SPFW N61: Santa Resistência
Mônica Sampaio vai atrás da Verde e Rosa para criar coleção da Santa Resistência que cruza a alfaiataria dos anos 1940 com o streetwear de hoje e o trabalho de múltiplos artesãos.
A apresentação da Santa Resistência na SPFW N61 começa com a modelo Oliver Tai sambando com uma tiara de penas verdes e vestindo um body rosa decorado com franjas de contas. Ela é musa da Estação Primeira de Mangueira. A sua entrada resume o tema da nova coleção da Santa Resistência: a famosa agremiação Verde e Rosa.
![]() Santa Resistência. Foto: Zé Takahashi/ @agfotosite |
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Para ser mais preciso, a inspiração é o musical Otelo da Mangueira (2006). A peça foi idealizada e dirigida pelo dramaturgo Gustavo Gasparini. Na obra, a tragédia de William Shakespeare é transferida para o morro carioca na década de 1940. Por isso, essa época dita a silhueta de algumas roupas. Uma jaqueta retrô feminina é estruturada e tem aplicações de pedrarias, enquanto os costumes dos homens resgatam a estética alinhada dos sambistas daqueles tempos.
As cores da escola de samba aparecem em diferentes intensidades, dos mais esmaecidos aos vibrantes. O formato de rosas dá as caras em balaclavas, botões e na textura de vestidos. Letras de sambas-enredo do passado são bordadas em tecidos. Na parcela mais contemporânea da apresentação, a etiqueta investe no streetwear e lança os seus primeiros produtos de couro – destaque para a camisa do material com o rosto do músico Cartola estampado nas costas.
Mais do que uma silhueta específica ou um trabalho com determinada matéria-prima que chame a atenção, vale refletir sobre a construção das peças envolvendo uma rede de colaborações – uma característica da marca que, alinhada à temática, faz todo o sentido de produção em comunidade. A artista Marcela Citon pintou com aquarela figuras emblemáticas do samba, como Mussum, Alcione e Nelson Cavaquinho. A imagem virou estampa para camisas, saias, calças e vestidos. No Recôncavo Baiano, o Ateliê Masanga produziu uma regata e um chapéu bucket com miçangas de madeira.

Santa Resistência. Foto: Zé Takahashi/ @agfotosite
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As técnicas manuais se estendem aos acessórios. Uma bolsa com padronagem de flores foi feita com tapeçaria colaço, um método da cidade de Maricá que une lã e seda natural para desenvolver um acabamento felpudo. Do mesmo município, a artesã Dona Benedita assina duas bolsas de fibra de taboa trançada. No Rio de Janeiro, jovens em situação de vulnerabilidade da ONG Spetaculu produziram um bolero verde de retalhos. Nos pés dos modelos, há sapatos de couro feitos sob medida pela Gomes Calçados, uma empresa que atende membros da Velha Guarda há mais de 60 anos.
A decisão de focar na cultura carioca tem base em resultados de vendas. Mônica Sampaio percebeu a alta na procura por sua marca quando desfilou a coleção Do Rio ao Rio, em 2022, durante a SPFW N54. Com a cidade em evidência, a estilista decide falar de uma realidade que conhece bem e estruturar uma rede de parceiros locais para traduzir com propriedade a riqueza de sua própria terra.

Santa Resistência. Foto: Zé Takahashi/ @agfotosite
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