CONTEÚDO APRESENTADO POR G-SHOCK

No dia em que gravava uma das entrevistas para a série documental em parceria com a G-SHOCK, uma tia de L7NNON passava por uma cirurgia delicada. “Foi ela que, na minha adolescência, parcelou em dez vezes um relógio da marca para me presentear”, diz o rapper, de 32 anos. “Tenho certeza de que ela está  muito feliz por eu estar vivendo isso. Ninguém nunca imaginou que eu chegaria tão longe. Nem eu.”

L7NNON é embaixador oficial da marca no Brasil e acaba de ganhar um G-SHOCK GM-6900 personalizado com seu nome. Ele foi uma das dez pessoas no mundo a receber a peça, feita no Japão especialmente para personalidades que ajudam na construção do legado da etiqueta. “É muito doido pensar em tudo que aconteceu e está acontecendo. Quanto vale uma peça dessa? É inestimável”, questiona-se.

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Colete, Zara. Calça, Francesca. Relógio, G-SHOCK GM-2100-1A. Anel, VEHR. Sapatos, Dolce & Gabbana.

É dentro dessa parceria que nasce a série – com previsão de lançamento para setembro – que coloca o artista em posição de entrevistador pela primeira vez. Ao longo de três episódios, ele conversa com jovens talentos de diferentes áreas, como o skatista Matheus Mendes, os trappers Gbzin e Jovem MK, a surfista Carol Bastides e os stylists Raphael Pereira e Lucia Souza. Sob o pano de fundo da música, da moda e do esporte, a produção busca entender os desafios de cada um deles. “Eu me vi aprendendo com as histórias de outras pessoas.” 

Com o mote “Natureza Inquebrável”, a campanha da grife de relógios também conversa com a sua própria trajetória. “Já me quebrei todo e ainda assim continuei andando, tentando e buscando me aperfeiçoar. Quando tudo colaborava para eu não seguir mais em frente, permaneci.” 

Nascido Lennon dos Santos Barbosa Frassetti, no bairro do Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, hoje ele é conhecido como L7NNON ou L7. Sua infância e adolescência foram bastante comuns para a época. Brincava na rua, soltava pipa, jogava futebol com os amigos. Até que, com 13 ou 14 anos, descobriu o skate. Foi amor à primeira vista. “O skate me influenciou em tudo. Tanto na minha vivência de rua quanto nas pessoas que tive o prazer de conhecer; no jeito de me vestir e no tipo de som que comecei a ouvir”, recorda. Foi nessa época, que escutou pela primeira vez Racionais MC’s. “A gente aprendia a cantar as letras sem nem saber o peso que as canções estavam transmitindo ali.” Outro momento marcante na sua construção como rapper veio da sugestão de um primo: o DVD Collision course (2004), uma colaboração entre Linkin Park e Jay-Z.

A profissionalização no esporte aconteceu antes da carreira musical: L7NNON começou a competir em campeonatos de skate – e a ganhar algum dinheiro com isso. Em paralelo, frequentava batalhas de rimas (apesar de nunca ter competido em uma) e rodas culturais. “O início da minha trajetória foi bastante marcado por essas apresentações, mas sinto que ainda não sabia transmitir o que pensava. Eu me guiava somente pelo que soava bem.”

Em 2017, veio a grande virada. Entre uma manobra e outra nas escadarias do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (Macba), seu colega, o skatista Felipe Gustavo, insistiu para que ele lançasse uma canção. A estreia oficial foino mesmo ano, com a track “Mais um capítulo”. A ideia não era exatamente viver de música, mas, rapidamente, o videoclipe atingiu 100 mil visualizações no YouTube. Não demorou muito para que o produtor Tiago da Cal Alves, conhecido como Papatinho, notasse seu talento. Em pouco tempo, eles viraram amigos e parceiros profissionais, numa das relações mais frutíferas do rap nacional.

O primeiro álbum de L7, Podium, saiu em 2019. No mesmo ano, em agosto, ele lançou o single “Perdição”, que atingiu 700 milhões de streams. “Tinha 3 mil reais guardados e pedi para um amigo me ajudar com o clipe. Foi o trabalho que me rendeu o maior retorno financeiro. No YouTube, ele bateu 360 milhões de visualizações”, conta. O número que o rapper lembra de cabeça, porém, está desatualizado: até o fechamento desta reportagem, o videoclipe já tem 400 milhões de exibições (e contando).

Foi com o segundo disco, Hip hop rare, de 2020, no entanto, que L7NNON furou a bolha. O álbum conta com participações de Black Alien, MC Hariel e MC Marks e ultrapassou a marca de um bilhão de streams no Spotify. A parceria com Papatinho ajudou a definir a sonoridade mais boom-bap e trap – um projeto importante para a formação de sua carreira. 

Passados dois anos, veio mais uma conquista. Em 2022, L7 lançou dois de seus maiores sucessos. “Desenrola, bate e joga de ladin”, uma colaboração com Os Hawaianos, DJ Bel da CDD e DJ Biel do Furduncinho, teve mais de 102 milhões de streams. Já “Ai, preto”, lançada ao lado de Bianca e DJ Biel do Furduncinho, soma mais de 250 milhões.

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Blazer, faixa, calça e sapatos, tudo Ferragamo. Colares, Swarovski. Relógio, G-SHOCK GM-2100-1A. Anel, Skull.

Os hits viraram trend nas redes sociais e alavancaram sua carreira. A partir dalí, o Brasil conhecia o seu trabalho. E ele queria fazer o mesmo por outros artistas. Em 2023, L7NNON fundou o seu próprio selo, chamado de HHR, ao lado do seu empresário Daniel da Cal Alves, irmão de Papatinho. “Minha intenção com a gravadora é fazer a mesma coisa que o Papato fez por mim durante todo esse tempo. Minha vida foi transformada por ele e eu quero fazer isso por outras pessoas.” Além de produzir músicas, a empresa cuida da direção artística, identidade visual, estratégia profissional e conexão entre os rappers e trappers da cena. A gravadora lançou nomes como TOKIODK, que, inclusive, dividiu o palco com L7 no Lollapalooza de 2023, e 2ZDinizz. 

E não parou por aí. No ano seguinte, L7NNON deu uma guinada em sua sonoridade com o álbum Irrastreável, um mergulho no trap internacional misturado com pop e funk. O disco marca a fase mais ambiciosa de sua carreira. Com mais de 30 faixas, reúne feats de Anitta, IZA, Filipe Ret, MC Cabelinho, Djonga, Veigh, MD Chefe e do rapper britânico Central Cee, entre outros nomes que cruzam gerações e fronteiras. A produção também ganha um selo internacional: uma das faixas, “Obrigado”, é assinada por Papatinho ao lado do estadunidense Mike WiLL Made-It, vencedor de um Grammy e nome por trás de parte do trap que definiu o estilo do sul dos Estados Unidos. 

Como você já deve ter percebido, L7NNON é inquieto. Foi desse desejo de sempre mais que nasceu a vontade de atuar. Seu primeiro papel surgiu logo em uma trama da TV Globo, um paralelo curioso com a escolha de seu nome, que veio da produção Top model, novela de 1989. “Achei que demoraria mais para realizar esse sonho, mas meu empresário me falou do teste. Fiz e passei”, recorda. 

Em Dona de mim, transmitida entre abril de 2025 e janeiro de 2026, ele deu vida a Ryan. Seu personagem era um ex-presidiário que precisava lidar com as pressões de uma facção criminosa, ao mesmo tempo que tentava recuperar sua família. “Minha história é parecida com a dele. Nós dois temos essa força de vontade de seguir, além do sonho da música em comum. Ryan fazia rap, participava de batalhas e queria fazer acontecer. Eu também vivi isso.” O papel na maior emissora do país ajudou a alargar sua base de fãs, que agora segue seus passos tanto pelo seu trabalho no rap quanto pela atuação. Hoje ele tem 10,2 milhões de seguidores apenas  no Instagram – e esse número só cresce.

Mesmo com o reconhecimento vindo de todos os lados, o artista continua com os pés no chão. L7NNON é o que chamam por aí de rapper bonzinho – e sem nenhum demérito nisso. Não fuma nem bebe e, em sua conta do Instagram, usa o espaço para conscientizar os seguidores sobre temas como violência contra a mulher e vício em pornografia. Em uma publicação de 10 de março de 2026, por exemplo, ele afirma que homens que não se importam com o aumento dos feminicídios registrados nos últimos anos são tão ruins quanto quem comete os crimes. O vídeo ultrapassou 1,2 milhão de curtidas. “Em um mundo em que a maioria das coisas que viralizam não é tão legal, fico muito feliz de estar fazendo minha parte.”

Essa consciência do próprio alcance também aparece quando ele olha para trás. “Tudo aquilo sobre o que eu cantei antes de ter, antes de ser, hoje eu tenho e sou. A palavra tem poder.” Ao longo de mais de uma década de carreira, L7 acumulou conquistas que antes pareciam distantes, sem abandonar a disposição de experimentar novos caminhos. Entre pistas, estúdios, sets de gravação e projetos para impulsionar outros artistas, ele segue expandindo as próprias fronteiras. No look, short, chinelo e G-SHOCK. Na trajetória, a prova de que resistir também é encontrar novas versões de si mesmo.

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Colete, Zara. Calça, Francesca. Relógio, G-SHOCK GM-2100-1A. Anel, VEHR. Sapatos, Dolce & Gabbana.

Confira a entrevista completa a seguir:

Como foi sua infância e sua adolescência em Realengo? 

Foi uma infância bastante vivida. Vivia coisas que, hoje em dia, no bairro em que  moro, por exemplo, não vejo tanto. Soltar pipa, jogar futebol, brincar na rua com meus amigos. Acho que aproveitei muito bem.

Você sempre andou de skate, né? Como ele te influenciou e te influencia até hoje? 

O skate me influenciou em tudo. Tanto na minha vivência de rua quanto nas pessoas que tive o prazer de conhecer; no jeito de me vestir e no tipo de som que comecei a ouvir. Ele está presente o tempo todo na minha vida.

Como foi seu primeiro contato com a música? 

Foi na rua. Sabe aqueles bares que tem maquininhas que você coloca uma moeda e escolhe a música? Então, o pessoal da minha rua ouvia muito Racionais MC’s e os mais velhos sempre botavam as faixas deles para tocar. A gente aprendia a tocar sem nem saber o peso que as músicas estavam transmitindo ali. Eu também tenho um primo que era superligado em rap e foi ele quem colocou o DVD do Jay-Z e do Linkin Park para eu assistir pela primeira vez.

Você lembra quando compôs sua primeira  música?

Devia ter 15, 16 anos no máximo. Só que, na época, eu não sabia dizer o que queria. Eu ia mais pela rima, pelo que soava bem junto, então as coisas ficavam um pouco fora de contexto. (risos)

Você sempre gostou de rima, né? Como foi frequentar as batalhas nessa época?

Sempre gostei de fazer freestyle, de ficar brincando com meus amigos. Nas batalhas, eu ia mais para assistir, nunca cheguei a competir, a batalhar de fato. Mas eu gostava muito de ir, e já me apresentei muitas vezes nas rodas culturais do Rio de Janeiro. O início da minha carreira foi muito marcado por essas apresentações em rodas. 

Como é seu processo criativo? Ele mudou ao longo dos anos?

Ele acontece a todo o tempo. Às vezes, estou num lugar almoçando e penso em alguma coisa, alguma frase que me marca de alguma forma, e eu já pego o celular e anoto. Uma hora vai servir para algo. Ou durante o intervalo da gravação de um clipe, paro e escrevo. Eu nunca tive manias de só escrever em determinado local ou horário, de acordo com certa situação. Sempre fui muito livre em relação a isso. 

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Trench coat, Zara. Blazer, Camelo. Calça, Dod. Colar, Ptz. Relógio, GM-2110D-2A. Anel, Apricus. Sapatos, Ferragamo.

Como foi a evolução da sua carreira desde a pandemia, quando você estourou para todo o Brasil, até agora?

O fato de eu ter estourado e as músicas terem alcançado visualizações absurdas foi algo que me surpreendeu. Nunca imaginei ter os números que tenho hoje. “Perdição”, por exemplo, que é minha maior música de trabalho, tem atualmente mais de 700 milhões de streams. E foi uma canção que eu tinha três mil reais guardados e pedi para um amigo me ajudar com o clipe. Foi o videoclipe que mais me deu retorno financeiro. 

Os clipes sempre foram superimportantes para você. Você que cria as histórias?Como funciona esse desenvolvimento?

Eu costumo dar muito pitaco, muito palpite e falar sobre o que quero. Obviamente, muita gente dá outras ideias e a gente bate tudo junto. Nunca deixo meus clipes livres na mão de alguém, chego lá e só gravo. Gosto de estar sempre muito dentro dos meus projetos. 

Os feats também são bastante emblemáticos na sua carreira. Quais foram os mais decisivos?

A parceria mais decisiva, ou que mais me alavancou, foi um projeto que eu fiz com o Papatinho, no início de tudo, com o Kevin O Chris e o Ferrugem. Eles eram a sensação do momento. Outro projeto importante foi a música “Barcelona”, que fazia parte do Papasessions, também do produtor Papatinho. Foi a primeira música que, de fato, bateu 100 milhões de visualizações na minha carreira. Me marcou muito. 

E como surgiu a ideia de criar a sua própria gravadora? 

A HHR, que é o nome do meu segundo álbum, tem a intenção de fazer o que o Papato fez por mim durante todo esse tempo, sabe? É mais uma dívida de gratidão mesmo. Minha vida foi totalmente transformada por ele e pelo irmão dele, o Daniel, que hoje é meu empresário e meu sócio. São duas pessoas que ressignificaram o meu viver. As condições que eu tenho hoje, o poder de viajar, de descansar, de ajudar minha família. Hoje, eu posso alavancar os sonhos dos meus amigos, ajudá-los financeiramente de muitas formas. E isso tudo aconteceu graças à nossa união. A HHR é simplesmente a mesma coisa. É um selo para motivar o sonho de outras pessoas e tentar fazer com que aquilo seja real.

Agora vamos falar um pouco sobre a sua estreia como ator. Como você se sentiu ao transitar nessa outra seara?

Sempre tive essa vontade de atuar, mas, para mim, (isso) seria muito mais demorado. E aí caiu esse teste no meu colo, eu não tinha nada a perder, fiz e deu supercerto. As pessoas adoraram, né? Quando eu estava almoçando aqui no estúdio, as meninas me elogiaram muito sobre o papel, sobre o Ryan e a potência desse personagem. Ele foi uma pessoa que fez más escolhas no passado e pagou o preço por isso, ficou sete anos preso e saiu querendo se desvincular do crime. Ele vivia em uma luta diária para conseguir se libertar daquilo, querendo reconquistar a ex-mulher dele. Foi um papel muito real e que fez muito sentido para mim. Tem muita gente próxima a mim que já viveu isso. E, por ser um personagem que conversou muito comigo, agora penso em investir e me aperfeiçoar nisso também. Sei que tenho muito a aprender.

Qual relação você faz da sua própria trajetória com a história do personagem? 

A força de vontade de seguir continuando. A gente também tinha em comum o sonho da música. O Ryan era um moleque que fazia rape era brabo nas batalhas. Eu não era brabo, mas eu me amarrava em rap e consegui fazer as coisas acontecerem. O mundo caindo ao seu redor e tudo colaborando para você não seguir em frente foi muito do que o Lennon viveu na vida dele. Para a minha família, era algo preocupante porque eu era um moleque. Eu nunca fui de beber e fumar. Então, imagina, eu parei minha faculdade para andar de skate e depois fui fazer rap. Os outros deviam pensar que eu viraria um drogado qualquer. Obviamente, hoje entendo que era mais uma preocupação do que o fato de achar que eu não poderia ser bom. Se, para quem estuda e trabalha, já é difícil, imagina para quem não estuda? Hoje, mais maduro, consigo entender isso.

Como você se divide entre tantos projetos? 

O meu retorno financeiro me deixou confortável para fazer várias coisas, né? Eu poderia, hoje, estar dentro de um escritório, acordando às quatro da manhã, pegando duas condições para ir pra tal lugar. E as pessoas que fazem isso me inspiram muito. A pessoa vê um artista bem-sucedido e costuma achar que é uma realidade muito diferente da dela, que a gente é superherói. Mas, pra mim, superherói é o cara que acorda cedo para trazer um sustento para a casa, que não tem uma condição tão legal e está ali diariamente lutando para fazer acontecer. Hoje em dia, me sinto muito privilegiado por ter a condição que eu tenho e gostaria que pessoas dediversas profissões pudessem ter condições muito melhores que as minhas. 

Você usa bastante suas redes sociais para criticar violência contra a mulher, vício em pornografia e outros problemas da sociedade.  O sucesso que eles fazem te surprendeu?

Esse vídeo (explicar qual) mesmo que viralizou é o trecho de uma música minha e que eu acho que traz um assunto muito necessário e que é muito banalizado. A pornografia é vista como algo normal, que às vezes seu pai ou seu tio podem te mostrar, e isso acaba se tornando um vício como qualquer outro. E pode te levar pro precipício. Se eu dou um papo para alguém, ele também serve pra mim. Fiquei chocado que este vídeo viralizou, mas também fiquei feliz, porque foi algo realmente importante viralizando de uma forma legal, principalmente quando pensamos num mundo onde a maioria das coisas que viralizam não são tão legais. 

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Camiseta, Riachuelo. Calça, Another Place. Colar com pingente, Skull. Colares mais curtos, Swarovski. Relógio, GM-2110D-2A. Pulseiras. Ptz. Sapatos, VIGA.

Agora vamos falar sobre moda. Você sempre gostou de moda, de se vestir de formas diferentes? 

Sempre fui muito influenciado pela vida urbana, pelo skate e pela estética que eu via os meus amigos de infância adotarem. Tem muita coisa que sempre foi presente na nossa vida e hoje todo mundo adora, como usar roupa de alfaiataria com camisa de time. Nós, da periferia, usamos esse estilo há zilhões de anos e sempre fomos vistos como bregas. Esses ambientes em que eu transitei me influenciaram.

Eu também li numa entrevista que seu pai te influenciou bastante nisso. 

Meu pai é um cara muito ligado em roupas, em moda. Ele comprava relógios maneiros, sabia quais marcas estavam bombando e me informava sobre isso. Tem marcas que o pessoal adora hoje que meu pai já me falava há cinco anos. (risos)

Nos shows, você mesmo monta seus looks? 

Eu nunca gostei de ter alguém me vestindo. Não teve um show que fiz que alguém me vestiu, todas as minhas apresentações são com a minha visão. 

E você tem algum look favorito para o palco?

Shorts, chinelo, G-SHOCK, com camisa ou sem. (risos) 

Qual a sua relação com relógios, no geral? 

Foi algo que meu pai sempre falou muito. Quando fui ampliando um pouco minha questão financeira, eu comecei a me inteirar sobre outros mundos e a entender que os relógios são investimentos. Essa semana, por exemplo, recebi um G-SHOCK personalizado, que só tem dez no mundo. O meu é o único do Brasil. Quanto isso vale? É inestimável. 

Como foiser presenteado com essa peça?

É muito doido. No dia que a gente estava gravando o documentário, uma tia minha estava fazendo uma cirurgia muito séria. Quando eu assinei o contrato para ser embaixador da G-SHOCK, ela me disse: “poxa, filho, lembra quando eu comprei esse relógio para você parcelado em dez vezes e me endividei toda?”. Naquele dia, que estava sendo muito difícil para mim, minha cabeça estava em outro lugar. Mas, ao mesmo tempo, eu tentava me animar pensando que, ainda que minha tia esteja passando por essa situação tão delicada, eu tenho certeza que ela está muito feliz de eu estar aqui vivendo isso. Ela nunca imaginou isso pra mim. Nem eu imaginei. Ela se esforçou tanto para me dar um presente anos atrás e, hoje em dia, eu posso dar essas mesmas coisas para a minha família inteira. Toda criança que se liga em esporte, que já tem uma certa idade, entende o peso que tem um G-SHOCK. Você pode andar de skate, surfar, jogar bola, pode fazer o que for, ele é inquebrável. E por isso acho que faz tanto sentido para mim estar aqui. 

Me conta um pouco da sua experiência de gravar o documentário. Quais facetas suas você deixou transparecer?

Eu me vi como um cara que está aprendendo sobre as histórias das outras pessoas. Normalmente, eu falo muito sobre a minha história, sobre o que eu vivi, como foi para mim. Estar nessa posição de entrevistador foi muito engrandecedor. Foi muito inesperado também. 

Quais valores da G-SHOCK você leva para oseu dia a dia?

Resistência absoluta e natureza inquebrável. Já me quebrei todo andando de skate e, ainda assim, continuei tentando, buscando me aperfeiçoar, vivendo daquilo e resistindo. Quando tudo colaborava para eu não seguir mais em frente, eu permaneci. 

FOTOS: PEDRO NAPOLINÁRIO
PRODUÇÃO DE MODA: SUYANE YNAYA
BELEZA: ANGEL MORAES
DIRETOR DE ARTE CENOGRÁFICA: ANDERSON RODRIGUEZ
PRODUÇÃO DE MODA: GUSTAVO SOUZA, THIAGO TORRES E TULANY FREITAS
PRODUÇÃO DE ARTE: CASSIO ONOHARA
PRODUÇÃO EXECUTIVA: SDC&P e IZABELA RIBEIRO
TRATAMENTO DE IMAGEM: MARCOS NASCIMENTO