No circuito fechado das grandes famílias e nas mesas mais disputadas do Antonio’s não se fala em outra coisa: a delação, a gravação, a eleição, a taxação, a rejeição e o Mayk Leão.
Preocupam-se todos entre tilintar de brindes e sorrisos abafados nos guardanapos de linho. Só pra você saber, é pose. Dentro dessas cabecinhas de cabelos bem lavados mora uma inquietação nacional muito mais urgente: afinal, quem são os solteiros mais cobiçados do Brasil neste exato momento?
Amigas, aflitas, telefonam, investigam-se sobrenomes, o Jusbrasil atola-se de acessos, madrinhas contatam as bordadeiras, colegas de trabalho rezam pelo amor de Deus que não seja mais um destination wedding. O café Soçaite inteiro se movimenta com a bolsa de valores sentimental. E os garçons do Copa já sabem os pedidos de cor.
Esta coluna, sempre a serviço dos leitores, vem aqui cumprir seu dever cívico de apresentar os 4 partidos mais imperdíveis desse país.
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1. Jorginho Valladares
Moço de fino trato. Nem bonito nem feio. Eu podia até te dizer que é dono de um conversível creme e de um apartamento onde o gelo nunca acaba. Diria também que nas festas da cobertura do Leme, toca Van Morrison enquanto moças de família fingem não fumar. Mas nada disso é melhor do que a verdade. Jorginho é CLT. Paga as próprias contas. Parece que põe tudo até no débito automático. Tem plano de saúde, 13º e férias remuneradas e não conta com o dinheiro de ninguém, nem com o meu, nem com o teu. Me falta até o fôlego.
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2. Orestes Bittencourt
No último réveillon do Copa foi visto saindo às seis da manhã com sapatos na mão e reputação intacta. Parece que não queria pisar com o pé sujo no tapete de casa. Ores não gosta de poeira, de lençol amarfanhado, de cesto de roupa suja cheio, nem de louça na pia. Disse que faz arroz fresquinho todo dia, arroz, salada, legumes e bife. As tias do Flamengo o descrevem como “um partido raro”. Já as moças preferem dizer apenas: “ah, um adulto funcional”.
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3. Frederico Augusto de Sá, o “Fred”
Não é forte, não tem bronzeado mediterrâneo, mas… maxilar. Comigo, de novo: maxilar. Não que seja cinematográfico, mas tem um detalhe que o faz estar aqui neste terceiríssimo lugar. No alto da mandíbula mais bem-acompanhada do território nacional, Fred ostenta não uma, mas duas orelhas de cada lado. É isso mesmo, dentes brancos, hálito puro e 4 orelhas prontas pra escutar o que lhe é dito. Ele escuta, minha gente. Sim, escuta, não é incrível? Para, pensa e muda se for preciso. Ai, Fred…
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4. Otávio (Tavinho) Peixoto
Foi pego dia desses por esta coluna lendo seu livrinho e tomando café na mesa mais estratégica de vocês sabem onde. Não postou página grifada, não tentou convencer ninguém de que era um intelectual, um entendido de café, ou de mesa, não puxou conversa, não destratou o garçom, pagou a conta e foi embora. Sua discrição já virou patrimônio imaterial de Ipanema.
E assim segue o Brasil elegante: entre drinques perigosos, mensagens trocadas de madrugada, matches e instants.
Enquanto isso, esta coluna continua vigilante, firme em sua missão patriótica de informar ao leitor aquilo que realmente importa.
O resto… até amanhã.

Roberta D’Albuquerque é psicanalista e coautora do livro Quem manda aqui sou eu (HarperCollins). Atende no seu consultório em São Paulo e escreve crônicas por aqui. Acompanhe-a também em @robertadalbuquerque.