Para que servem os peptídeos no skincare? Conheça os diferentes tipos para levar à rotina

De volta aos holofotes da beleza, os peptídeos no skincare prometem estimular a produção de colágeno, suavizar linhas finas e contribuir para a reparação da pele.


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Foto: Pexels



Se você acompanha os lançamentos de beleza, provavelmente já percebeu: os peptídeos no skincare voltaram a ocupar espaço de destaque em séruns, cremes e tratamentos. Embora estejam longe de ser uma novidade, o interesse renovado pelo ingrediente acompanha uma onda de produtos que aposta em fórmulas cada vez mais direcionadas e multifuncionais. Mas, afinal, o que são os peptídeos e o que eles realmente podem fazer pela sua pele?

Segundo a médica dermatologista Paola Pomerantzeff, eles nada mais são do que cadeias curtas de aminoácidos. “Até 49 aminoácidos ligados, chamamos de peptídeos. A partir de 50, já é uma proteína”, explica a especialista em entrevista à ELLE Brasil. Na cútis, Paola completa, eles atuam como mensageiros celulares, enviando comandos que estimulam determinados processos. É justamente esse mecanismo que ajuda a entender por que o ingrediente tem ganhado tanta atenção. Ao contrário de uma substância que atua de maneira ampla, diferentes peptídeos podem ser desenvolvidos para desempenhar funções específicas, como produzir colágeno ou diminuir inflamação.

Além disso, entre seus principais atrativos está a tolerabilidade. “Eles não costumam irritar a derme e podem ser associados a outros produtos. Também são bem aceitos por pacientes com a pele muito reativa, sensível e até por lactantes”, afirma a dermatologista. Na prática, isso faz dos peptídeos uma alternativa interessante para quem busca uma rotina de cuidados voltada à firmeza e à prevenção dos sinais do envelhecimento sem necessariamente recorrer a fórmulas potencialmente mais sensibilizantes. A expectativa, porém, precisa ser realista: os resultados tendem a ser graduais e dependem do uso contínuo.

Os principais tipos de peptídeos no skincare

Já que estamos falando de um ativo mensageiro, é de se imaginar que não exista um único tipo de mensagem a ser passada adiante. A categoria reúne diferentes moléculas com mecanismos e objetivos específicos. Conhecer essas distinções ajuda a entender o que procurar em um produto. A seguir, reunimos os principais tipos de peptídeos para se ter no radar.

Peptídeos sinalizadores

Como o próprio nome indica, são associados à comunicação e à sinalização celular. Paola explica que eles podem ser entendidos como uma espécie de orientação para determinada cadeia de aminoácidos chegar ao local onde deve atuar. “Ele funciona como ‘um endereço de entrega’”, explica a dermatologista. Um dos exemplos mais conhecidos é o Matrixyl, ingrediente utilizado há anos em formulações antienvelhecimento. Segundo a médica, ele estimula os fibroblastos e, consequentemente, pode favorecer a produção de colágeno.

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Peptídeos transportadores

Neste grupo, a função está relacionada ao transporte de minerais e nutrientes essenciais para as células. Aqui, Paola cita o GHK-Cu, também conhecido como tripeptídeo de cobre. O ingrediente é associado à cicatrização e ao reparo dos tecidos, o que faz com que apareça em produtos destinados à recuperação e à manutenção da qualidade da pele.

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Peptídeos “neurotransmissores”

Também chamados de neuropeptídeos, eles estão relacionados à comunicação entre neurônios e podem participar da modulação de processos como inflamação, regeneração da pele e tônus muscular. Um exemplo é o acetil hexapeptídeo-8. O ingrediente é frequentemente associado ao conceito de “botox-like” por sua ação sobre a tensão muscular. Na prática, entretanto, Paola ressalta que a expectativa deve ser mais moderada: “O efeito real que se pode esperar é suavização de linhas finas”.

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Os peptídeos substituem ativos consagrados?

É justamente aqui que o entusiasmo em torno da categoria precisa ser colocado em perspectiva. Apesar da popularidade recente, a dermatologista destaca que os peptídeos tópicos são utilizados em cremes há mais de duas décadas e que, segundo os estudos disponíveis, não demonstram superioridade em relação a ativos como a vitamina C tópica e o ácido retinoico.

“Essa ‘volta’ dos peptídeos é mais um hype do que ciência propriamente dita”, afirma. Por isso, a recomendação é não abandonar ingredientes cuja eficácia já foi amplamente estudada em favor de uma tendência mais recente.  Isso não significa, porém, que eles não mereçam espaço na rotina. Pelo contrário: justamente por apresentarem boa tolerabilidade, podem complementar outros ativos e integrar estratégias de cuidado mais amplas.

Quando começar a usar peptídeos no skincare?

Assim como outros ativos voltados à manutenção da produção de colágeno, os peptídeos podem fazer sentido a partir do momento em que o processo natural de perda dessa proteína começa a se tornar mais relevante. De acordo com Paola, isso costuma acontecer por volta dos 28 aos 30 anos. Mais do que seguir uma idade exata, entretanto, a avaliação médica individual é importante para identificar os primeiros sinais de perda de colágeno e definir quais ativos fazem sentido para aquela pele. Também vale lembrar que cosméticos têm limitações. “Os peptídeos não são milagrosos. Se fossem, não teriam ficado esquecidos por anos”, pontua a especialista. 

E os peptídeos injetáveis?

Em meio ao crescimento do interesse pelo ingrediente, outro ponto merece atenção: os chamados peptídeos injetáveis. De acordo com a dermatologista, eles não devem ser confundidos com os produtos tópicos destinados à aplicação sobre a pele. “Os peptídeos injetáveis não têm comprovação científica e não devem ser utilizados de maneira nenhuma. Não é seguro por enquanto”, alerta. A distinção é especialmente importante diante da popularização de tendências nas redes sociais que podem colocar produtos e substâncias de uso experimental no mesmo patamar de cosméticos formulados para aplicação tópica.

Preços pesquisados no mês de setembro de 2026 e sujeitos a alteração.

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