Seis exposições em Paris para lembrar por que a cidade sempre vale a pena

Nossa correspondente indica as atrações imperdíveis na agenda cultural da Cidade Luz.


exposições em paris
Arte: Barbara Marcantonio



Paris anda agitada, melhor dizendo, Paris é agitada em todos os sentidos. É sempre aqui o palco maior de qualquer momento de festa ou tensão que a França atravesse. Pois bem, desde meados de setembro, estudantes secundaristas e universitários entraram em greve pedindo melhores condições de estudo. Faltam professores, as salas de aula estão em péssimo estado de conservação e os banheiros, em situação caótica.

Com toda essa problemática, eles param tudo e ocupam as ruas em dias combinados, algo comum por aqui. Apoiado por entidades estudantis e outras que também têm reivindicações contra o custo de vida, o movimento aumentou e desembocou no fatídico 17 de outubro, a que vocês devem ter assistido pelas redes sociais e pela mídia em geral. Entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram das mobilizações em todo o país, e Paris viveu tumulto, saques e incêndios. Bom dizer que as ações violentas não são a regra entre manifestantes, mas são atos dos chamados “casseurs”, uma turma que vem orquestrada para desestabilizar o movimento.

Seja como for, em Paris, temos um histórico de manifestações. Então, sabemos como evitar lugares onde a agitação possa fugir do controle e a vida segue – inclusive a vida cultural. Para este mês, separei seis exposições de uma das temporadas mais ricas do ano. Entre arte, cinema, fotografia e moda, são seis motivos para reservar um tempo aos museus.

Aproveitem!

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Colecionador e criador 

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Autoretrato com a orelha enfaixada (1889), de Vincent Gogh, em exposição na Fundação Louis Vuitton Foto: © Peter Schälchli

O artista multifacetado e colecionador de arte Gustave Fayet não é conhecido do grande público e até mesmo de pessoas ligadas à arte, então, essa exposição é o que se pode chamar de descoberta de um tesouro, sem exagero nenhum. A começar pelo lugar: a Fundação Louis Vuitton, construída por Frank Gehry no Bois de Boulogne, é um espetáculo, uma obra de arte gigante, de vidro e formas geométricas. Vale ir e depois andar pelo parque.

A mostra Gustave Fayet, Collectionneur Créateur coloca as obras de Gustave Fayet em diálogo com as de Van Gogh, Gauguin, Redon, Matisse, entre outros. Fayet era um colecionador visionário, que herdou do pai e do tio o gosto pela arte, assim como algumas obras. Dentre elas, um autorretrato de Van Gogh com a orelha cortada de 1889. Impressionante. 

Gustave Fayet: de 9 de outubro de 2026 a 8 de março de 2027 na Fondation Louis Vuitton, 8, avenue du Mahatma Gandhi.

 

O grande mestre 

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Foto: The Courtauld Institute of Art, Londres © Courtauld

Essa é uma exposição largamente aguardada pelos amantes da arte da temporada. Porque Cézanne é consenso. Estão em exposição cerca de 70 de suas obras, além de dezenas de outras que mostram a influência  do pintor sobre várias gerações de artistas, totalizando 180 trabalhos.  Entram nomes como Gauguin, Matisse, Picasso, Mondrian, Joan Mitchell, Bridget Riley e Peter Doig. É uma aula sobre aquele também conhecido como o mestre de Aix, região do Sul da França,  e o pai da arte moderna.

Cézanne et nous: de 23 de setembro de 2026 a 17 de janeiro de 2027 no Grand Palais, 17, avenue du Général Eisenhower.

 

Um brioche, por favor 

Para quem viu o filme de Sofia Coppola inspirado na vida de Marie-Antoinette, com Kirsten Dunst, de 2006, essa exposição é um presente. Instalada no Petit Trianon, a montagem reúne os figurinos originais de Milena Canonero, que ganhou o Oscar em 2007, tamanha a beleza e perfeição do seu trabalho. Também podem ser vistos storyboards, fotos e reconstituições de cenários. E ainda os sapatos criados por Manolo Blahnik interagindo com cenas do filme projetadas nos próprios lugares onde foram filmadas. Eu ainda não fui, mas vou logo, logo.

“Marie-Antoinette” de Sofia Coppola: até 24 de janeiro de 2027, no Château de Versailles – Petit Trianon.  

 

Tem Brasil aqui 

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Obra da artista brasileira Sonia Gomes em exposição no Palais de Tokyo. Foto: Thomas Bruns

Estou ansiosa por essa exposição que tem a brasileira Sonia Gomes como uma das participantes, com seu “Wild Heart”, na abertura da temporada do Palais de Tokyo. O lugar, que é colado ao Museu de Arte Moderna, abriga muitas coisas interessantes, como uma livraria maravilhosa com livros de fotografia, arte, arquitetura e moda, além de revistas no mesmo tema. Tem também um café e dois restaurantes. Vale muito ir passar uma tarde ou um dia inteiro pela região.

Voltando à mostra, é uma coletiva chamada Tous les feux, les fleurs, que traz a noção de território para apresentá-la. Pensada em sua diversidade geográfica, histórica, política e social, ela traz, além de Sonia, o trabalho de Ali Cherri e da martinicana Valérie John.

Tous les feux, les fleurs: de 21 de outubro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027, no Palais de Tokyo, 13, avenue du Président Wilson.

 

Obrigatório para quem ama moda e foto 

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Colaboração entre Irving Penn e Issey Myake, em cartaz na Maison de la Photo Foto: Fundação Irving Penn

Amantes da moda e da fotografia, essa expo da carreira de Irving Penn é obrigatória para quem passar por aqui. Como parte das comemorações dos 30 anos da Maison Européenne de la Photographie, ela acompanha cronologicamente a carreira de Irving Penn de 1947 a 2008. Além de toda a parte em preto e branco, a retrospectiva traz a cor nas lentes desse que foi também um grande mestre e registrou toda a ousadia de John Galliano, os rococós de Christian Lacroix e as texturas de Issey Miyake. Uma aula.

Penn & Fashion: de 30 de setembro de 2026 a 17 de janeiro de 2027 na Maison Européenne de la Photographie, 5/7, rue de Fourcy.

 

Para chamar de nosso

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Cartaz da exposição em cartaz no Pallais Galliera. Foto: Divulgação

Esta é imperdível para mulheres, principalmente, porque ela conta a nossa história no século 19. Como não tinham liberdade no vestir, elas tomaram emprestado os códigos do guarda-roupa masculino para conquistá-la. Entre trajes de amazona, calças, tailleurs, gravatas e cartolas, estão pinturas, fotografias e cartazes de moda. O percurso passa por George Sand, Natalie Clifford Barney e por Maria Antonieta. A mostra traz ainda um guarda-roupa inédito revelado: o da pintora Rosa Bonheur (1822-1889), conhecida por pintar animais. Além do seu ilustre trabalho, ela ficou famosa por ter uma autorização da prefeitura de Paris para usar calças, o que na época era proibido. 

Un vestiaire à soi: de 26 de setembro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027, Palais Galliera, 10, Av. Pierre 1er de Serbie.

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