Acordei, no meio da noite, toda espalhada na cama. O colchão me olhou meio com cara de espanto. Fazia um tempão que ele e o lado direito do lençol reclamavam a falta de uso. Dei de cara com o travesseiro desocupado de João Guilherme. Foi a primeira vez que, antes de chorar o vazio, reparei que o meu é mais murcho do que o dele. Troquei na hora e agora tô com esse pescoço de bebê, me deu até ânimo de ir ao super de manhã cedo. Uma belezinha, tinha tudo que eu precisava. Tinha até mais do que o que eu precisava. Quanto tempo que eu não prestava atenção nas iguarias do super, o básico anda tão caro, né? 

Mas hoje, não. Na prateleira dos vinhos, achei um que paquero desde sempre, só me faltava coragem pra comprar. Tem o mesmo nome do que o que João Guilherme bebia, só que o meu é reserva. Pois que a etiqueta do danado marcava menos de 40% do preço original, e essa nem é a prateleira da promoção. Foi bem na hora em que eu vi o vinho que voltei na entrada rapidinho pra trocar a cestinha por um carrinho. Tá vendo quanto diminutivo? É que fiquei assim cheia de sangue doce com a delicadeza do mercado e a falta de nó no pescoço. 

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