Por muito tempo, a beleza masculina tinha uma cara bastante específica nas prateleiras das farmácias. As embalagens vinham em cores escuras, como preto, prata e azul-marinho, com tipografias retas e robustas e nomes que evocavam força, velocidade, máquinas e performance. As fragrâncias seguiam uma lógica parecida, com perfumes marcados por notas amadeiradas e uma comunicação que se afastava deliberadamente de qualquer associação com delicadeza e cuidado. “O mencare tradicional se apoiou nos códigos de força porque precisava garantir ao consumidor que aquele produto não ameaçava a masculinidade dele”, explica Patrícia Diniz, professora do hub de beleza da ESPM.

Essa lógica se refletia na oferta de produtos: o mercado se concentrava principalmente em categorias como loção pós-barba, xampu, desodorante e perfume. Segundo Patrícia, o uso de cosméticos só era socialmente aceito quando se apresentava como higiene ou manutenção – territórios seguros para uma indústria que buscava fugir de tudo que pudesse aproximá-la de ideias associadas à feminilidade. “É uma rotina que ninguém interpreta como vaidade, e por isso, funcionou como a porta pela qual quase todos os produtos masculinos entraram”, diz a especialista. 

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