábito, mas como encontro. Quando a leitura engrena, ela não se enrosca numa mente plana, guardando dados numa gaveta, mas se infiltra no mistério do que nos compõe: memórias escondidas, frestas da infância, o vinco de um trauma ou de um prazer; a geografia marciana tão inexplorada quanto viva das experiências que acumulamos. 

Na prática, a leitura também encontra as frases funcionais da vida. Bom dia. Boa tarde. O que deseja? Encontra o diagnóstico dito pelo médico, o veredito do juiz, a correção da professora de matemática, até perfurar mais adiante e entrar no mar aberto da experiência individual e intransferível de cada leitor. Nesse campo magnético, dois repertórios se fazem mútuos, o do escritor e o do leitor.

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