Feche os olhos por um instante e tente se lembrar do cheiro de um perfume masculino. É provável que a imagem olfativa que vem à sua mente não seja tão diferente daquela imaginada por outras pessoas. Isso porque, durante décadas, a perfumaria construiu um vocabulário bastante específico para traduzir o que deveria ser o “cheiro de homem”. Acordes aromáticos, fougère, madeiras, frescor e uma certa dose de espírito aventureiro faziam parte da fórmula, replicada à exaustão, de representação olfativa da masculinidade.
Para entender a popularidade desse tipo de fragrância, é preciso voltar no tempo, mais especificamente a 1988, quando o mestre perfumista Pierre Bourdon criou uma composição que revolucionaria a perfumaria mundial: a Cool Water, lançada pela suíça Davidoff. Desenvolvido como uma versão mais acessível e comercial do luxuoso Irish Tweed, da Creed – fragrância que Bourdon conhecia de perto, por ter sido aprendiz de Olivier Creed –, o perfume evocava a imensidão do mar aberto.
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