6 em cada 10 brasileiras não realizam exames ginecológicos preventivos
Levantamento aponta baixa adesão ao Papanicolau e ao teste de DNA-HPV e revela dúvidas sobre a vacinação contra o vírus.
O Papanicolau é um dos principais exames ginecológicos usados para identificar alterações no colo do útero que podem indicar lesões pré-cancerosas. Essas alterações podem estar relacionadas à infecção persistente pelo HPV, um vírus muito comum que, em alguns casos, pode levar ao desenvolvimento de câncer. Ainda assim, o exame não faz parte da rotina de boa parte das brasileiras. Segundo uma nova pesquisa do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), em parceria com o Instituto Locomotiva, 61% das mulheres entre 18 e 45 anos não realizaram o exame no último ano.
O levantamento, que ouviu 800 mulheres de todas as regiões do país, mostra que a falta de informação ainda aparece como uma das barreiras para o cuidado. 26% das entrevistadas não sabem exatamente para que serve o Papanicolau e 34% delas não se consideram parte do grupo de risco para o câncer do colo do útero.
Outro exame importante nesse cenário é o teste de DNA-HPV, que busca identificar diretamente a presença de tipos de HPV associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. No Brasil, ele passou a ser o método primário de rastreamento, com implementação gradual no SUS. Ainda segundo a pesquisa, a adesão ao teste também é baixa: apenas 22% das entrevistadas afirmaram tê-lo realizado no último ano. Apesar do número ainda ser pequeno, ele representa um avanço em relação a 2025, quando apenas 13% das mulheres haviam feito o exame.

Ilustração: Bárbara Marcantonio
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E a vacina contra o HPV?
A imunização também é cenário de dúvidas. Quatro em cada dez mulheres entrevistadas (39%) disseram que não tomaram a vacina contra o HPV ou não se lembram de ter recebido as doses. Entre aquelas que não foram vacinadas, um dos principais obstáculos é a percepção de que a vacina não seria indicada para mulheres adultas.
O resultado contrasta com a percepção que as próprias entrevistadas têm sobre seu conhecimento do assunto: em 2026, 44% afirmaram conhecer muito bem a vacinação contra o HPV. Para a oncologista Andréa Gadelha, presidente do Grupo EVA, os números revelam a diferença entre conhecimento e comportamento. “A pesquisa mostrou que o acesso à informação melhorou, mas ainda há uma distância entre reconhecer a importância da prevenção e a realização efetiva da prevenção por meio da vacinação contra o HPV e dos exames”, afirma.
Um problema que ainda está longe de ser resolvido
A discussão ganha peso diante das projeções para os próximos anos. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 19 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. A previsão representa um crescimento de aproximadamente 14% em relação ao triênio anterior.
O HPV está relacionado a 99% dos casos da doença, que ainda figura entre os principais cânceres que afetam mulheres no país. A combinação entre vacinação, rastreamento e tratamento de alterações pré-cancerosas é considerada uma das estratégias centrais para reduzir sua incidência e mortalidade. “Eliminar o câncer de colo do útero é algo que está ao nosso alcance”, afirma Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil.
Estes dados foram divulgados às vésperas do Setembro em Flor, campanha criada pelo Grupo EVA para ampliar a conversa sobre os tumores ginecológicos. Durante o mês, a iniciativa chama atenção para cinco tipos de câncer: colo do útero, corpo do útero (endométrio), ovário, vulva e vagina. O movimento busca combater a desinformação em torno da saúde ginecológica.
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