Hotéis de luxo oferecem estadia dos deuses na Grécia

Em Atenas e Mykonos, endereços com a bandeira Four Seasons entregam charme, conforto e boa gastronomia em meio à paisagem azul do mar.


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Vista do Four Seasons Mykonos. Foto: Ana Garmendia



Conhecer a Grécia sempre esteve no meu imaginário, principalmente Atenas e Mykonos, pela fama de lugares que a gente não pode morrer sem ver. Este ano, realizei o que poderia ser, em algum momento da vida, um sonho: passei cinco dias na Grécia com direito a tratamento de luxo, tanto em Atenas quanto em Mykonos.

Fui conhecer primeiro o Astir Palace, hotel erguido em uma península de 30 hectares coberta de pinheiros em Vouliagmeni – recanto pouco explorado pelo turismo de massa, a meia hora do centro histórico de Atenas e da Acrópole. 

Vista aérea do Astir Palace. Foto: Divulgação Four Seasons

Com 303 quartos e suítes, o Astir Palace foi adquirido pela rede Four Seasons em 2017 e reabriu em 2019, sob a nova bandeira e totalmente renovado. A história do hotel, porém, começa bem antes, ainda em 1960, quando a Grécia decidiu apostar suas fichas no turismo. 

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Uma das piscinas do Astir Palace Four Season: a renovação foi fiel à arquitetura dos anos 70. Foto: Ana Garmendia

O hotel foi construído onde antes havia um antigo mosteiro, que alugava quartos à beira de um lago conhecido pelas águas curativas. Nos anos 1970, o Astir já era o símbolo do boom turístico grego, e o jet-set internacional ia todo para lá. Personagens ilustres e histórias picantes, como a de Brigitte Bardot parando a praia inteira ao aparecer de biquíni e salto alto, a de Tony Curtis barrado na boate por não estar de gravata e, vejam só, a de Rudolf Nureyev dançando pelos corredores, numa cena linda de se imaginar.

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Eu me apaixonei pelo clima familiar do lugar: com três praias privativas, é perfeito para quem vai sozinha ou com os filhos. No dia da chegada, começamos com um drink no terraço do Avra Bar. A carta de coquetéis, criativa e renovada a cada estação, vem num cardápio que brilha com a luz, um charme à parte. Entre tantas novidades, apostei no clássico Dry Martini, para combinar com a atmosfera vintage do hotel. 

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O pão com ervas que fez a minha alegria no jantar à beira da praia com luz de velas. Foto: Ana Garmendia

Depois, um jantar à beira da praia à luz de velas, super-romântico para quem está a dois, mas igualmente divertido para quem vai com amigos. Acredite se quiser, o que mais me marcou foi o pão com ervas frescas servido quentinho. Acho que representa bem o quanto o lugar é aconchegante.

Outro destaque do Astir Palace é a academia, com equipamentos novos e uma sala para aulas individuais de pilates com aparelhos. Não é à toa que, em 2025, ele foi o único hotel da Grécia a receber três Chaves Michelin, a distinção máxima do guia para hotelaria. Em 2026, ficou em 27º lugar no ranking The World’s 50 Best Hotels – mais uma vez o único grego da lista.

Nos dois dias programados de estadia, não quis sair de lá: fiquei tomando sol, malhando e apenas olhando o mar. Mas havia ainda a segunda parte da viagem.

O azul mais azul

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Olho grego: souvenir incontornável em Mykonos. Foto: Ana Garmendia

De Atenas a Mykonos, o trajeto de barco leva uma hora. É bom saber que o mar pode estar agitado, mas a travessia vale cada minuto quando se chega ao recém-inaugurado Four Seasons Mykonos. O hotel abriu as portas em junho, na Baía de Kalo Livadi. Com projeto assinado por Nicos Valsamakis, arquiteto grego de 102 anos, contemporâneo de Oscar Niemeyer, é um dos lugares mais impressionantes em que já estive. Ali, o céu abraça a gente. É o azul mais azul que já vi na vida – um convite ao descanso, mesmo com todo o badalo das praias vizinhas.

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A arquitetura Four Seasons Mykonos é uma moldura para a vastidão azul do mar. Foto: Ana Garmendia

Para entender como Valsamakis pensou essa arquitetura e o terreno escolhido, conversei posteriormente com ele numa entrevista por e-mail. “Mykonos mudou muito, e grande parte do que se construiu recentemente está associado ao espetáculo e à agitação”, me contou. “Aqui, quisemos propor outra ideia de luxo, baseada na contenção, na tranquilidade, na privacidade e num forte senso de lugar.”

Na construção do hotel, Valsamakis seguiu a mesma técnica de sempre para começar um projeto: rabiscar uma ideia à mão. Em Mykonos, ele teve que enfrentar um terreno rochoso com cerca de 100 metros de desnível entre a entrada e o mar. No lugar de um grande prédio, foram erguidos pequenos volumes pela encosta, com muros de pedra local feitos com técnicas tradicionais da região. O resultado é um ambiente que parece ter “nascido” ali, um acalento em tempos de hotelaria tão pasteurizada.

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O branco e a pedra: a arquitetura fascinante do lugar foi projetada por Nicos Valsamakis. Foto: Ana Garmendia

Os 94 quartos, suítes e villas com piscina privativa descem a encosta em pequenos grupos, como casas de um vilarejo que existe há muito tempo. Uma bela sacada de Valsamakis e também uma exigência local: as normas de zoneamento e a regulamentação urbanística de Mykonos impõem diretrizes rígidas, exigindo a padronização das cores nas fachadas (predominantemente o branco e os tons terrosos naturais), o uso de volumes cúbicos simples e a harmoniosa integração das edificações à topografia acidentada da ilha. 

Meu lindo quarto, ou melhor, minha casa, tinha vista para o mar. Fiquei mergulhada num azul infinito, como se estivesse no andar de cima do mundo, só admirando aquele cenário que ia mudando com o passar das horas. Logo cedo, o mais lindo nascer do sol. Durante o dia, aquele azul reluzente que faz de Mykonos um dos destinos de praia mais célebres do mundo. Ao entardecer, um show de cores e nuances no céu anunciando as noites estreladas. Tudo isso com o famoso vento.

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Corbu: pescados e pizzas deliciosos. Foto: Ana Garmendia

À mesa, provei todos os restaurantes. No italiano Corbu, as pizzas são as melhores. No Álef, a casa de carnes, as peças nobres vão para a chama aberta, acompanhadas de vinhos gregos: o churrasco é impecável. No Kaféneo, o melhor é dividir os meze, os petiscos gregos, de preferência ao pôr do sol.

No spa, fiz a massagem Anemos (“vento”, em grego). Antes dela, fiquei esperando numa das piscinas com jacuzzi de um pátio interno, num silêncio em que o tempo parecia suspenso, tamanha a paz. Durante o tratamento, parti de vez rumo ao relaxamento: foram 80 minutos de uma das melhores massagens que já recebi, ainda mais sabendo que o mar estava ali, ao meu lado.

Também fizemos um passeio de barco pelas praias da ilha, passando em frente aos beach clubs mais disputados, e almoçamos entre um mergulho e outro.

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Presente divertido: baralho com poses sexuais da Grécia antiga Foto: Ana Garmendia

E, claro, fomos ao centrinho passear pelas lojas, ver o movimento dos restaurantes e fazer nossas comprinhas: muitos olhos gregos na bagagem, óleo para o corpo e um baralho divertido com posições sexuais da Grécia antiga, para dar de presente a alguém com quem se tenha intimidade para a ousadia. Já fiquei com vontade de repetir a dose nos dois hotéis: curtir a Acrópole e depois voltar a esse paraíso, numa espécie de “Hamptons” grego. Um lugar onde se foge da rotina sem se sentir um turista invadindo a praia dos outros. Era justamente esse o desejo de Valsamakis: “Se o hotel um dia der a impressão de que sempre esteve ali, o objetivo terá sido alcançado”.

Four Seasons Astir Palace Hotel Athens: reservations.athens@fourseasons.com
Four Seasons Hotel Mykonos: +30 22 8944 1900.

Ana Garmendia viajou a convite do Four Seasons.

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