Entre a leveza do linho, a desconstrução da alfaiataria e a descontração típica do Rio de Janeiro, novas marcas cariocas têm revisitado códigos clássicos a partir de um olhar íntimo e autoral. Nascidas em sua maioria nos últimos cinco anos, essas etiquetas partem de uma mesma origem geográfica para encontrar caminhos próprios para traduzir o ritmo, o clima e as contradições da cidade. Conheça seis expoentes da nova safra de criadores que revelam os bastidores de fazer moda no Rio.
Argalji
Monique Argalji cresceu entre as máquinas de costura da fábrica de lingerie de sua família, no Rio de Janeiro. Uma carreira na área de moda era certa para ela. A primeira empreitada foi em 2007, aos 20 anos, e ao lado da irmã. Elas lançaram a My Philosophy, seguindo o repertório de roupa íntima, com peças ajustadas ao corpo e possíveis de serem usadas nas ruas. Em 2010, Monique decidiu estudar modelagem na Parsons School of Design, em Nova York, e emendou outro curso na Central Saint Martins, em Londres. De volta ao Brasil, em 2016, abriu outra etiqueta de moda, a Lab Collection, com o intuito de desenvolver um projeto mais experimental. O empreendimento fechou para catapultar uma etiqueta ainda mais autoral e que carregasse o sobrenome da designer. Nasceu assim, em 2018, a Argalji.

A marca propõe silhuetas esculturais, materiais inusitados e uma boa dose de brasilidade modernista. As referências passam pelas artes psicodélicas, pela geometria de Athos Bulcão e até pela irreverência dos blocos de Carnaval de rua. Entre os best-sellers está o vestido de lycra Anquinha, com camadas internas de espuma para ampliar o volume no quadril.
“Sou do Rio, então a conexão com o espaço é natural. Há uma essência despretensiosa que vem desse nosso jeito de se vestir espontâneo e nada rígido”, diz Monique. Hoje, a Argalji funciona com produção sob medida e aluguel de itens, dentro de um modelo de negócio que, segundo a empresária, é mais sustentável e equilibra as demandas comerciais com as criativas. “A maior vantagem é poder fazer com autonomia e respeitar o meu tempo.”
Èssis
A Èssis nasceu do encontro de dois colegas de faculdade, Alexandre Santos e Miguel Sasse. Ambos têm epilepsia e a vontade de expressar as particularidades de suas vivências tomou forma em um trabalho de conclusão de curso, que acabou virando marca em 2024. A etiqueta é estruturada a partir de temas subjetivos, como força, fragilidade e a noção de deslocamento. “A vida com a epilepsia traz para a gente uma sensação de não pertencimento que amplia nossa sensibilidade”, afirma Miguel. “A partir disso, construímos uma ruptura com o ideal praiano da moda carioca. Muita gente acha que nem somos daqui.”

A percepção de mundo, individual e compartilhada pelos fundadores, aparece na escolha de materiais, como jacquards e jeans com texturas e relevos, além de volumes inflados que intensificam o efeito tátil dos produtos. Tudo, porém, é bastante usável e de pegada street, como bermudões camuflados, camisetas boxy estampadas, jaquetas, bonés e gravatas.
Presente na Casa de Criadores desde a 56ª edição, em 2025 a marca busca ampliar a noção daquilo que é carioca. “Novas vozes trazem novas narrativas, e isso transforma a moda em algo mais honesto e relevante”, acredita Alexandre.
Mariana Barbetta
A carioca Mariana Barbetta se formou em design de moda no Istituto Marangoni, de Paris, em 2024.
ao melhor da ELLE!Assine a ELLE View e tenha acesso a conteúdos exclusivos na área premium do site: reportagens especiais, análises de mercado e de passarelas, insights e colunas especializadas.A partir de:R$ 9,90 / Mês Já é assinante? Faça aqui seu login