A maternidade é um terreno fértil para criar expectativas, mas também para perceber que você nunca estará, de fato, no controle. É assim que Gabriela Santos Paranhos Saar, 34 anos, enxerga o maternar. Em janeiro de 2025, ela levou Martina, sua filha, então com 1 ano recém-completado, ao pronto-socorro por causa de uma febre persistente. Outros sintomas começaram a surgir: sonolência, prostração, nuca rígida, vômito e convulsão. Entre uma semana de idas e vindas ao hospital e uma bateria de exames, os médicos fecharam o diagnóstico: uma meningite bacteriana, que resultou em uma meningoencefalite que, quando não é fatal, costuma deixar sequelas severas. 

Até então, Gabriela vivia o que descreve como “a melhor fase da sua vida”. Programadora no mercado financeiro, ela havia conseguido seis meses de licença-maternidade e, ao retornar ao trabalho, matriculou a filha em uma creche. Entre a carreira, a maternidade e a rotina como esposa e corredora amadora, sentia que tudo finalmente estava em equilíbrio.

O cenário mudou quando, após o diagnóstico, Martina ficou quatro meses em coma na UTI do Hospital Infantil Sabará e adquiriu sequelas permanentes, como paralisia cerebral e epilepsia. A bebê também perdeu 100% da visão e da audição, sua alimentação passou a ser feita via sonda gástrica e, agora, ela necessita de cuidados integrais que incluem medicação intravenosa, terapias ocupacionais, fonoaudióloga e consultas frequentes com especialistas. 

“Depois daquela internação, nossa vida nunca mais foi a mesma. Em um dia minha filha estava saudável, andando, brincando, comendo, rindo; no outro, estava entubada, com infecção generalizada e lesões irreversíveis no cérebro. Tive que lidar com o luto de me adaptar a uma nova Martina, de me tornar uma mãe atípica e também com a culpa de ficar longe do trabalho”, conta.

Neste mês que celebra o Dia das Mães, a ELLE View ouviu diferentes mães e especialistas para compreender quais os pontos de convergência, mas também de inflexão no maternar. E a resposta é unânime: não existe uma maternidade brasileira. Existem muitas, e elas raramente se parecem. 

O Brasil está tendo menos filhos — e as que são mães carregam mais

A mulher brasileira está tendo menos filhos e adiando a maternidade.

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