Os destaques do 83º Festival de Veneza
Evento tem Javier Bardem, Penélope Cruz, Robert Pattinson, além de longas de Wim Wenders, Danny Boyle e Werner Herzog.
O 83º Festival de Veneza começa nesta quarta-feira (02.09) na ilha do Lido com presença bastante modesta de latino-americanos – e, surpreendentemente, também de estadunidenses.
O evento, que é conhecido por ser a largada oficial para a temporada do Oscar, será bem menos estrelado do que em anos anteriores, embora conte com a presença de Robert Pattinson em Primetime, John Malkovich e Sam Rockwell em Cavalo selvagem nove e Penélope Cruz e Javier Bardem em Bunker.
Só há uma produção brasileira: London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, exibida fora da seleção oficial, na mostra paralela Semana da Crítica. No filme, um jovem com deficiência que trabalha em uma casa de fetiches se vê diante de um dilema inesperado.
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Já a seção Venice Spotlight traz a coprodução Brasil-Líbano Furies, dirigida por Rami Kodeih, com assinatura da RT Features de Rodrigo Teixeira (produtor de Ainda estou aqui). Também será exibida na mostra a mexicana Hombre al Agua, dirigida pelo ator Gael García Bernal, falada parcialmente em português e que conta com a atriz brasileira Débora Nascimento no elenco.
Na competição pelo Leão de Ouro, o Brasil participa com a coprodução com a Itália Retorno a Buenos Aires, de Marco Bechis. O diretor chileno, que já morou no Brasil e hoje vive na Itália, conta uma história que conhece bem: de um ex-prisioneiro político que volta à Argentina para depor contra os responsáveis por sua prisão e tortura. Como o personagem Mariano, Bechis também foi prisioneiro político na ditadura militar argentina. O filme se passa em Buenos Aires e é falado em espanhol, mas tem produção brasileira e foi rodado no Brasil.
A seguir, outros destaques de Veneza:
Cavalo selvagem nove, de Martin McDonagh
O inglês, diretor de Três anúncios para um crime (2017), vencedor de dois Oscars, e Os Banshees de Inisherin (2023), indicado a nove estatuetas, conta uma história ambientada no Chile nas semanas que antecederam o golpe militar de Augusto Pinochet contra o presidente Salvador Allende, em 1973. John Malkovich e Sam Rockwell interpretam dois agentes da CIA enviados de Santiago para a remota Ilha de Páscoa. O filme, exibido em competição, é coproduzido pelos chilenos Pablo e Juan de Dios Larraín.

Foto: Anthony Dickenson © 2026
Ink, de Danny Boyle
Conhecido por Trainspotting (1996) e Quem quer ser um milionário? (2008), o cineasta inglês volta a 1969, quando o empresário Rupert Murdoch (Guy Pearce) adquire o tabloide The sun e, junto com o editor Larry Lamb (Jack O’Connell), muda a paisagem da mídia mundial. Claire Foy interpreta a editora da seção feminina Joyce Hopkirk.
Primetime, de Lance Oppenheim
O cineasta estadunidense estreia na direção de longas de ficção já na competição de Veneza, com a história de To catch a predator e seu apresentador Chris Hansen, interpretado por Robert Pattinson. No programa, Hansen confronta homens adultos que acreditam estar indo se encontrar com menores de idade, mas, na verdade, caíram em uma armadilha de pessoas fazendo se passar por maiores, arquitetada pela produção do programa. Oppenheim quer contrapor a realidade dos predadores dispostos a cometer crimes e a ficção criada por Hansen para pegá-los e transformar tudo em um show.
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Foto: Divulgação
Naza, de Yuval Abraham e Rachel Szor
A produção do jornal The guardian é dirigida pela dupla israelense de Sem chão, longa sobre a destruição de uma vila na Cisjordânia por soldados de Israel que ganhou o Oscar de melhor documentário. O novo filme fala sobre os sistemas por trás do assassinato em massa de palestinos por Israel.
Possible love, de Lee Chang-dong
Candidato da Coreia do Sul a uma vaga entre os indicados ao Oscar de filme internacional, mostra o encontro de dois casais vindos de mundos diferentes. Mi-ok (Jeon Do-yeon) vive com seu marido Ho-seok (Sul Kyung-gu), recentemente demitido. Em um funeral, conhecem a documentarista Ye-ji (Cho Yeo-jeong), que está traçando um retrato de trabalhadores demitidos, e seu marido Sang-woo (Zo In-sung). Fazer um documentário juntos faz com que confrontem suas vidas completamente diversas e desejos escondidos.
Bucking fastard, de Werner Herzog
As irmãs Rooney e Kate Mara se juntam para esse filme do diretor alemão (Fitzcarraldo, 1982), exibido em competição. Elas interpretam Jean e Joan Holbrooke, irmãs que falam a mesma coisa ao mesmo tempo, amam o mesmo homem e têm os mesmos sonhos.

Foto: Blue Morning
Bunker, de Florian Zeller
O diretor de Meu pai (2020), vencedor dos Oscars de roteiro adaptado e ator para Anthony Hopkins, reúne o casal da vida real Javier Bardem e Penélope Cruz neste longa em competição. Ele é um arquiteto contratado para fazer um bunker de sobrevivência para um bilionário, o que abala seu casamento.

Foto: AP Photo/Alex Brandon
Musk, de Alex Gibney
O documentarista estadunidense, que fez filmes sobre o músico Paul Simon, o tenista Boris Becker e o escritor Salman Rushdie, entre outros, agora analisa a trajetória e a imagem construída por Elon Musk, o empresário que é dono da Tesla, do Space X e da rede social X. Musk recusou-se a participar, mas o filme traz entrevistas antigas dele, além de depoimentos de pessoas que tiveram contato com ele. O longa de quatro horas de duração passa fora de competição.

Foto: Roberto Beragnoli e Alessandra Condello
Be Brave, de Francesco Carrozzini
O documentário italiano, apresentado fora de competição, conta a história da Diesel, que desembarcou em 1996 nos Estados Unidos, a terra do jeans, e de seu criador Renzo Rosso. O empresário é também fundador do grupo OTB, que detém marcas como Jil Sander, Maison Margiela, Marni e Viktor&Rolf. O diretor usa a IA como parte da narrativa.
Oasis: Don’t look back in anger, de Dylan Southern e Will Lovelace
Exibido fora de competição, o documentário traz a preparação dos irmãos Noel e Liam Gallagher, líderes do Oasis, para a turnê de reunião da banda, que desfizeram depois de desentendimentos. Os dois ficaram mais de 20 anos sem dar entrevistas em conjunto. O filme estreia nos cinemas brasileiros na quinta-feira (10.09) antes de seguir para o Disney+.

Foto: Divulgação
From inside out – The architecture of Peter Zumthor, de Wim Wenders
Neste longa-metragem, destaque da seleção de documentários apresentada fora de competição em Veneza, o diretor alemão destrincha a carreira e a filosofia do arquiteto suíço, vencedor do Prêmio Pritzker. Wenders filmou em 3D os projetos de Zumthor ao longo de 14 anos.
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