Foi para 14 mulheres que contei que estava começando minha reposição hormonal. Uma mensagem num grupo de WhatsApp que já recebeu mensagens minhas sobre orçamento, depressão, pedido de indicação dos mais diversos profissionais e até um link que direcionava a um novo grupo, chamado “rede de apoio”, para que eu falasse quando precisasse, sem filtros e medo de incomodar, sobre um processo muito doloroso de separação.
Não existe ali ninguém que eu conheça há mais de cinco anos. Como foi que chegamos a isso? A uma amizade complexa e profunda, mantida apesar das distâncias, agendas e fases diversas da vida?
Quando somos crianças, somos agrupadas por faixa etária. Alguém cuida da socialização inicial entre duas ou mais pessoas de 5 anos que ocupam o mesmo espaço. Imediatamente, chama-se de amigo aquele recém-apresentado que já é convidado para brincar, e salve-se quem puder para fazer a dinâmica ali engatar.
Eu tenho memória boa e sou capaz de recordar, com certa exatidão sensorial, o frio na barriga do constrangimento entre as crianças que não fizeram acontecer o tal grupo proposto pelos adultos.
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Não, não era fácil e dava muito errado. Mas, quando dava certo, estava ali, garantida, a “amizade de hoje”,
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