RioFW 2026: Dendezeiro
Hisan Silva e Pedro Batalha, estilistas por trás da Dendezeiro, olham para a cultura ballroom sem se prender a artifícios estereotipados.
A Dendezeiro segue em boa fase. A marca comandada por Hisan Silva e Pedro Batalha passou por uma virada de chave importante em 2025, mais precisamente no último desfile apresentado na São Paulo Fashion Week. A gente já falou um pouco sobre em uma reportagem do editor Gabriel Monteiro no Volume 22 da ELLE Brasil, vale conferir. Para a estreia na Rio Fashion Week, a dupla parte do ballroom estadunidense, subcultura fundada por pessoas dissidentes, travestis negras e latinas entre as décadas de 1960 e 1980, e como ele foi incorporado à cultura queer brasileira nas últimas décadas.

Dendezeiro. Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite

Dendezeiro. Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite

Dendezeiro. Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite
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O tema já foi trabalhado diversas vezes e de muitas maneiras por outras labels. Alguns podem enxergar certo estranhamento na escolha de um movimento que não é brasileiro. Os estilistas defendem que a cena se transformou quando chegou por aqui, principalmente ao ser misturada com o pagode baiano, com o funk carioca e até com o piseiro. E não deixa de ser verdade o tamanho da influência dos ballrooms para jovens LGBTQIA+ em todo o mundo.
Das pistas de dança e das competições de vogue que marcavam os bailes que se popularizaram nos anos 1980 em Nova York, Hisan e Pedro trazem os comprimentos curtíssimos, os decotes vertiginosos e a atitude dos modelos. Seria muito fácil, no entanto, colocá-los dançando na passarela – esse artifício virou clichê temporadas atrás. Foi uma escolha feliz não seguir por tal caminho.
Agora, falando um pouco mais da coleção, é também a primeira vez que a etiqueta utiliza o látex em suas criações. O material aparece em baby tees justíssimas com o brasão da House of Dendezeiro, nome da coleção. Outro destaque fica para o uso do couro em jaquetas quadradas e calças de cintura baixa com amarrações, criadas em parceria com a designer Ligia Morris.

Dendezeiro. Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite

Dendezeiro. Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite

Dendezeiro. Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite
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As colaborações e o reforço de sua comunidade, aliás, são outro ponto alto dessa fase da Dendezeiro. Teve dobradinha da parceria com a DOD Alfaiataria, que aqui aparece nos looks com silhuetas em forma de ampulheta, com blazers e casacos com ombros marcados e calças superacinturadas. Teve intervenções do artista Saturno, como no visual usado por Alton Mason para fechar a apresentação em grande estilo. Teve a Titi, filha de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, desfilando e arrancando aplausos da plateia, mostrando que a Dendezeiro vai além de qualquer idade. E teve também o olhar de Suyane Ynaya, que assina o styling dos últimos dois desfiles. No backstage, os estilistas contam como as referências trazidas por Suy e conversas que eles têm ajudam a trazer o refinamento necessário para este momento.
Mas o interessante mesmo é ver como a Dendezeiro vem amadurecendo e trabalhando códigos que os interessam a cada temporada sem se deixar levar pela caricatura. As roupas dessa coleção funcionam tanto para um rolê no Harlem, onde o movimento ballroom nasceu, quanto para um baile funk. E está aí a magia dessa coleção.

Dendezeiro. Foto: Gabriel Cappelletti / Agência Fotosite

Dendezeiro. Foto: Gabriel Cappelletti / Agência Fotosite
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