Luana Vitra ergue “Bandeira Branca” na Pinacoteca de SP
Instalação inédita concebida para espaço da instituição tem apoio da Chanel.
Uma reflexão em torno das terras raras, tão presentes no noticiário e objetos de disputas geopolíticas, inspirou Luana Vitra em seu mais recente trabalho. A partir deste sábado (05.09), a artista mineira apresenta Bandeira branca na Pinacoteca do Estado de São Paulo, com curadoria de Pollyana Quintella.
Não por acaso, Luana nasceu em Contagem, em Minas Gerais, um estado que tem sua história mesclada à atividade mineradora e que abriga jazidas de terras raras. “Bandeira branca é uma obra onde penso sobre as guerras que foram travadas no passado, as que estamos vivendo agora e as que ainda estão por vir”, diz ela. “Se pensarmos nos conflitos coloniais, foi o domínio da pólvora que nos levou a esse desenho de mundo que temos hoje, ao mesmo tempo é o desejo pelas matérias que desenha os maiores desastres do nosso futuro”, contextualiza. “Nessa instalação, me relaciono especificamente com as terras raras, esse conjunto de 17 elementos que condensa o tempo de tudo que vivemos e nos lança a uma malha de reflexão do por vir. Ter uma bomba-relógio nas mãos é também ter uma máquina do tempo, que pode nos ajudar a imaginar qual a trégua possível para essa luta que a tanto tempo travamos entre nós e contra a terra.”
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Detalhe da obra
Foto: Levi Fanan/Pinacoteca

Além do cenário resultante da atividade mineradora e industrial que conviveu, o trabalho de Luana tem influência das experiências dos seus pais, um torneiro mecânico e uma poeta, e se desenvolve a partir de uma ampla gama de materiais. A artista tem obras no acervo da Pinacoteca de SP, participou da 35ª Bienal de São Paulo (2023), exibiu trabalhos no Masp, teve mostra individual no Instituto Inhotim e foi vencedora do Prêmio PIPA, em 2023.
Bandeira branca é exibida no Projeto Octógono, programa da Pinacoteca dedicado a obras de grande escala, destinadas a esse espaço do museu, na Pina Luz. A instalação é resultado da residência anual voltada a mulheres artistas que a Chanel desenvolve em parceria com a instituição paulista. No ano passado, o programa contemplou Juliana dos Santos, que expôs a obra Temporã na Pina Contemporânea.
Além da obra de Luana, em cartaz até 31 de janeiro, a Pina Luza também inaugura no próximo sábado as mostras Armadilha moderna, de Ismael Nery, e Urubu, de Luiz Roque.
Pinacoteca: Praça da Luz, 2. Mais informações aqui.

A artista Foto: Levi Fanan/Pinacoteca
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