Cannes 2026 apresenta filme de Pedro Almodóvar e documentário sobre Richard Avedon
Sem brasileiros e com apenas dois estadunidenses, festival aposta nos europeus na competição.
Um ano depois de o Brasil ser celebrado no Marché du Film e de O agente secreto ter saído com dois prêmios do júri oficial, o Festival de Cannes 2026 começa nesta terça (12.05) com presença modesta do Brasil e da América Latina em geral.
Laser-Gato, do brasileiro Lucas Acher, está na competição da Cinef, para curtas-metragens feitos em faculdades, mas concorre por uma escola estadunidense, a New York University.
A produtora brasileira RT Features, de Rodrigo Teixeira (um dos produtores de Ainda estou aqui), está envolvida em Paper tiger, longa-metragem do estadunidense James Gray que disputa a Palma de Ouro. De acordo com o site do evento, porém, trata-se de uma produção dos Estados Unidos.
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Cena do documentário sobre Richard Avedon; o fotógrafo ao centro na foto. Foto: Divulgação
La perra, da chilena Dominga Sotomayor, é uma coprodução entre Brasil e Chile também com envolvimento da RT Features e presença de Selton Mello no elenco. O filme passa na mostra paralela Quinzena de Cineastas.
De volta à seleção oficial, na seção Um Certo Olhar, Elephants in the fog, do nepalês Abinash Bikram Shah, é uma coprodução entre Nepal, França, Alemanha, Brasil e Noruega, com a participação das produtoras brasileiras Enquadramento e Bubbles Project.
Na Semana da Crítica, paralela à competição principal, Seis meses en el edifício rosa com azul, de Bruno Santamaría Razo, é uma coprodução entre México, Brasil e Dinamarca, com a Desvia Produções entre as produtoras.
Mas não é só a presença brasileira e latino-americana que estão tímidas nesta edição. Cannes 2026 vem com poucas obras estadunidenses. Entre os 22 filmes da competição, apenas dois são dos Estados Unidos, enquanto 16 são europeus. Cinco diretoras disputam a Palma de Ouro. A seguir, os principais destaques deste ano:
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Natal amargo, de Pedro Almodóvar
O cineasta espanhol está de volta a seu país e à sua língua materna depois de O quarto ao lado, que lhe rendeu o Leão de Ouro em Veneza. Almodóvar retorna com seus jogos de espelho, alter egos e histórias paralelas, mostrando o diretor e roteirista Raúl (Leonardo Sbaraglia) que escreve sobre a publicitária Elsa (Bárbara Lennie).
Além de Almodóvar e Farhadi, entre os cineastas europeus na competição, estão o polonês Pawel Pawlikowski (Fatherland), o romeno Cristian Mungiu (Fjord), o francês Arthur Harari (L’Inconnue) e o russo Andrei Zviaguintsev (Minotaur).
Richard Avedon (ao centro).
Foto: Divulgação

Avedon, de Ron Howard
Nas Sessões Especiais, fora de competição, o diretor estadunidense repassa a vida e o legado de Richard Avedon (1923-2004), um dos maiores retratistas e fotógrafos de moda da história. Para dirigir o documentário, Howard teve acesso ao acervo pessoal de Avedon e entrevistou pessoas importantes em sua trajetória, como Isabella Rossellini, Calvin Klein, Twiggy Lawson e Lauren Hutton.
Parallel tales, de Asghar Farhadi
Vencedor do Urso de Ouro em Berlim (A separação, 2011) e dos troféus de roteiro (O apartamento, 2016) e do Grande Prêmio do Júri (Um herói, 2021) em Cannes, o diretor iraniano disputa a Palma com um longa estrelado por Isabelle Huppert, Vincent Cassel e Virginie Efira sobre uma escritora que espiona os vizinhos em busca de inspiração.

Miles Teller e Adam Drive (à esquerda na foto). Foto: Divulgação
Paper tiger, de James Gray
O diretor estadunidense retorna a um de seus temas preferidos: famílias fraturadas, escolhas difíceis e irmãos envolvidos com o crime, como em Os donos da noite (2007). No filme, Adam Driver e Miles Teller são irmãos que, em busca do sonho americano, envolvem-se com a máfia russa. Scarlett Johansson também está no elenco.
Sheep in the box, de Hirokazu Koreeda
São quatro asiáticos na competição de Cannes 2026. Vencedor da Palma de Ouro por Assunto de família (2018), o diretor japonês conta a história de um casal que, em um futuro não muito distante, confia em um androide para lidar com o luto pela perda do filho. Também japonês, Ryusuke Hamaguchi (melhor roteiro em Cannes e Oscar de filme internacional por Drive my car, de 2021) apresenta All of a sudden, sobre duas mulheres que ficam amigas em circunstâncias difíceis. Disputam também a Palma o japonês Nagi notes, de Koji Fukada, e o sul-coreano Hope, de Na Hong-jin, que tem no elenco Hoyeon, Michael Fassbender, Alicia Vikander e Taylor Russell.

Foto: Divulgação
The man I love, de Ira Sachs
Na Nova York do fim dos anos 1980, o artista queer Jimmy George (Rami Malek) enfrenta a doença e a morte durante o auge da epidemia de Aids. O filme com roteiro de Sachs e do seu parceiro habitual, o brasileiro Maurício Zacharias, conta com Ebon Moss-Bachrach, Tom Sturridge e Rebecca Hall no elenco e foi editado pelo também brasileiro Affonso Gonçalves.
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