Finalista no Craft Prize da Loewe, Vivi Rosa molda esculturas com memórias e materiais reaproveitados

Vivi Rosa fundou a Casa Ondina, em 2018, em São Paulo, onde expõe seu trabalho e de artistas independentes.


Vivi Rosa
Vivi Rosa, na foto, é finalista do Craft Prize, da Loewe Foundation. Foto: Hadrien Raitan



A trajetória artística de Vivi Rosa começou na sua origem. Ela cresceu no distrito de Rio do Salto, em Cascavel (PR), onde aprendeu que tudo pode ser feito com as próprias mãos. “Minha família era simples e o recurso que a gente tinha era da natureza, da floresta”, relembra. “A nossa decoração em casa era basicamente pedaços de madeira, que ele (o pai) pegava com o facão e transformava em alguma escultura. E também, quando morria algum animal, ele empalhava. Então, minha casa parecia um museu.”

Hoje, essa vida no interior, bucólica, inspira suas esculturas de formas orgânicas, modeladas com uma massa composta por materiais reaproveitados. “Eu resgato objetos descartados, que não têm mais utilidade, e dou outro destino”, conta a artista de 44 anos que hoje vive na cidade de São Paulo. “Às vezes eu falo que a minha mão vem à frente da minha mente.”

Vivi Rosa

Foto: Hadrien Raitan

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Uma das suas peças, recentemente, alcançou o posto de finalista da 9ª edição do Craft Prize, promovido pela Loewe Foundation. Trata-se de Ressonância, uma obra que envolve memórias de infância, no campo, quando acompanhava a mãe durante a ordenha.

“Todas as manhãs, eu pegava minha canequinha de alumínio na cozinha, corria até a estrebaria e ficava com a canequinha do lado da minha mãe, para ela colocar o leite na caneca”, recorda. “Esse barulho do leite na caneca de alumínio, esse som, é muito específico e eu nunca consegui esquecer.”

A forma da peça também faz referência às tetas da vaca, além de um sentimento que tomava Vivi, a partir da observação do animal parado, esperando a ordenha terminar. “É realmente uma memória muito íntima e pessoal.”

Vivi Rosa

Obra Ressonância, de Vivi Rosa. Foto: Gabryel Sampaio

A massa que molda Ressonância mistura vidro, algodão desfiado, adesivo, pigmentos e cimento. Vivi conta que, na época em que a criou, buscava novas matérias para suas manifestações artísticas.

“Nessa minha lógica, de como eu iria desenvolver, criar uma massa, eu tinha alguns fatores muito claros comigo. Ela teria que ter materiais de descarte, de reuso, porque faz parte da minha essência e da minha pesquisa”, diz. “Teria que ser também algo que eu pudesse carregar, que pudesse controlar o peso, ser uma massa que aguentasse a área externa e que me possibilitasse deixar a obra com uma estética bela.”

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Vivi Rosa

Foto: Hadrien Raitan

Atualmente, as obras de Vivi podem ser encontradas na Casa Ondina, ateliê que abriu em 2018, no bairro do Pacaembu, em São Paulo, voltado também para exibições de artistas independentes. Ela tem ainda obra exposta na 53ª edição do Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, em Santo André, até o dia 8 de julho. 

“Encerrei recentemente uma exposição em Roma e estou me preparando para o prêmio agora”, conta. “Acho que vai ser um divisor de águas na minha carreira.”

Vivi Rosa

Foto: Hadrien Raitan

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O vencedor do Craft Prize da Loewe será anunciado no dia 12 de maio, após uma exposição coletiva na Galeria Nacional de Singapura, e ganhará 50 mil euros (cerca de 294 mil reais). Mais duas pessoas receberão menção honrosa e levarão 5 mil euros (29,4 mil reais). Os três vencedores também farão uma residência artística de dois meses no La Residencia, um hotel Belmond, em Maiorca, na Espanha.

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